O Instituto Vale do Sol abre inscrições para o projeto Reparar é Lembrar, Cuidar e Transformar, uma iniciativa voltada à reparação de danos morais coletivos causados pelo desastre da mineração em Maceió, por meio da promoção da saúde mental comunitária O projeto é voltado para famílias com e sem deficiência e famílias atípicas atingidas pelo afundamento do solo. As inscrições podem ser feitas no link até 10 de fevereiro..
O Reparar é Lembrar, Cuidar e Transformar integra os projetos de reparação do Programa Nosso Chão, Nossa História, coordenado pelo Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE) e executado pelo UNOPS/ONU. Suas atividades deverão iniciar ainda em fevereiro de 2026, com data a ser definida em decorrência das festividades do carnaval.
O projeto irá desenvolver grupos de convivência, vivências territoriais, rodas informativas e ações de cuidado psicossocial, envolvendo pessoas com e sem deficiência e famílias atípicas. O público destinatário definido para a inciativa reconhece que o desastre afeta diretamente grupos de maneira distinta. As atividades buscam promover acolhimento, reconstrução de vínculos comunitários e fortalecimento da autonomia dos participantes e assim promover a reparação para os danos extrapatrimoniais.
E o que são danos extrapatrimoniais?
É todo dano que não é visível, mas é sentido pelas comunidades. Por exemplo, como a quebra de laços com as vizinhanças, o prejuízo à moral e à dignidade, o sofrimento psicológico, a perda de identidade, das tradições culturais e das convivências religiosas.
Atuar com a reparação passa pelo reconhecimento de que os impactos do desastre da mineração ultrapassam as perdas materiais e atingem profundamente os vínculos afetivos, a memória coletiva, a identidade territorial e o bem-estar emocional das pessoas e comunidades. Por isso, o projeto atuará a partir de uma metodologia psicossocial e comunitária, baseada no cuidado, na escuta qualificada e no fortalecimento de redes de apoio.
De acordo com o Instituto Vale do Sol, a iniciativa reafirma o compromisso com uma reparação que vá além da dimensão jurídica, incorporando práticas de cuidado coletivo, memória e participação social. “Reparar é também reconhecer a dor, cuidar das pessoas e garantir que os territórios atingidos possam reconstruir seus sentidos de pertencimento e dignidade”, destaca Josival Oliveira, coordenador do projeto.
Nosso Chão, Nossa História
O Programa é fruto de uma ação civil pública do MPF, que responsabilizou a Braskem pela reparação dos danos extrapatrimoniais causados pelo afundamento do solo em cinco bairros de Maceió. As ações de reparação são feitas prioritariamente por meio de projetos, frutos de editais que são implementados por organizações da sociedade civil.
“A saúde mental comunitária é uma linha temática estruturante do Programa, e o projeto de reparação implementado pelo Instituto Vale do Sol se insere nessa perspectiva. O público destinatário, pessoas com e sem deficiência e famílias atípicas, também é prioridade para o Comitê Gestor, sobretudo por reconhecermos que o desastre impacta as pessoas de formas distintas. Nosso trabalho é orientado por um olhar sensível às questões de gênero, diversidade e inclusão”, destaca Dilma de Carvalho, presidente do Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais, instância responsável pela coordenação do Programa.
Reparar é Lembrar, Cuidar e Transformar
O projeto integra uma série de ações voltadas à justiça socioambiental e à reparação extrapatrimonial em Maceió, contribuindo para que as pessoas atingidas não sejam silenciadas nem esquecidas, mas reconhecidas como sujeitos de direitos. A iniciativa também integra uma longa lista de ações do Instituto Vale do Sol que promovem saúde mental, cultura, cuidado com a terra, economia criativa, educação e diversidade, atuando em diversos bairros da capital alagoana.
Fonte: Assessoria