07 de abril de 2026
min. 23º máx. 32º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel Governo prepara medidas para amenizar reajuste do querosene de aviação
07/04/2026 às 17h30

Geral

Governo de Alagoas amplia acesso a serviços no Vergel do Lago

Nova etapa do projeto Coração Social transforma dados coletados em campo em encaminhamentos concretos, com atendimento às famílias prioritárias

Adônis Matos / ONU-Habitat

O Governo de Alagoas iniciou, em março, a fase de devolutiva do projeto Coração Social realizada no bairro do Vergel do Lago, em Maceió, com apoio do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Após um período de atuação contínua no território, a iniciativa mapeou as condições de vida de cerca de 7 mil pessoas, a partir de mais de 2,5 mil entrevistas realizadas entre abril de 2025 e março de 2026. As informações consolidadas passam agora a orientar o encaminhamento das famílias aos serviços públicos, com base em critérios técnicos e evidências produzidas em campo.

A ação é coordenada pela Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) e integra uma estratégia de ampliação das políticas públicas por meio do uso qualificado de dados. A partir do levantamento, o Estado estruturou um fluxo inicial de atuação que permite identificar, priorizar e acompanhar famílias em situação de vulnerabilidade, articulando diferentes áreas da gestão pública.

Para o secretário especial de Planejamento, Orçamento e Governo Digital da Seplag, Phelipe Vargas, o avanço da iniciativa demonstra o papel estratégico dos dados na qualificação da ação pública. “Estamos transformando informação em ação. Os dados coletados ao longo do ano nos permitem compreender o perfil das famílias, priorizar atendimentos e integrar respostas entre diferentes áreas do governo. Com isso, conseguimos atuar de forma mais eficiente, levando serviços a quem mais precisa e fortalecendo a presença do Estado no território”, destaca.

A metodologia da busca ativa tem como base o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que considera dimensões como saúde, educação e padrão de vida para identificar níveis de vulnerabilidade e orientar a priorização das famílias no acesso às políticas públicas. Esse processo permite não apenas mapear demandas, mas estruturar respostas mais direcionadas e eficazes, com atuação intersetorial e presença contínua no território.

No Vergel do Lago, a aplicação da metodologia ocorre em um contexto urbano e socioambiental desafiador. Localizado na região lagunar de Maceió, o bairro reúne áreas de alta densidade populacional e condições historicamente marcadas por vulnerabilidade social. A escolha do território está diretamente relacionada a esse contexto e à continuidade da parceria entre o Governo de Alagoas e o ONU-Habitat, chamada Visão Alagoas 2030, que desde 2017 desenvolve estudos e diagnósticos na região, como o Mapa Rápido Participativo e o Perfil Socioeconômico.

Segundo a coordenadora do Visão Alagoas 2030, Paula Zacarias, a iniciativa consolida as políticas públicas baseadas em evidências e com o princípio de não deixar ninguém para trás. “A busca ativa permite identificar pessoas que muitas vezes não acessam os serviços públicos porque suas demandas não são conhecidas. Ao produzir dados qualificados e trabalhar de forma integrada, o Estado consegue chegar a essas famílias e garantir que elas sejam incluídas nas políticas públicas”, afirma.

Encaminhamento para serviços públicos

A etapa de devolutiva envolve a atuação direta de secretarias responsáveis pela inserção das famílias nos serviços e programas. Do total de núcleos familiares entrevistados, cerca de 40% foram identificados com algum nível de vulnerabilidade, o que permite orientar a priorização dos atendimentos e o direcionamento das ações do Estado.

Parte das ações de devolutiva tiveram início ainda em 2025, em paralelo à etapa de mapeamento, a partir da articulação entre o Coração Social e o programa Corações da Paz, coordenado pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev). Nesse período, as informações produzidas pela busca ativa passaram a apoiar a organização dos atendimentos já realizados no território, contribuindo para qualificar a priorização das famílias e a oferta de serviços.

Agora, a devolutiva avança para uma etapa mais próxima de quem vive no território, com foco em levar os serviços diretamente às famílias mapeadas. A atuação passa a se concentrar no encaminhamento ativo dessas famílias, iniciando com ações articuladas com a Secretaria de Estado da Primeira Infância (Secria) e a Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secdef) para ampliar o acesso a ações de transferência de renda, benefícios e outros serviços públicos diretamente no território.

Para a secretária de Estado da Primeira Infância, Caroline Leite, a integração com a busca ativa amplia o alcance das políticas públicas. “A partir das informações coletadas no território, conseguimos identificar famílias que atendem aos critérios e que ainda não acessavam o benefício. Isso permite ampliar o alcance do Cartão Cria e garantir que ele chegue a quem precisa”, afirma.

Já a Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secdef) atua no encaminhamento para serviços de cidadania e acesso a direitos, como a emissão de cartões para acesso a serviços públicos específicos.

De acordo com a secretária Francine Bomfim, a integração entre as áreas amplia a capacidade de resposta do Estado. “A articulação entre as secretarias permite identificar demandas e dar respostas mais rápidas e qualificadas. Muitas vezes, o primeiro passo é garantir a documentação ou o acesso a um direito básico, e isso faz toda a diferença na vida das pessoas”, ressalta.

A nova etapa do Coração Social permitirá acompanhar o mapeamento realizado, atualizar as informações das famílias e monitorar os encaminhamentos das demandas atendidas. Ao articular produção de dados, planejamento e execução de políticas públicas, a iniciativa consolida a busca ativa como instrumento para identificar quem está sendo deixado para trás e apoiar a construção de respostas mais inclusivas, em alinhamento com a Agenda 2030 e o compromisso de não deixar ninguém e nenhum lugar para trás.


Fonte: ONU-Habitat

Todos os direitos reservados
- 2009-2026 Press Comunicações S/S
[email protected]