O que antes dependia apenas da percepção dos recrutadores agora também pode ser analisado por inteligência artificial. Plataformas especializadas já identificam sinais sutis durante entrevistas de emprego, como pausas na fala, variações no tom de voz e a estrutura das respostas, ampliando a compreensão sobre preparo, coerência e autenticidade dos candidatos.
Christian Pedrosa, fundador e CEO da DigAÍ — empresa que oferece soluções de Inteligência Artificial para processos seletivos por meio de triagens via texto e áudio —, o objetivo não é "flagrar" o candidato. A prioridade é traduzir reações que, combinadas, oferecem uma leitura mais completa do profissional.
"Isso permite que os times de RH identifiquem candidatos com alta capacidade de adaptação, clareza emocional, coerência, resiliência e até predisposição à colaboração, competências cada vez mais valorizadas e difíceis de medir em processos tradicionais", afirma.
A tecnologia utilizada nesse tipo de avaliação combina inteligência emocional computacional, data insights e análise de linguagem natural. O áudio, por exemplo, capta sinais vocais sutis, que são cruzados com modelos treinados para reconhecer padrões estatisticamente relacionados ao comportamento profissional. A DigAÍ utiliza esse conjunto de análises para ajudar empresas a identificar alinhamento cultural, clareza comunicativa e consistência nas respostas, incluindo momentos em que há descompasso entre o que o candidato diz e como diz.
Para quem participa dos processos seletivos, essa mudança reforça a importância da autenticidade. Respostas excessivamente decoradas, tom engessado e postura artificial, que sempre foram percebidos por recrutadores experientes, agora se tornam ainda mais evidentes para sistemas de IA.
Já para as empresas, a tecnologia representa a chance de reduzir vieses, qualificar decisões e entender candidatos de forma mais precisa, indo além da chamada "sensação" durante a entrevista.
"A tecnologia não substitui a análise humana, mas amplia o que conseguimos enxergar. Quando cruzamos o que é dito com os padrões de comportamento, conseguimos compreender não só a resposta, mas a qualidade do raciocínio e a forma como o candidato sustenta aquilo que afirma. É uma evolução que traz transparência para o processo e decisões mais justas para todos os lados", conclui Pedrosa.
A DigAÍ é uma empresa brasileira de inteligência artificial aplicada a conexões humanas, que nasceu em 2023 transformando o recrutamento e seleção por meio de entrevistas automatizadas via texto e áudio. Vencedora do Pitch do Web Summit Rio 2025, a empresa já realizou mais de 500.000 triagens e conta com mais de 100 clientes, incluindo Nubank, Deloitte, Carrefour, Zerezes, Companhia de Estágios, Select Soluções e Huntz. Hoje, a DigAÍ expande seu propósito para além do RH, desenvolvendo soluções que unem dados, empatia e tecnologia para entender e potencializar o que há de mais humano nas organizações.
Fonte: Assessoria