A hipertensão arterial não é uma condição exclusiva de adultos ou idosos. Cada vez mais, crianças e adolescentes têm sido diagnosticados com o problema, que costuma evoluir de forma silenciosa e pode trazer consequências graves ao longo da vida.
De acordo com Fernanda Grossl, cardiologista pediátrica do Hospital do Coração Alagoano, a hipertensão infantil pode ter diferentes causas. “Nas crianças menores, é mais comum a chamada hipertensão secundária, que geralmente está associada a outras doenças, como problemas cardíacos, renais ou distúrbios hormonais”, explica.
Já entre pré-adolescentes e adolescentes, cresce a incidência da hipertensão primária, diretamente relacionada aos hábitos de vida. Fatores como alimentação rica em sal, sedentarismo e obesidade estão entre os principais vilões. “A rotina com pouca atividade física contribui significativamente para esse cenário”, alerta a especialista.
Um dos maiores desafios é que, diferente dos adultos, crianças raramente apresentam sintomas. Dor de cabeça e tontura, por exemplo, não são queixas frequentes nessa faixa etária. Por isso, o diagnóstico precoce depende de acompanhamento regular.
A recomendação é que a pressão arterial seja aferida em todas as consultas de rotina a partir dos três anos de idade. Esse cuidado simples pode fazer toda a diferença na identificação precoce do problema.
Apesar do alerta, há uma boa notícia: na maioria dos casos, a hipertensão pode ser controlada — e até revertida — com mudanças no estilo de vida. A adoção de hábitos saudáveis deve envolver toda a família, com redução do consumo de sal e incentivo à prática de atividades físicas.
“Cuidar da saúde cardiovascular desde a infância é um investimento no futuro. Pequenas mudanças hoje podem garantir adultos mais saudáveis amanhã”, destaca a cardiologista do Hospital do Coração Alagoano.
Fonte: Neide Brandão/ Ascom Hospital do Coração Alagoano