O Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), vinculado à Rede HU Brasil, passa a integrar uma rede internacional de pesquisa voltada ao tratamento da pneumonia. De forma inédita, a instituição participará de um ensaio clínico que investiga o uso da heparina (medicamento anticoagulante) como aliada no tratamento da pneumonia adquirida na comunidade.
O hospital atuará como centro recrutador do estudo ATTACC-CAP, que avalia o potencial da heparina na redução de complicações e óbitos. A pesquisa é liderada pela Universidade de Manitoba, no Canadá, com apoio dos Institutos Canadenses de Pesquisa em Saúde, e caracteriza-se como um ensaio clínico de fase IV.
O estudo é randomizado, de porte aberto e com desenho adaptativo baseado em modelos bayesianos, o que permite ajustes ao longo da pesquisa conforme os dados são analisados. A investigação comparará o uso da heparina em dose terapêutica com a tromboprofilaxia convencional, atualmente adotada como padrão de cuidado em pacientes hospitalizados.
A coordenação do ensaio no hospital ficará sob responsabilidade da médica cardiologista Clarissa Oliveira, investigadora principal do projeto na unidade. "O HUPAA será um dos centros participantes do estudo em nível internacional. Na prática, pacientes internados com pneumonia adquirida na comunidade e que atendam aos critérios poderão ser incluídos e acompanhados de forma rigorosa pela equipe assistencial e de pesquisa, com monitoramento clínico cuidadoso durante todo o processo. O objetivo é avaliar se o uso de enoxaparina em dose terapêutica - ou seja, uma dose mais alta do que a habitualmente utilizada para prevenção - pode trazer resultados melhores do que o tratamento padrão nesses pacientes", explica.
Segundo a especialista, a pneumonia adquirida na comunidade é uma condição muito frequente e ainda associada a complicações importantes, internações prolongadas e risco de morte. "Se o estudo demonstrar benefício com essa estratégia terapêutica, poderemos avançar para um cuidado mais eficaz, com possibilidade de reduzir complicações, tempo de internação, necessidade de suporte ventilatório e mortalidade", destaca.
A iniciativa é considerada estratégica pela gestão da Universidade Federal de Alagoas e do HUPAA, por fortalecer a integração entre ensino, pesquisa e assistência. Além disso, amplia a presença da produção científica alagoana em redes internacionais de inovação e conhecimento.
Para o responsável técnico do Centro de Pesquisas Clínicas (CPC) do HUPAA, Ednaldo Almeida Gomes, a participação no estudo exige o cumprimento de rigorosos padrões de segurança e ética. "A integração ao protocolo reafirma o compromisso da instituição com as boas práticas clínicas e com a condução responsável de pesquisas envolvendo seres humanos", garante.
Fonte: Assessoria