A hipertensão arterial, mais comum entre mulheres, tem sido mais letal em homens de meia-idade. Dados compilados de bases públicas pelo Núcleo de Inteligência e Conteúdo (NIC), do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp) revelam que na faixa etária de 50 a 59 anos, o número de óbitos por doenças hipertensivas em homens é 25% maior do que em mulheres. Elas, por sua vez, acumulam internações e óbitos em idades mais avançadas, especialmente acima dos 80 anos, reforçando a vulnerabilidade da população idosa feminina.
O comerciário Cristiano Peixoto, 51 anos, toma quatro medicamentos por dia para controlar a pressão alta. "Quase todos da minha família têm hipertensão. Descobri que tinha há cerca de 15 anos. Vou ao médico esporadicamente e tento manter atividade física para controlar. Quase todos da minha família têm o mesmo problema", conta.
Com o objetivo de promover a conscientização sobre o diagnóstico e o tratamento, 26 de abril é dedicado ao Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Data necessária, visto que cerca de 30% da população brasileira adulta vive com hipertensão arterial, que é um dos principais fatores de risco para condições cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal, de acordo com dados do relatório Vigitel Brasil 2006–2024, do Ministério da Saúde.
"Os homens costumam procurar menos atendimento médico. Realizam menos exames preventivos e abandonam precocemente o tratamento. Além disso, descobrem a doença hipertensiva muito tardiamente, quando já têm comprometimento do coração, dos rins ou do cérebro. A hipertensão é uma doença silenciosa e pode permanecer por anos sem sintoma. No entanto, quando não tratada adequadamente, pode levar a problemas mais sérios", explica o cardiologista Vagner Ferreira.
As mulheres ainda são as principais vítimas da doença, representam 56,4% dos pacientes totais internados. Os dados de 2020 a 2024 - os mais recentes nas bases públicas - mostram que entre 50 e 59, foram 7.327 óbitos em hospitais das redes pública e privada contra 5.863 mulheres. Na faixa etária de 60 a 69, foram 14.202 óbitos contra 11.878.
O médico Willyan Soares, 37, tem hipertensão primária desde os 22 anos. O estresse diário e o histórico familiar foram fundamentais para o início dos sintomas, mas ele não abre mão do controle diário. Faz uso contínuo de medicação aliada à atividade física. Como profissional da área de saúde, alerta.
"É fundamental reforçar a importância na mudança dos hábitos de vida, como alimentação saudável e atividade física regular como principal fonte de tratamento e ajuste pressórico. A obesidade e a rotina acelerada da era contemporânea são os principais motivadores para o surgimento cada vez mais recorrente de hipertensão em pacientes considerados adultos jovens", explica.
O avanço da doença com o envelhecimento é evidente, mas os dados mostram um novo cenário. "Esse quadro exige políticas públicas específicas de prevenção e cuidado, voltadas não apenas para idosos, mas também para adultos de meia-idade, com atenção às desigualdades regionais e às diferenças de gênero", afirma Francisco Balestrin, presidente do SindHosp.
O tempo médio de permanência hospitalar é de quatro dias, o que reflete a complexidade dos casos, frequentemente ligados à insuficiência cardíaca ou renal.
Fonte: Brantta Comunicação