Em meio às ações do Maio Amarelo, os acidentes envolvendo motociclistas seguem como um dos principais desafios de saúde pública em Alagoas. Dados recentes apontam que as motos já representam cerca de 54% das mortes no trânsito no estado, além de milhares de atendimentos por ano nas unidades de urgência e emergência.
Só em 2025, foram registrados mais de 6,5 mil acidentes com motocicletas em Alagoas, o que representa uma média de quase 18 ocorrências por dia. No Hospital Geral do Estado (HGE), referência em trauma, os acidentes com motos lideram os atendimentos.
Esse cenário também se reflete diretamente na reabilitação.
De acordo com o fisioterapeuta Fábio Monteiro, professor da Afya Maceió, a presença de vítimas de acidentes motociclísticos tem crescido de forma evidente na prática clínica.
“Aqui em Maceió isso é muito evidente na prática clínica. Temos percebido uma tendência de aumento progressivo no número de pacientes que chegam à reabilitação vítimas de acidentes com motocicletas, geralmente jovens, do sexo masculino. Ao observarmos dados do HGE em 2025, vemos que os acidentes de moto lideram os atendimentos por trauma”, destaca.
Lesões graves e risco de sequelas
Entre os casos atendidos, as lesões mais frequentes incluem fraturas em membros superiores e inferiores, além de luxações e lesões ligamentares. No entanto, os quadros mais graves são os que envolvem o sistema neurológico.
“As lesões mais comuns são fraturas em punho, clavícula, tíbia, fêmur e tornozelo. Mas as que têm maior potencial de sequelas permanentes são os traumatismos cranianos e as lesões medulares, que podem comprometer definitivamente a mobilidade e a independência do paciente”, explica o especialista.
Reabilitação precoce pode evitar sequelas
Um dos pontos mais importantes, segundo o fisioterapeuta, é o início rápido do tratamento.
“Quanto mais cedo conseguimos iniciar a fisioterapia, menores são os riscos de complicações e sequelas motoras. A mobilização precoce reduz o tempo de internação e acelera o retorno às atividades do dia a dia e ao trabalho.”
O tempo de recuperação varia conforme a gravidade do acidente.
“Em casos mais simples, a recuperação pode acontecer entre dois e quatro meses. Já em traumas mais graves ou lesões neurológicas, a reabilitação pode levar mais de um ano e, em alguns casos, exigir acompanhamento contínuo.”
Impactos que vão além do físico
As consequências dos acidentes de moto não se limitam ao corpo. Elas afetam diretamente a vida social, emocional e financeira das vítimas.
“É muito comum atendermos pais de família que ficam meses sem conseguir trabalhar. Existe um impacto social e econômico importante, porque muitas vítimas passam a depender de familiares até para atividades básicas. Além disso, observamos medo de voltar a pilotar, ansiedade e até sintomas depressivos.”
Mesmo com evolução positiva em parte dos casos, as sequelas ainda são frequentes.
“Muitos pacientes recuperam a autonomia, principalmente quando aderem ao tratamento. Mas, nos casos mais graves, as sequelas são comuns: dor crônica, limitação de movimento, perda de força e dificuldades para caminhar ainda fazem parte da realidade de muitos.”
Maio Amarelo: conscientização que salva vidas
Criado com o objetivo de reduzir acidentes e mortes no trânsito, o Maio Amarelo mobiliza poder público, instituições e sociedade para promover comportamentos mais seguros nas vias.
A campanha chama atenção para a responsabilidade coletiva no trânsito, especialmente entre motociclistas, que estão mais expostos a impactos e lesões graves.
Para o especialista, a conscientização pode evitar não só acidentes, mas também sequelas irreversíveis.
“A moto oferece pouca proteção ao corpo humano. Na fisioterapia vemos diariamente como alguns segundos de imprudência podem mudar completamente a vida de uma pessoa. Usar equipamentos de segurança corretamente, respeitar a velocidade e manter atenção constante são atitudes que salvam vidas.”
Fonte: Assessoria