Períodos de grandes eventos esportivos despertam um interesse coletivo em guardar lembranças. Essa necessidade de materializar esse momento marcante estimula marcas a lançarem objetos que transcendem o consumo.
Essa busca pelo que é palpável não é apenas um movimento nostálgico, mas uma resposta neuropsicológica ao ritmo do nosso tempo. Para Cláudia Ketter, psiquiatra e professora da Afya Educação Médica, o interesse em guardar itens conectados às atrações esportivas atua como uma estratégia psíquica de fixação.
"Em um contexto de consumo rápido de conteúdo, presente nas redes sociais, há uma sensação de superficialidade. Colecionar, nesse sentido, atua como uma âncora à transitoriedade, permitindo transformar uma experiência passageira em algo duradouro e revisitável", explica.
Segundo a especialista, o objeto físico vira um "marcador" da memória autobiográfica: ao reencontrar a peça anos depois, o cérebro reativa a rede de emoções associadas àquele período.
"Esse objeto vira um 'marcador' de um momento vivido. reativando emoções positivas associadas ao evento, atuando como um regulador emocional e ajudando a organizar o tempo e a narrativa pessoal", completa Ketter.
De itens do dia a dia a apostas inusitadas, o mercado se movimenta para oferecer novidades aos brasileiros especialmente para esse período esportivo.
Budweiser, por exemplo, lançou garrafas de alumínio em edição limitada homenageando torneios icônicos. Ao transformar momentos históricos em objetos de design, Budweiser permite que o torcedor tire a memória da "nuvem" e a coloque na prateleira, transformando o consumo em um registro pessoal e físico da sua própria jornada no Mundial.
No mesmo caminho, Guaraná Antarctica aposta na força da identidade nacional ao estampar camisas históricas da Seleção Brasileira em sua edição especial de latas comemorativas, transformando um item cotidiano em um fragmento da história do futebol que o fã deseja preservar.
"Na Copa do Mundo, os bares acabam se tornando os verdadeiros estádios dos brasileiros - é onde as emoções acontecem, as histórias são criadas e as celebrações ganham vida. Mais do que pensar em como as pessoas viveriam esse momento, queríamos criar uma forma de fazer essa memória permanecer, transformando emoções e conquistas em algo físico, que pudesse ser revisitado e guardado ao longo do tempo", afirma Leandro Mendonça, Diretor de eventos e experiências da Ambev.
Mais diversão "raiz" e menos tela
O hábito de reunir itens simbólicos também funciona como um respiro em meio ao excesso de telas. Danielle Admoni, também psiquiatra e professora da Afya, reforça que a busca por objetos carregados de significado reside justamente no resgate do concreto.
"Funciona como o oposto do digital, pois foca no toque, no manuseio e no objeto concreto. Esse aspecto sociável é um antídoto importante para o isolamento causado pelo excesso de telas, promovendo uma interação social mais rica", pontua.
No fim das contas, quando o apito final soar e a euforia da Copa passar, fotos e vídeos da festa serão soterrados por novas publicações no feed. E o que sobra, são os objetos que estarão lá, na estante ou no canto da mesa, como provas de que ainda há espaço para o que merece permanecer.
Fonte: Assessoria