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06/07/2026 às 11h00

Geral

Cacau em alta: nutricionista explica como identificar um chocolate de qualidade além da porcentagem de cacau

Oscilações no mercado internacional e o crescimento do cacau brasileiro colocam o setor em evidência; especialista afirma que é possível consumir chocolate sem culpa e orienta como fazer escolhas mais conscientes na hora da compra.

Foto: Divulgação

O mercado mundial do cacau voltou ao centro das atenções. Depois da forte alta registrada nos últimos anos, o setor acompanha novamente os impactos das condições climáticas sobre as principais regiões produtoras, especialmente diante da possibilidade de um novo episódio de El Niño — fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Pacífico, que altera o clima e afeta a produção agrícola. 

Ao mesmo tempo, o Brasil vem ampliando sua presença no mercado internacional, impulsionado pela valorização do cacau nacional e pela expansão dos chocolates de maior qualidade produzidos no país, especialmente no modelo bean to bar, em que os produtores controlam todas as etapas, do grão à barra, garantindo maior rastreabilidade e qualidade.

E com o Dia Mundial do Chocolate se aproximando, celebrado em 7 de julho, nutricionistas aproveitam a data para ressaltar que é possível manter uma alimentação saudável, sem precisar excluir o chocolate da rotina. Segundo a nutricionista Ivanessa Cardoso, o segredo está na combinação entre qualidade, quantidade e equilíbrio.

Segundo a profissional, um erro bastante comum é acreditar que apenas a porcentagem de cacau estampada na embalagem determina a qualidade do produto. "Muitas pessoas olham apenas se o chocolate é 50%, 70% ou 85% cacau. Essa informação é importante, mas não deve ser analisada isoladamente. O rótulo conta uma história muito mais completa sobre aquele alimento", explica.

A especialista orienta que o primeiro passo é observar a lista de ingredientes, que aparece em ordem decrescente de quantidade. "O ideal é que o cacau, seja na forma de massa de cacau ou liquor de cacau, apareça entre os primeiros ingredientes. Quando açúcar, xaropes ou gorduras vegetais vêm antes do cacau, esse produto provavelmente tem menor qualidade nutricional."

Outro ponto de atenção são as gorduras utilizadas na fabricação. Ivanessa explica que chocolates elaborados com manteiga de cacau tendem a apresentar composição mais fiel ao alimento original, enquanto produtos que utilizam gorduras vegetais adicionadas costumam ser classificados como chocolates de menor qualidade.

A nutricionista também destaca que um chocolate com alto percentual de cacau não é automaticamente mais saudável. "Existem produtos com 70% de cacau que ainda possuem uma lista extensa de ingredientes, aditivos e excesso de açúcar."

Chocolate pode fazer parte de uma alimentação equilibrada

"O chocolate pode, sim, fazer parte da alimentação, inclusive de quem busca emagrecimento. O mais importante é escolher um produto com boa composição e consumi-lo com moderação. Nenhum alimento, isoladamente, determina uma alimentação saudável ou não."

A nutricionista reforça que o consumo consciente permite aproveitar o sabor e os benefícios do cacau sem excessos. "A ideia não é criar restrições extremas, mas fazer escolhas mais inteligentes e sustentáveis no dia a dia."

Nova lei amplia transparência para o consumidor

Uma nova legislação brasileira deve tornar mais fácil a escolha de chocolates de qualidade. Sancionada em maio deste ano, a Lei nº 15.404/2026 estabelece percentuais mínimos de cacau para diferentes tipos de chocolate e determina que essa informação seja destacada na parte frontal das embalagens.

Para Ivanessa, a medida representa um avanço, mas não substitui a leitura completa do rótulo. 


Fonte: Agencia Brava

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