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07/07/2026 às 23h00

Geral

Sete em cada dez brasileiros adotam práticas de turismo responsável no litoral

Pesquisa da Fundação Grupo Boticário mostra avanço da consciência ambiental entre os viajantes. Conheça projetos que permitem aliar lazer e conservação do oceano nas férias de julho

Sete em cada dez brasileiros afirmam adotar práticas de turismo responsável ao visitar praias e outros ambientes costeiros do país. O dado, apontado pela pesquisa "Oceano sem mistérios: A relação dos brasileiros com o mar (evolução de cenários: 2022-2025)", da Fundação Grupo Boticário e do Maré de Ciência (Unifesp), revela um avanço de dois pontos percentuais em relação a 2022 - de 68% para 70%. Com a chegada das férias de julho, a busca por experiências que conciliem lazer, contato com a natureza e cuidado com os ecossistemas marinhos tem se tornado uma escolha transformadora para os viajantes.

A pesquisa indica que essa preocupação pode estar relacionada com uma forte conexão emocional com o oceano. Cerca de 80% dos brasileiros associam o mar a sentimentos positivos, como calma (24%), admiração (13%) e curiosidade (12%). Entre as atividades preferidas no litoral estão o banho de mar (47%), caminhadas na praia (26%) e contemplação da paisagem (17%). Já os esportes mais praticados são futebol (44%), corrida (23%) e voleibol (20%).

Apesar do interesse pela conservação crescer, ainda há espaço para ampliar a participação da população em ações práticas. Embora 87,6% dos brasileiros afirmem estar dispostos a mudar hábitos em benefício do oceano, apenas 7% participaram de alguma atividade de conservação marinha nos últimos 12 meses. "Quando as pessoas conhecem de perto os ecossistemas costeiros, entendem sua importância para a biodiversidade e para a qualidade de vida de todos nós. O turismo pode ser uma porta de entrada para essa experiência e para uma relação mais duradoura com a conservação", explica a gerente de Projetos da Fundação Grupo Boticário, Janaína Bumbeer.

Iniciativas que aproximam turistas da vida marinha

Aquasis

No Ceará, a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) atua na educação ambiental e no turismo de observação de fauna para aproximar visitantes da conservação da biodiversidade. Com atuação voltada à proteção de espécies ameaçadas de extinção, a organização mantém quatro espaços abertos à visitação gratuita (Crato, Baturité, Icapuí e Caucaia), onde o público pode conhecer mais sobre mamíferos aquáticos, aves e seus habitats naturais.

Uma das iniciativas é o projeto Conhecer para Conservar, que promove a formação e o acompanhamento técnico de condutores locais responsáveis por atividades de observação de peixes-bois-marinhos e aves na região de Icapuí. O objetivo é garantir que a experiência turística ocorra de forma segura para os animais e contribua para a valorização dos ecossistemas costeiros e das comunidades locais.

Para Thaís Chaves, coordenadora de educação ambiental do Programa de Mamíferos Marinhos da Aquasis, o turismo responsável depende não apenas da boa vontade dos visitantes, mas também de "acompanhamento rigoroso, regulamentação de atividades com protocolos detalhados e, principalmente, acesso ao conhecimento". Segundo ela, ampliar o engajamento da sociedade em questões ambientais passa por manter esses temas em evidência. "Precisamos insistir em levantar as pautas para que elas se tornem populares e de fato façam parte das conversas diárias das pessoas", considera.

Biofábrica de Corais

Em Pernambuco, a Biofábrica de Corais aposta em uma abordagem que combina conscientização e participação prática: os visitantes participam diretamente das ações de restauração dos recifes de coral. A startup de biotecnologia desenvolve atividades de educação ambiental e cultivo de corais com o objetivo de aumentar a resiliência desses ecossistemas, considerados um dos ambientes marinhos mais ameaçados pelas mudanças climáticas. Segundo estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), até 90% dos corais do mundo podem desaparecer até 2050 em razão do branqueamento provocado pelo aquecimento global.

Durante as experiências promovidas pela organização, turistas ajudam em etapas do cultivo de corais, contribuindo para a recuperação dos recifes. A iniciativa busca aproximar o público de um ecossistema que ainda é desconhecido para grande parte dos brasileiros: segundo a pesquisa Oceano sem mistérios, 77% da população nunca visitou um recife de coral.

"Muita gente pensa que os corais são pedras. Não sabem que são animais. Quando você conhece e interage, o seu grau de envolvimento com qualquer assunto é maior. A teoria é importante, mas ela sempre vai precisar da prática junto", afirma Rudã Fernandes, CEO da Biofábrica de Corais.

Para ele, o crescimento do turismo responsável também está ligado ao surgimento de novos modelos de viagem, como o turismo regenerativo, o turismo de base comunitária e o voluntariado ambiental. "As pessoas estão buscando formas mais conscientes de viajar e de se relacionar com os destinos. Isso ajuda a criar novas oportunidades para que turistas contribuam com a conservação da natureza e com as comunidades locais", destaca.

Fundação Mamíferos Aquáticos

A Fundação Mamíferos Aquáticos é uma organização que atua na proteção de mamíferos aquáticos e seus habitats em diferentes regiões do país. Entre as ações apoiadas pela instituição está o turismo de observação de peixes-bois-marinhos em ambiente natural, atividade implementada em localidades da Paraíba e de Alagoas e que agora também avança para áreas na divisa entre Sergipe e Bahia.

A proposta surgiu da necessidade de conciliar a presença humana com a conservação de uma espécie ameaçada. Ao longo dos anos, a Fundação identificou que a proteção dos peixes-bois-marinhos depende diretamente do envolvimento das comunidades locais, dos visitantes e de diferentes setores da sociedade. Por isso, além de apoiar a atividade turística regulamentada, a organização investe em ações de educação ambiental voltadas a moradores, estudantes, gestores públicos e turistas.

"Quando começamos nosso trabalho, o desconhecimento sobre os peixes-bois-marinhos era gritante e isso contribuiu para que a espécie desaparecesse de diversas localidades. Hoje, percebemos uma transformação importante: pescadores e turistas já atuam como aliados da conservação, comunicando encalhes de filhotes e ajudando a proteger os animais", afirma João Carlos Gomes Borges, diretor de Articulação Estratégica da Fundação Mamíferos Aquáticos.

Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 35 anos de história, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para conservar o patrimônio natural brasileiro. Com foco na adaptação da sociedade às mudanças climáticas, especialmente em relação à segurança hídrica e à proteção costeira, a instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada em todos os setores. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, considera que a natureza é a base para o desenvolvimento social e econômico do país. Sem fins lucrativos e mantida pelo Grupo Boticário, a Fundação Grupo Boticário contribui para que diferentes atores estejam mobilizados em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já apoiou mais de 1.800 iniciativas em todos os biomas no país. Protege duas reservas naturais de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil pelo desmatamento –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com 1,4 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A instituição é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador e presidente do Conselho do Grupo Boticário, criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. | www.fundacaogrupoboticario.org.br | @fundacaogrupoboticario (Instagram, Facebook, LinkedIn, Youtube, TikTok).


Fonte: Assessoria

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