Ensinar uma ferramenta que pode mudar em poucos meses, preparar um jovem para situações que encontrará no primeiro emprego e ajudar um adulto a se comunicar em outro idioma. No ensino profissionalizante e de idiomas, os desafios dos professores passam pela necessidade de transformar conteúdo em habilidades que façam sentido fora da sala de aula. Celebrado em 15 de outubro, o Dia dos Professores traz uma oportunidade para discutir como apoiar esses profissionais diante das transformações tecnológicas e das diferentes expectativas de quem busca qualificação.
A velocidade dessas mudanças aparece no relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial. Segundo a pesquisa, os empregadores consultados estimam que 39% das competências atuais dos trabalhadores serão transformadas ou se tornarão obsoletas entre 2025 e 2030. O levantamento, que reúne a perspectiva de mais de mil empregadores em 55 economias, ajuda a dimensionar a necessidade de atualização contínua, tanto para quem aprende quanto para quem ensina.
Para Rogério Gabriel, fundador e CEO do Grupo MoveEdu, que reúne as marcas Microlins, Prepara IA, Ensina Mais Turma da Mônica e Yázigi, a discussão envolve a capacidade de aproximar a formação dos objetivos de cada estudante. Jovens em busca do primeiro emprego, profissionais em transição de carreira e adultos que retomam os estudos podem dividir o mesmo ambiente de aprendizagem, mas apresentar repertórios, dificuldades e expectativas distintos.
"O professor precisa ajudar o aluno a compreender por que aquele conhecimento é importante e como poderá utilizá-lo. No ensino profissionalizante, isso significa relacionar o conteúdo às situações do trabalho. Nos idiomas, envolve criar condições para que a pessoa consiga se comunicar, mesmo antes de dominar todas as estruturas da língua. Essa conexão dá sentido ao aprendizado", afirma.
Na formação profissionalizante, um dos principais desafios é equilibrar o domínio de ferramentas com o desenvolvimento de competências que permanecem relevantes quando a tecnologia muda. Uma atividade com planilhas, por exemplo, pode ir além da execução de comandos e envolver a interpretação de informações, a identificação de um problema e a apresentação de uma solução. Simulações de atendimento, organização de projetos e elaboração de apresentações também permitem trabalhar comunicação, colaboração e autonomia junto ao conteúdo técnico.
Nesse contexto, os professores também assumem o papel de orientar o desenvolvimento de hard skills, competências técnicas necessárias à execução de tarefas, e soft skills, habilidades comportamentais como comunicação, colaboração e adaptabilidade. Na formação para o mercado de trabalho da Microlins, essa integração pode ser trabalhada em atividades que combinem conhecimentos profissionais com organização, resolução de problemas e trabalho em equipe. Já na Prepara IA, o aprendizado de ferramentas de inteligência artificial pode ser associado ao pensamento crítico e à autonomia, para que o aluno saiba avaliar resultados e tomar decisões. A mediação do educador conecta essas competências e ajuda o estudante a compreender como aplicá-las no cotidiano profissional.
O uso da inteligência artificial acrescenta outra camada a esse processo. Uma resposta produzida por uma plataforma não demonstra, por si só, que o estudante compreendeu a tarefa. Pedir que ele explique suas escolhas, confira informações e aplique o conhecimento a um novo problema são caminhos para avaliar o aprendizado. Para o docente, o desafio inclui definir quando a ferramenta contribui para a atividade e quando é necessário exercitar uma habilidade sem esse apoio.
No ensino de idiomas, o acesso a tradutores automáticos e aplicativos traz uma questão semelhante, sobre como transformar a facilidade de obter uma tradução em capacidade de participar de uma conversa. Compreender intenções, adequar o vocabulário ao contexto e reagir a perguntas inesperadas exige prática. Situações como uma entrevista de emprego, uma reunião ou uma viagem podem orientar atividades que aproximem o estudo das necessidades do aluno. O professor também precisa trabalhar a confiança do estudante para se comunicar sem que o receio de errar limite sua participação.
Outro ponto comum aos dois segmentos é a continuidade dos estudos. Para alunos que conciliam curso, trabalho e responsabilidades familiares, manter uma rotina de prática pode ser difícil. Atividades com objetivos claros, orientação sobre como estudar entre as aulas e acompanhamento das dificuldades ajudam a tornar o percurso mais viável. Esse trabalho exige suporte das instituições, com formação continuada, materiais atualizados e tempo para planejamento e troca de experiências entre os professores.
"Valorizar o professor também é oferecer condições para que ele continue aprendendo. A atualização não pode ficar restrita ao esforço individual de acompanhar cada novidade. As instituições precisam apoiar o planejamento, a formação e o compartilhamento de práticas. É assim que o educador consegue transformar as mudanças em oportunidades reais de desenvolvimento para seus alunos", finaliza Rogério Gabriel.
Sobre o Grupo MoveEdu:
Grupo MoveEdu é líder de franquias de capacitação, desenvolvimento e formação de jovens para o mundo do trabalho, com atuação nacional. Abrange as marcas Microlins, Prepara IA, Ensina Mais Turma da Mônica e Yázigi. Já formou mais de 6 milhões de alunos em cursos livres, profissionalizantes e de idiomas. Atualmente, entre escolas e polos são mais de 1,2 mil operações das quatro marcas em todo o País. Lançou recentemente as Faculdades Microlins e Faculdade Prepara, ampliando o lifelong learning dos alunos. As franquias do grupo têm baixo investimento, se comparado a outras áreas, com receita recorrente, fácil gestão e boa rentabilidade de, em média, 40%. O grupo investe constantemente em tecnologia aliada à educação e inovação, explorando o conceito de omnicanalidade e ensino individualizado.
Fonte: DFREIRE Comunicação e Negócios