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20/10/2017 às 18h48

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Um senado com a bunda de fora


Um senado com a bunda de fora

(BRASÍLIA) - Em uma sessão patética e constrangedora o Senado Federal livrou Aécio Neves de ser processado e condenado por vários crimes que vai desde corrupção, extorsão. Lavagem de dinheiro e outros tantos. Mesmo diante de todas as manobras sujas, negociatas entre partidos e estratégias tramadas na busca da salvação do mineiro sujo, o placar foi pífio a favor do acusado , que por pouco não sofreu uma derrota entre seus iguais. O país não foi surpreendido, pois todos sabemos quantos bandidos ali estão , grande parte deles na mesma situação do político mineiro.


Os votos dos iguais

Entre os 44 senadores que votaram, favoravelmente ao retorno de Aécio Neves (PSDB-MG) ao Senado, 28 são alvos de inquérito ou ação penal em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). O tucano estava afastado de seu mandato desde 26 de setembro, por imposição da Primeira Turma do STF, formada por cinco ministros. Desde então, além da suspensão, Aécio estava sob efeito de medidas cautelares como recolhimento domiciliar noturno e proibição de viajar ao exterior. Denunciado ao STF por corrupção passiva e obstrução de Justiça, o senador foi acusado de pedir e receber propina de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, delator da JBS preso por violar os termos de sua delação premiada

Entre os apoiadores de Aécio na mira do Supremo, 11 são do PMDB, partido que foi providencial na devolução do senador mineiro à atividade parlamentar. O apoio não foi à toa: também denunciado ao STF – por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça –, o presidente Michel Temer, que encara a votação de sua segunda denúncia na Câmara, empenhou-se pessoalmente na obtenção de apoio ao senador tucano, considerado essencial na manutenção do PSDB na base aliada. Nos últimos dias, Temer tem procurado tucanos como o senador Antonio Anastasia (MG), um dos principais aliados de Aécio, no sentido de impedir um eventual rompimento.

Ao todo, são pelo menos 48 os senadores com procedimentos abertos no STF, dos quais 34 estão sob investigação na Operação Lava Jato. Trata-se de um recorde, de acordo com o acompanhamento que este site faz desde março de 2004. Nunca foi tão grande o número de senadores formalmente colocados sob suspeita de terem praticado crimes. No último levantamento realizado, em abril deste ano, eram 42 os senadores investigados, o que já era um recorde na ocasião.


Os ridículos Renan e Jucá

Dois discursos me chamaram a atenção na sessão que livrou o senador Aécio Neves das graves acusações que lhe pesam. As defesas veementes, as vezes até beirando a histeria feitas por Renan Calheiros e Romero Jucá. Os dois senadores com maior número de acusações de todos os tipos de crime cometidos contra o dinheiro público. Não estavam a defender Aécio, mas cada um fazendo a sua própria defesa visando o amanhã. São os mais podres e os menos indicados para fazer qualquer defesa de independência de poderes, democracia e muito menos de ética. Os dois têm uma história de confronto permanente com a ética e de respeito ao interesse público. São chamados de marginais, não podem sair às ruas com medo da reação do povo. Renan Calheiros que envergonha os alagoanos e que certamente não deverá ser reeleito por conta de sua história política suja e Romero Jucá perderam uma boa oportunidade ao defenderem o direito de ser bandido do senador Aécio Neves.


A bronca de Maia

(BRASÍLIA) - Ninguém imagine que o clima entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia esfriou. O “Botafogo” continua com muita raiva e na intimidade promete dar o troco a alguns personagens do entorno do presidente Temer. Esta semana Maia reagiu  ao que considerou um ataque por parte da defesa do presidente. O parlamentar partiu para cima do advogado Eduardo Carnelós, que disse que a divulgação dos vídeos da delação do doleiro do PMDB, Lúcio Funaro, era um “vazamento criminoso”. Ocorre que tais vídeos estavam disponíveis no site da Câmara dos Deputados. "Não teve vazamento. Em entrevistas e notas, Rodrigo Maia se disse perplexo com a atitude do advogado e fez questão de lembrar sua atuação durante a tramitação da primeira denúncia contra o presidente Michel Temer. Maia disse que servidores da Câmara poderão tomar atitudes contra o advogado do presidente por causa da sua reação aos vídeos. Neles, Funaro relata o esquema criminoso do PMDB. Após ser divulgado que os vídeos constavam dos arquivos públicos da Câmara dos Deputados, o advogado de Temer baixou o tom das críticas e disse que não sabia que o material estava na web. Não foi suficiente para acalmar os ânimos de Rodrigo Maia, que disse que não houve vazamento e o chamou de incompetente.  “O advogado faz uma meia justificativa, o que não esclarece os fatos e o que vai obrigar - infelizmente - a que os funcionários da Câmara tomem atitudes, inclusive na justiça, porque são servidores, tem fé pública e, com a nota dele, continuam sendo desrespeitados”, disse Maia em nota.


Um Rui que assusta

Nos últimos dias os ocupantes temporários do Palácio do Governo têm demonstrado um estado de nervosismo bem acentuado. Fala-se que o governador Renan Filho nunca estava com um humor tão azedo. Dizia-me um importante assessor: “Está dando coice pra todo lado. Se já era grosso com seus auxiliares está muito pior”.  Motivo: a comprovação cada vez mais evidente de que o prefeito Rui Palmeira está a caminho de anunciar sua candidatura ao governo do estado. Segundo a mesma fonte um dos aspectos que mais incomoda e assusta Renan Filho é a comparação das histórias de vida dos dois ( e este será um tema fortíssimo durante a campanha) ai alguém completa: “ um tem história de dignidade, ética e respeito desde o avô, o pai e a sua própria história...o outro tem “folha corrida” também de pai para filho. Vai ser uma comparação para o alagoano fazer e optar.


O efeito Orloff

Com quase três dezenas de senadores no alvo de acusações diversas, deu Efeito Orloff na cabeça. Cada um dos 44 colegas que encararam os holofotes para votar pela restituição do mandato ao senador Aécio Neves pensou muito mais na possibilidade de estar amanhã em seu lugar do que na pressão da opinião pública e no desgaste inevitável que a decisão vai acarretar.

Isso quer dizer, acima de tudo, que o Parlamento brasileiro, que tantas vezes recuou em tentativas de reagir à Lava Jato ao ter suas manobras expostas pela mídia, perdeu a vergonha. A esta altura, no limite que só a necessidade de sobrevivência impõe, passou a operar claramente para salvar os seus – e dificilmente essa reação vai ficar só nisso.

A aliança que salvou Aécio no plenário azul e deverá salvar Temer no plenário verde, tendo como protagonistas o PMDB e o PSDB, deverá produzir também normas legais destinadas a aliviar as punições aos acusados da Lava Jato. Estão em xeque dispositivos do Codigo Penal que tratam da prisão preventiva e da delação premiada, sem contar a articulação dos que ainda trabalham para separar mais claramente os crimes de propina e de caixa 2. Agora, é só questão de tempo, pois eles criaram coragem. ( texto da jornalista Helena Chagas, de Os Divergentes).


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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