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08/05/2020 às 22h30

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Guilherme Palmeira, o mais digno político alagoano


“Pedro, o homem púbico não se pertence, nem os bens públicos pertencem ao homem. Faça sua história sempre com exemplos de dignidade”. (Um conselho que recebi de Guilherme Palmeira)

Nosso primeiro encontro foi no antigo restaurante Fornace, em uma sexta feira  do mês de maio de 1974.Fui apresentado a ele pelo amigo comum Manoel Cavalcanti ( Manduca). Foi uma conversa que começou no almoço e se prolongou até o fim da tarde. Uma semana depois recebo um telefonema seu, no Jornal de Alagoas, me convidando para ir com ele ao interior, queria conversar comigo. No sábado logo cedo me apanhou em casa e partimos em direção às cidades de São Miguel dos Campos e Igreja Nova, onde teria contatos políticos como candidato a deputado estadual. Na viagem me impressionou seu carisma, suas propostas para Alagoas sobre as quais conversamos e o seu modo de ver o mundo. Já de volta para Maceió me convidou para trabalhar com ele durante a campanha. Ponderei por causa do jornal, mas ele opinou que dava para conciliar. Começou ai meu ingresso no mundo político e uma amizade que duraria 46 anos. Após sua eleição para um segundo mandato foi escolhido presidente da Assembleia Legislativa e eu fui ser seu chefe de gabinete. Em sua gestão fez transformações importantes na casa, sendo a primeira delas uma reforma administrativa completa dinamizando os trabalhos e valorizando o funcionalismo, realizou seminários e debates políticos no parlamento. Trouxe figuras de expressão nacional como o jornalista Carlos Castelo branco, o deputado Alceu Collares, que viria a ser governador do Rio Grande do Sul, o também jornalista Carlos Chagas além de outras figuras de peso. 

A candidatura a governador

Incentivado pelo então governador Divaldo Suruagy e apoiado pela maioria dos deputados estaduais e lideranças políticas decidiu lançar seu nome como candidato ao governo do estado, em eleições indiretas com escolhas feitas pelo Palácio do Planalto, em plena ditadura. Concorreu com os então deputados federais Geraldo Bulhões e José Alves que se lançaram com o apoio de fortes setores de Brasília, inclusive o general Golbery do Couro e Silva, então o homem mais poderoso do governo militar. Todas as manobras foram feitas para derrotar Guilherme. Pesava contra ele o irmão comunista Vladimir Palmeira e levantaram até histórias de sua juventude e imaginem: até o fato de “gostar de beber”. Fomos para Brasília ele e eu e lá ficamos por quase dois meses em um hotel, desfazendo boatos e acompanhando de perto o final da decisão. Sem dinheiro, fomos “sustentados” pelos deputados Nelson Costa e José Tavares, além do amigo Mendes de Barros. Praticamente todos os dias ele era governador e no mesmo dia deixava de ser. Com muitos amigos na imprensa brasiliense e sob o comando do jornalista Albérico Cordeiro as notícias eram sempre favoráveis. Certo dia nos chega a noticia fatídica “Guilherme não será o escolhido”. De imediato Divaldo Suruagy, decidido ao tudo ou nada, pediu audiência com o presidente Ernesto Geisel e por ele foi recebido. O general presidente tinha muita afeição pelo governador alagoano. Eu fui levado ao médico por complicações intestinais (decorrente do nervosismo) e me restabelecia em reunião com nossa tropa. Pouco se conversava diante da expectativa. De repente toca o aguardado telefonema. Albérico Cordeiro atendeu, era Suruagy. Ficou pálido e desligou com o aspecto entristecido. Todos sem ação, quando ele se aproxima de Guilherme e berra chorando: “É você o governador, porra !”. No outro dia descemos no aeroporto dos Palmares e Guilherme recebido por uma multidão.

Uma história digna para contar

Costumo dizer que Guilherme Palmeira foi o político mais digno da história contemporânea de Alagoas e não é exagero. Foi um governador austero e montou uma equipe de jovens craques para lhe auxiliar. Bateu recordes em realizações e saiu consagrado para ser candidato a senador. Seu caminho político o levou à prefeitura de Maceió, a ocupar os mais altos cargos dentro do Senado e na direção nacional partidária e depois como ministro do Tribunal de Contas da União. Foi um grande conciliador e participou ativamente como um dos lideres da redemocratização do país. 


O homem Guilherme Palmeira 

Se existe um ser que pode usar essa palavra, principalmente um político chama-se Guilherme Palmeira. Com ele era assim: palavra dada, palavra empenhada. Admirado por seus amigos e respeitado pelos adversários (que nunca foram inimigos), vaidade zero. Os cargos que ocupou sempre foram menores do que sua integridade, o poder jamais o envaideceu. Se não gostava de algo dizia e não mandava portador. Eu o conheci profundamente, ao ponto do jornalista Arthur Gondim se referir a mim como “a sombra do Guilherme”. Tão bom que as vezes eu o achava que era um anjo enviado para fazer o bem, outras vezes tão exemplar em toda sua plenitude que se tornou meu herói , tão amigo e atencioso que virou meu irmão, as vezes pai.

Sabia que ele iria, mas ainda confiava que ele eterno. Foi-se e levou um pedaço de mim.

•O jornal inteiro não daria para contar as histórias de Guilherme  Palmeira, sua vida, trajetória, frustrações e vitórias. Deixo para contar no livro que estou já em construção – GUILHERME PALMEIRA. UM CIDADÃO. 


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Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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