Enquanto boa parte do debate econômico ainda gira em torno de grandes empresas, multinacionais e movimentos macro, a engrenagem que realmente mantém o país funcionando continua sendo a mesma de sempre: as micro e pequenas empresas.
Elas não aparecem nos grandes anúncios, não estampam capas de revistas, mas estão presentes em praticamente todas as cidades, bairros e setores. E, mais do que isso, continuam sendo as maiores responsáveis pela geração de empregos formais no Brasil.
Dados recentes do CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que aproximadamente 70% das vagas formais criadas no país em 2025 tiveram origem nas micro e pequenas empresas.
É um número expressivo, que se repete ano após ano, mesmo em cenários de juros altos, crédito restrito e aumento da carga operacional. Enquanto grandes empresas ajustam estruturas, automatizam ou congelam contratações, o pequeno negócio segue contratando porque precisa operar, atender, produzir e entregar.
Essa pesquisa deixa claro um ponto que muitas vezes passa despercebido: a economia brasileira é profundamente sustentada por negócios de menor porte. São eles que absorvem mão de obra, formam profissionais, mantêm a renda girando localmente e seguram o impacto social em momentos de desaceleração. Quando uma microempresa cresce, não cresce sozinha. Ela puxa famílias, comunidades e cadeias inteiras junto.
Esse movimento tem um efeito direto e poderoso na economia real. Cada nova vaga criada por uma micro ou pequena empresa não representa apenas um salário pago no fim do mês, mas consumo, circulação de dinheiro, fortalecimento do comércio local e arrecadação de impostos.
É o dinheiro que entra no mercado, movimenta serviços, sustenta outros pequenos negócios e cria um ciclo que mantém cidades vivas. É uma engrenagem silenciosa, mas extremamente eficiente.
Além disso, são essas empresas que mais rapidamente respondem às mudanças do mercado. Elas contratam quando surge demanda, ajustam estruturas com agilidade e conseguem gerar oportunidades mesmo quando o cenário econômico parece pouco favorável. Isso faz das micro e pequenas empresas um verdadeiro amortecedor social em períodos de incerteza, reduzindo desemprego e instabilidade econômica.
O dado do CAGED, portanto, não é apenas estatístico. Ele revela maturidade, resiliência e capacidade de adaptação. Revela que, apesar das dificuldades, o pequeno empresário brasileiro continua acreditando, investindo e apostando no crescimento. Contratar alguém é um ato de confiança no futuro. É assumir responsabilidade, risco e compromisso com o longo prazo. Poucos movimentos empresariais são tão relevantes quanto esse.
Mas exatamente por isso, esse protagonismo exige atenção redobrada. Porque gerar emprego é positivo, necessário e admirável, mas manter esse emprego exige algo que nem sempre recebe a mesma dedicação: previsibilidade financeira.
Isso porque a folha de pagamento não é uma despesa eventual. Ela é recorrente, crescente e inflexível. E quando não está ancorada em planejamento, vira uma pressão constante sobre o caixa.
O problema não está na contratação. Está na falta de gestão por trás dela. Crescer sem projeção de caixa, sem clareza de margem e sem visão de médio prazo transforma um movimento positivo em risco silencioso. A empresa até parece saudável por fora, mas internamente começa a perder fôlego.
A reflexão que deixo é um convite à maturidade empresarial: Se as micro e pequenas empresas são hoje o principal motor da geração de empregos no país, faz sentido que também avancem continuamente na forma como cuidam da própria gestão financeira.
Crescer, contratar e expandir são movimentos importantes, mas ganham muito mais força quando sustentados por planejamento, clareza e previsibilidade.
Buscar a melhoria constante na gestão não é apenas uma decisão interna, é uma contribuição direta para que esse movimento de geração de oportunidades continue levando o país ao desenvolvimento de forma sólida e sustentável.
A mudança que estamos vivendo no sistema tributário brasileiro não é apenas uma alteração de normas, mas uma reescrita completa das regras de sobrevivência para qualquer negócio: Estamos deixando para trás um modelo baseado em cinco impostos principais para abraçar o conceito do IVA Dual, que se divide entre a CBS e o IBS.
A CBS, ou Contribuição sobre Bens e Serviços, chega para unificar os tributos federais PIS e COFINS, enquanto o IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços, assume o lugar das taxas estaduais e municipais, ICMS e ISS. Essa nova tributação passa a ser explícita, padronizada, e com potencial de crédito tributário, o que pode ser ótimo para quem souber utilizar.
Nesse novo modelo, o imposto passa a ser não cumulativo, ou seja, o que você paga de imposto em uma etapa pode virar crédito para ser compensado na etapa seguinte. Na teoria, isso parece simples. Na prática, exige controle, organização e visão financeira que muitas empresas ainda não têm.
Funciona assim: a sua empresa gera débitos de imposto quando vende/emite nota fiscal e créditos de imposto quando compra insumos, contrata serviços ou paga determinados custos vinculados à atividade. No fim do período, o imposto a pagar não é o valor cheio da venda, mas a diferença entre débitos e créditos. Se essa conta não for bem controlada, o empresário perde crédito, paga mais imposto do que deveria e nem percebe.
Resumindo: você pagará o imposto sobre o que vende, mas poderá abater integralmente o imposto que foi pago pelas compras realizadas em seus fornecedores.
Essa simplificação parece positiva no papel, mas para o empresário, ela exige uma mudança de mentalidade que começa muito antes da primeira guia ser paga. O impacto para as micro e pequenas empresas é, talvez, o ponto que mais exige reflexão e cautela nesta nova fase: a forma como essas empresas se relacionam com o mercado vai mudar drasticamente.
Além disso, essa dinâmica exige que o fluxo de caixa seja monitorado em tempo real, pois juntamente com isso o governo irá implementar o chamado “split payment”. Nessa modalidade, o imposto é retido no exato momento da transação financeira, impedindo que o dinheiro do tributo passe pela mão da empresa.
Para o setor financeiro, isso representa uma revolução, pois o controle de liquidez precisará ser muito mais rigoroso e tecnológico. A precificação, por sua vez, precisará ser reconstruída do zero, pois as margens de lucro não serão calculadas da mesma maneira.
Hoje, os impostos costumam estar "embutidos" no preço. Com o novo modelo, o preço do produto ou serviço deverá ser visto de forma líquida, com o imposto sendo adicionado de forma clara e transparente. Se você não recalcular seus custos considerando a nova regra, corre o risco de ficar com um preço fora da realidade do mercado.
Além disso, o seu departamento financeiro precisa de sistemas de gestão que falem a linguagem dessa nova era e que consigam lidar com dois sistemas tributários ao mesmo tempo durante a transição.
Uma coisa é certa: se isso for tratado como “mais um imposto a pagar”, o resultado será um encaixe de custos no preço e que vai esmagar sua margem sem você perceber.
A transição para esse novo mundo não será imediata, o que nos dá um tempo precioso, mas que não pode ser desperdiçado com inércia.
· Agora em 2026, teremos o primeiro contato real com as novas alíquotas, funcionando como um período de teste com valores simbólicos de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS;
· É a partir de 2027 que a CBS assume seu papel definitivo, extinguindo de vez o PIS e a Cofins que conhecemos hoje;
· O IBS terá uma caminhada mais longa, com uma substituição gradual do ICMS e do ISS entre os anos de 2029 e 2032;
· Somente em 2033 o sistema antigo será totalmente desligado, mas quem esperar até lá para se adaptar chegará ao final da corrida sem fôlego.
Mais do que nunca, a contabilidade e o financeiro deixarão de ser apenas entregas de obrigações e execução de pagamentos para se tornar áreas estratégicas vitais. A simplicidade prometida pela reforma virá, mas o preço dessa clareza é uma adaptação profunda e um olhar atento aos detalhes operacionais.
Quem entender este movimento como oportunidade pode ganhar vantagem competitiva real. Projetar fluxo de caixa com esses tributos em mente permitirá:
· tomar decisões estratégicas antecipadas;
· ajustar preços de forma inteligente;
· reduzir custos de insumos com maior eficiência tributária;
· proteger margem mesmo em mercados competitivos;
· transformar o imposto em crédito tributário legítimo em vez de custo escondido.
Já estamos em 2026 e a nova tributação já está em vigor, na “fase de testes”. Quem trata preço como chute, imposto como detalhe e gestão financeira como algo secundário sofrerá em seus resultados.
Por outro lado, quem entender a lógica de créditos e débitos tributários, projetar o impacto no caixa e ajustar a precificação com estratégia conseguirá proteger margem e até ganhar competitividade.
Então fica a pergunta: seu FINANCEIRO já está alinhado com a CONTABILIDADE para essa nova realidade? Sugiro que seu negócio se atualize o mais rápido possível, pra não ficar pra trás – e ter prejuízos “reais”.
Janeiro começou. O calendário virou, as promessas foram renovadas e as empresas entraram naquele estado perigoso chamado “agora vai”. O caixa ainda está apertado, as pendências de dezembro continuam na mesa e o discurso clássico reaparece com força total: “Em 2026 a gente se organiza.”
Todo início de ano é igual. O dono da empresa olha para os números, respira fundo e constrói um novo roteiro mental de mudança, crescimento e controle. Mas antes de qualquer planejamento bonito, cabe uma pergunta incômoda, porém necessária: até quando você vai usar a virada do ano como desculpa para não encarar uma gestão financeira que nunca foi realmente feita?
Se você olhar com calma para os resultados financeiros do seu negócio, vai ver que 2025 foi apenas uma reprise dos anos anteriores: as vendas até avançaram, o esforço foi gigante, o desgaste foi maior ainda… e o caixa? Continuou magro. O lucro? Continuou tímido. O dinheiro? Continuou escapando pelas mãos como se tivesse vida própria.
Isso porque a realidade é dura e bem menos inspiradora: não importa quantas vezes o ano vira, os resultados continuam iguais quando a gestão continua sendo a mesma. Não é azar, não é crise, não é o mercado. Muitas vezes é só a insistência de tocar o negócio com improviso financeiro, esperando que o cliente, a próxima venda ou até mesmo Deus resolva tudo. Mas a verdade é uma só: quem cresce sem gestão, cresce sem caixa, sem lucro.
É curioso como todo início de ano os planos são otimistas: “vamos expandir”, “vamos contratar mais gente”, “vamos faturar o dobro”. A empolgação é gigantesca…, mas o controle financeiro continua minúsculo. É a clássica empresa que quer voar alto, mas não sabe nem se tem combustível para levantar do chão.
E todo ano os planos são praticamente os mesmos. E ano após ano, empresas continuam multiplicando esforço sem multiplicar caixa. Quem cresce sem resultado, cresce para fora e apodrece por dentro. É a versão corporativa de “quanto mais trabalho, menos dinheiro na conta”.
E aí surge o grande questionamento: como você quer resultados diferentes se a gestão é exatamente igual todos os anos? Como deseja prosperidade, se seu negócio vive de improviso financeiro? Como espera estabilidade, se ainda toma decisões com base em sentimento, e não em números?
Antes de pedir mudanças para 2026, vale uma reflexão madura — daquelas que tiram o sono, mas tiram também a empresa do buraco: por que as metas de 2025 não viraram realidade? Por que as boas intenções pereceram? Será que o problema foi a falta de oportunidade… ou a falta de controle? Será que agora minha empresa precisa vender mais… ou aprender a cuidar do que já ganha?
Enquanto muitos empresários sonham com crescimento, poucos têm coragem de encarar o que realmente sustenta esse crescimento: controle rigoroso, fluxo de caixa previsível, processos definidos, gestão estratégica, decisão baseada em dados e disciplina financeira.
Se você quer um 2026 diferente, precisa parar de perseguir números grandes no faturamento e começar a perseguir números saudáveis no caixa. Não adianta correr mais se você continua correndo na direção errada. Então fica aqui a provocação que vale mais do que qualquer frase motivacional de fim de ano:
· Você espera resultados novos com atitudes velhas?
· Vai continuar apostando na sorte financeira do seu negócio?
· Ou finalmente vai tratar o caixa como o centro da gestão, e não como um rascunho que sobra no fim do mês?
Se a resposta for mudança real — e não só promessa — eu posso te ajudar a transformar intenções em números concretos e lucrativos. Se 2026 precisa ser diferente, comece pela gestão, não pelo calendário.
COMO A PROJEÇÃO DE FLUXO DE CAIXA VIRA MAPA DO TESOURO PARA AUMENTAR SEU LUCRO SEM VENDER MAIS
Se você ainda está tentando “fazer a empresa dar certo” olhando só para o extrato bancário e para o faturamento do mês, sinto te dizer: você está dirigindo no escuro e torcendo para não bater.
Muita empresa que parece saudável por fora está, na verdade, caminhando para o colapso financeiro, não por falta de vendas, mas por falta de visão de futuro. E é justamente aqui que entra a tal da projeção de fluxo de caixa, que muita gente acha chata, burocrática, complicada… e que, na prática, é o mapa do tesouro que você vem procurando faz tempo.
Projeção de fluxo de caixa nada mais é do que responder, com antecedência, uma pergunta que todo empresário deveria se fazer: “Como estará o dinheiro da minha empresa nos próximos meses, se eu continuar fazendo o que faço hoje?”. Só que, em vez de responder com chute, você responde com número. Em vez de esperança, você trabalha com cenário. Em vez de rezar para dar certo, você decide para fazer dar certo. Isso muda tudo.
A maioria dos donos de negócio vive num ciclo bem perigoso: trabalha muito, fatura razoavelmente bem, chega no final do mês, paga tudo correndo, respira aliviado se sobrou algum trocado e repete a rodada no mês seguinte. Sem saber de verdade quando vai faltar dinheiro, quando vai sobrar, quando poderia investir, quando deveria segurar. É uma gestão baseada em improviso. E improviso, por melhor que você seja, tem prazo de validade.
Quando você projeta o fluxo de caixa para os próximos 12 meses, você deixa de ser passageiro do seu próprio negócio e assume o volante. O processo, apesar de parecer técnico, é muito mais lógico do que complicado. Primeiro, você olha para trás: os últimos meses mostram muito sobre o futuro. Quanto entrou, de onde veio, quais receitas se repetem todo mês, quais são sazonais, quais custos são fixos, quais variam, onde o dinheiro foi parar sem você lembrar.
Só essa análise já costuma trazer alguns tapas na cara: gastos que não fazem mais sentido, despesas emocionais, mensalidades esquecidas, contratos mal negociados. É quase uma radiografia do comportamento financeiro da empresa.
Depois, você começa a olhar para frente. Nada de “acho que vou vender mais em março”. Achismo é uma das formas mais caras de autoengano. Você trabalha com o que é provável, não com o que é mágico. Se tem contratos recorrentes, eles são sua base. Se tem vendas mais variáveis, você desenha cenários: conservador, intermediário e otimista.
E a partir disso, você organiza mês a mês quanto dinheiro deve entrar e quanto vai sair. Coloca tudo na linha do tempo: salários, impostos, fornecedores, investimentos previstos, parcelamentos, empréstimos, tudo. Cada compromisso financeiro tem dia e hora para acontecer. Não é mais surpresa, é agenda.
É nessa hora que o jogo muda. Quando você vê, por exemplo, que em março o caixa vai ficar apertado, você não espera chegar março para entrar em pânico. Você decide algo agora, ainda em dezembro, enquanto tem espaço para manobrar. Pode renegociar, pode cortar gasto, pode antecipar uma campanha, pode segurar uma compra. Quando você percebe que em agosto vai sobrar caixa, em vez de “relaxar”, você pode planejar usar isso de forma estratégica: investir em algo que traga retorno, reforçar reserva, acelerar algum projeto que travou. De repente, você percebe que o problema nunca foi “falta de dinheiro”, mas falta de organização do dinheiro ao longo do tempo.
E sabe qual é a parte mais interessante? Quando a projeção de fluxo de caixa é bem feita, muitas empresas descobrem que conseguem aumentar lucro sem precisar aumentar faturamento. Só arrumando vazamento, evitando juros, eliminando desperdício, renegociando o que está caro demais, parando de gastar onde não faz sentido e colocando o dinheiro para ser usado no momento certo. Não é vender mais, é fazer melhor com o que já entra. É como achar dinheiro que você nem sabia que estava perdendo.
Claro, projeção não é um documento estático. Ela é viva. As coisas mudam, o mercado mexe, oportunidades aparecem, problemas também. Por isso, ela precisa ser revisada, atualizada e acompanhada. E não é um “faço uma vez e esqueço”. Deve ser “faço, olho, ajusto e decido”. E é nesse movimento que ela deixa de ser planilha e vira estratégia. A partir daí, cada escolha deixa de ser um tiro no escuro e passa a ser um passo calculado.
Agora, vale algumas perguntas incômodas: hoje, você sabe como estará o caixa da sua empresa daqui a 3, 6, 12 meses? Sabe em que período do ano o dinheiro sempre aperta? Sabe quando costuma sobrar e por quê? Sabe quanto poderia estar lucrando, se ajustasse 10% dos custos e tomasse decisões com antecedência em vez de às pressas? Ou ainda está naquela gestão estilo “vamos vendo”, ou “vamos empurrando com a barriga”?
Saiba de uma coisa: você pode continuar usando o fluxo de caixa como um simples termômetro de sobrevivência, só para conferir se o próximo boleto vai passar ou não. Ou pode elevá-lo ao papel que ele realmente merece: um “mapa do tesouro inteligente”, capaz de mostrar com nitidez onde você está, para onde o seu negócio caminha e quais decisões precisam ser tomadas para chegar ao destino desejado. E o melhor: sem necessariamente depender de vender mais, e sim de decidir melhor.
Se você sente que a sua empresa trabalha demais e entrega de menos no financeiro, provavelmente não é falta de esforço, é falta de projeção. E se a sua intenção é sair do modo “apagar incêndio” e passar a enxergar os próximos 12 meses com clareza, previsibilidade e foco em lucro, a projeção do fluxo de caixa deve deixar de ser um detalhe técnico e passar a ser uma ferramenta estratégica.
Não trate seu fluxo de caixa como uma mera planilha. Ele pode ser só mais um arquivo esquecido na pasta… ou pode te levar para resultados surpreendentes, quando você passar a usá-la para prever, decidir e agir antes que os problemas apareçam
Você viu o caso do Grupo Mateus? Um “ajuste contábil” de R$ 1,1 bilhão que fez as ações despencarem e todo mundo se perguntar como uma empresa gigantesca simplesmente não percebeu (ou não quis perceber), por ANOS, que os estoques estavam supervalorizados. ANOS. Não foi uma notinha de R$ 200 que ficou sobrando no caixa. Foi mais de um bilhão de reais que simplesmente “não batia”.
E antes que você pense “ah, mas isso é empresa grande, não tem nada a ver comigo”, deixa eu te contar uma coisa que talvez doa um pouco: tudo o que derrubou a gigante Mix Mateus é exatamente o que vem derrubando micro e pequenas empresas — só que numa escala menor, silenciosa e muitas vezes invisível. Invisível até o dia em que a conta chega. E ela sempre chega.
O erro deles? Controle fraco, processos bagunçados, custo errado, estoque inflado, registro feito no chute e gente registrando “calabresa” no sistema pra mascarar produto caro. O seu erro? Talvez não seja a calabresa… mas é o serviço mal precificado. É o custo direto que você nunca calculou direito. É o “depois eu vejo”. É o “acho que tá certo”. É a confiança cega em um financeiro que nunca foi estruturado de verdade.
Imagina aí: o Mix Mateus ficou até DOIS ANOS sem inventário físico em algumas unidades. Dois anos sem conferir o que realmente tinha. Agora seja sincero: quando foi a última vez que você conferiu suas despesas fixas? Seus custos diretos? Sua margem real? Quando foi a última vez que você revisou precificação? Quando foi a última vez que você olhou para o financeiro além de ver “quanto caiu hoje na conta”?
Negócio pequeno não quebra porque falta cliente. Negócio pequeno quebra porque falta GESTÃO. Porque sobra bagunça. Porque o dono acha que controla tudo “da cabeça”. Porque vive apagando incêndio e nunca faz prevenção. Porque confia no que sente, e não no que é.
Você sabe quanto da sua receita vai embora em custos variáveis? E de despesa fixa? Quanto DEVERIA sobrar de lucro? Ou você só olha o extrato bancário no final do mês, vê que não sobrou nada, suspira e pensa "mês que vem vai ser melhor"? E aquele fornecedor que você atrasou esse mês? Aquela conta que você parcelou no cartão pessoal porque a empresa não tinha caixa? Aquele salário que você deixou de tirar pra pagar a folha dos funcionários?
Tudo isso é sintoma. O problema de verdade tá lá atrás, na ausência de gestão financeira de verdade. E aqui vai a parte que ninguém te conta: 90% das empresas de serviços que atendo estão precificando errado. Não é exagero. É dado real.
Elas olham pro concorrente, dão uma ajustada pra cima ou pra baixo, e pronto. Definiram o preço. sem calcular custo real, sem considerar impostos direito, sem saber o ponto de equilíbrio, sem entender margem de contribuição.
E aí você pensa: “deve ser porque eu preciso faturar mais”. Mas sabe de uma coisa? Você só precisa parar de supervalorizar seu próprio “estoque invisível”: o que você acha que sua empresa ganha, o que você acha que sobra, o que você acha que custa.
A verdade é simples: empresas grandes caem por falhas de controle; empresas pequenas caem pelas mesmas falhas — só que acreditando que é “normal”, que é “assim mesmo”, que “um dia melhora”.
Mas não melhora. Só melhora quando você coloca inteligência financeira no jogo. Quando você para de operar no escuro. Quando você decide que não vai mais aceitar ver dinheiro entrar e não ver um centavo sobrar. Quando você resolve que vai ter caixa, lucro e previsibilidade.
E olha, eu sei o que você tá pensando: "Ah, mas gestão financeira é coisa chata, é planilha, é número, eu não entendo disso não, eu sou bom é em vender/atender cliente/entregar serviço." Perfeito. Mas se você não entende os números do seu negócio, você não tem um negócio. Você tem um hobby caro que te paga mal.
Então deixa eu te perguntar algo que talvez te incomode um pouco, mas é importante: Quanto você já perdeu por não saber onde o dinheiro tá indo? Quanto você vai perder nos próximos 12 meses se continuar do jeito que tá?
A diferença entre você e o Grupo Mateus é que ninguém vai noticiar o seu prejuízo. Não vai ter manchete. Não vai ter CVM investigando. Mas o estrago no seu negócio, na sua vida, na sua família, no seu sono, no seu futuro... esse é tão real quanto.
A boa notícia? Ainda dá tempo de consertar. O dinheiro tá aí, circulando no seu negócio. Só precisa de alguém que saiba fazer ele parar de vazar e começar a sobrar.
Fica a reflexão.
Vamos falar sério? Se o seu controle financeiro ainda vive dentro de uma planilha com vinte abas, cores aleatórias e fórmulas que só você entende, parabéns: você criou um monstro. Um monstro disfarçado de “organização”, que parece te ajudar, mas na prática só serve pra esconder o caos que você mesmo alimenta. E não adianta fazer cara de ofendido — você sabe que é verdade.
Durante muito tempo, o Excel foi o melhor amigo do empreendedor. Era o símbolo da organização. Bastava abrir uma planilha, colocar uns números, umas cores, e pronto — parecia que tudo estava sob controle. Parecia. Porque o controle era só uma ilusão. Bastava um esquecimento, uma fórmula quebrada, um pagamento que ficou de fora, pra toda aquela “organização” virar uma bagunça completa. E o pior: você só descobre quando o dinheiro some.
Muitos empresários ainda acreditam que a planilha é o coração do controle financeiro. Mas não é. O fluxo de caixa é o verdadeiro coração do negócio — o que mostra se ele ainda tá batendo ou se já tá pedindo socorro. Só que o problema é que muita gente trata esse coração como um arquivo. E aí o resultado é previsível: falta de visão, decisões erradas e o velho ciclo de apagar incêndio.
Você já viveu isso? O mês mal começou e já tem boleto, fornecedor, imposto, salário, cartão... e o saldo bancário mal cobre o básico. E você pensa: “Mas as vendas estão boas, o faturamento tá crescendo...”. Então por que o dinheiro não aparece? Simples: porque você não tem gestão, tem uma planilha. E planilha não pensa. Não alerta. Não te dá cenário. Ela só mostra o que você digita — quando você lembra de digitar.
Chega uma hora em que o negócio cresce e a planilha encolhe. E você continua insistindo nela, como se fosse uma prova de competência. É como tentar controlar uma empresa de cem mil por mês com o mesmo caderno que usava quando faturava cinco mil. Não faz sentido. A conta não fecha. E o problema não é o Excel — é você achar que ele é suficiente.
Hoje existem sistemas simples, baratos e automáticos que fazem tudo o que você tenta fazer manualmente. Eles puxam dados do banco, geram relatórios, mostram projeções, avisam quando o caixa vai estourar, e ainda ajudam a planejar o futuro. Mas, claro, você prefere continuar “fazendo do seu jeito”. Porque “sempre deu certo assim”. Até o dia em que não der mais.
E aí vem o discurso: “O problema é que o mercado tá difícil”, “os clientes não pagam”, “os custos subiram”. Pode até ser. Mas, sinceramente? O maior risco não tá fora, tá dentro. É o hábito de empurrar a gestão com a barriga, de não olhar pro caixa com seriedade, de acreditar que “tá tudo certo” só porque a planilha existe. É o autoengano disfarçado de controle.
O fluxo de caixa é o sangue do seu negócio. Ele mostra se sua empresa tá saudável ou prestes a desmaiar. Só que, se você continua tratando ele como um papel ou um arquivo qualquer, vai continuar sentindo falta do que todo empresário mais teme perder: liquidez. E liquidez é vida.
Você pode até continuar acreditando que a planilha é sua aliada, mas no fundo, ela só te mantém preso a uma falsa sensação de controle. E quanto mais o negócio cresce, mais ela se torna o gargalo que impede o próximo passo. Então talvez esteja na hora de encarar a verdade: o problema não é o Excel. É você se recusar a evoluir junto com o seu negócio.
E enquanto você continuar tratando o fluxo de caixa como um arquivo qualquer, vai continuar sentindo falta daquilo que todo empresário mais teme perder — liquidez.
Porque no fim das contas, empresa que vive de planilha vive de sorte. E sorte, convenhamos, nunca foi estratégia.
E seu negócio ainda está preso ao Excel? Quantas decisões importantes da sua empresa estão sendo tomadas com base em planilhas desatualizadas? Até quando vai deixar que o improviso dite as regras do seu financeiro? Se quiser descobrir como transformar números em estratégia e construir uma gestão realmente sólida, estou à disposição.
Muitos empresários acham que o coração da empresa é o faturamento. Que o segredo está em vender, vender e vender. E aí, quando o caixa começa a secar, vem o desespero: “mas estamos vendendo bem, por que o dinheiro sumiu?”. Pois é. Vender muito nunca foi sinônimo de ter dinheiro em caixa — e é aí que a maioria começa a sangrar sem perceber.
O fluxo de caixa é o sangue da sua empresa. É o que mantém o negócio vivo, irrigando cada despesa, pagamento, salário e investimento. Sem ele, não adianta ter um ótimo produto, um marketing impecável ou um time motivado. Uma empresa pode até estar cheia de clientes e ainda assim sofrer com a falta de caixa, porque não tem liquidez — aquele dinheiro disponível pra pagar as contas de hoje enquanto o que foi vendido ainda não entrou.
Você já sentiu aquele frio na barriga quando olha o extrato e percebe que não tem saldo pra cobrir a folha, mas ainda falta uma semana pra entrar o pagamento dos clientes? É uma sensação estranha de “tô vendendo, mas tô quebrado”, não é?
Daí em diante começam os perrengues: Primeiro, você deixa de separar o pró-labore porque “esse mês tá apertado”. Depois, atrasa um fornecedor e promete compensar na próxima semana. Logo, começa a usar o limite da conta ou o cartão empresarial pra tapar buracos. E quando percebe, já está rodando em círculo, pagando juros, renegociando, e tentando “ganhar tempo”. Mas tempo é exatamente o que o caixa não te dá.
Isso é o reflexo de um fluxo de caixa doente. É como se sua empresa tivesse o corpo crescendo, mas o coração não desse conta de bombear sangue suficiente pra todos os órgãos.
O problema é que muita gente encara o fluxo de caixa como uma planilha chata, uma burocracia do financeiro. Sempre rola um “depois eu vejo isso”. E quando percebem, já estão tomando empréstimo pra pagar fornecedor, empurrando imposto, atrasando pró-labore e rezando pra fechar o mês no positivo. A falta de clareza sobre o fluxo de caixa é o que transforma pequenas empresas promissoras em negócios sufocados por dívidas, atrasos e ansiedade.
Agora me responda uma coisa: Quantas vezes você já tomou decisão olhando só o extrato bancário? Se o saldo está positivo, acha que está tudo bem; se está negativo, então está ruim. Não é isso que acontece?
Mas essa é a pior forma de tomar decisão. Isso é o mesmo que dirigir olhando só pro retrovisor. Pois o extrato mostra o passado, o que já aconteceu. É totalmente diferente de analisar o fluxo de caixa.
Fluxo de caixa não é só registrar entrada e saída. É entender o ritmo financeiro do seu negócio, o pulso. Saber quando o dinheiro entra, quando sai e, principalmente, quando ele vai faltar. É planejar pra não ser pego de surpresa, pra ter fôlego quando o mês aperta. Porque ele sempre aperta. E é nessa hora que quem tem previsibilidade dorme tranquilo — e quem vive no escuro passa a noite acordado fazendo conta.
Sabe o que é mais curioso? Quando o empresário começa a controlar o fluxo de caixa, ele percebe que o problema nunca foi “falta de dinheiro”, mas sim falta de clareza. O dinheiro estava lá, só estava mal distribuído, mal planejado ou mal-entendido. E o pior: muitas vezes estava sendo sugado por pequenos vazamentos que pareciam inofensivos — aquele gasto “temporário”, aquele fornecedor que ficou caro, aquele cliente que sempre atrasa, aquele desconto que virou rotina.
Você pode até crescer sem controle, mas vai crescer com medo. Medo de não conseguir pagar, medo de se enrolar, medo de quebrar. E medo consome energia, tira o foco e impede decisões estratégicas. O fluxo de caixa é o que transforma o medo em direção. Ele te mostra exatamente onde você está e o que precisa fazer pra chegar onde quer.
Então, antes de culpar o mercado, o governo, a concorrência ou a “falta de vendas”, olha pro seu caixa. Se ele está fraco, sua empresa está anêmica. Se ele para, acabou. É simples assim: quem não controla o caixa, está brincando de empresa. E quem controla, constrói futuro.
Você pode até não gostar de lidar com números, mas precisa entender o fluxo de caixa do seu negócio. Porque, no fim das contas, é ele que decide se a sua empresa vai crescer, sobreviver... ou sangrar até morrer.
Então, pare um momento e pense: Você sabe quanto dinheiro sua empresa realmente tem em caixa hoje? Sabe quanto vai sobrar no fim do mês? E quanto vai gerar nos próximos 3 meses? Ou não sabe nada disso e está apenas torcendo pra dar certo?
Se a resposta for “estou torcendo”, então o caixa já está te avisando — e bem alto: ou você assume o controle agora, ou ele vai te ensinar do jeito mais caro possível.
Quando vender mais vira um problema; O erro financeiro que todo empresário ignora
Crescimento é o objetivo natural de qualquer empresa. Ver o faturamento subir, conquistar novos clientes e ganhar visibilidade no mercado são sinais de que o negócio está no caminho certo.
Mas, em determinado ponto, o sucesso pode se tornar o próprio inimigo — especialmente quando o crescimento vem mais rápido do que a estrutura financeira consegue acompanhar: o crescimento pode ser o início da crise se a gestão financeira não acompanhar o ritmo.
É comum ouvir empresários dizendo: “Estamos vendendo como nunca, mas o caixa não fecha.”
Esse é o primeiro sinal do erro financeiro mais comum nas pequenas empresas que crescem rápido demais: confundir aumento de faturamento com aumento de lucro.
Quando vender mais vira um problema
Imagine
uma escola de idiomas que dobra o número de alunos em seis meses.
Para atender à nova demanda, ela contrata professores, aluga salas extras e
investe em marketing.
As
matrículas disparam — mas as mensalidades demoram a entrar.
Enquanto isso, os custos fixos já subiram.
O resultado?
O caixa fica negativo, mesmo com o faturamento nas alturas. Esse é o retrato do crescimento desorganizado: o negócio cresce na operação, mas não cresce em gestão.
Sem uma estrutura financeira sólida — com planejamento de fluxo de caixa, controle de prazos e análise de custos —, o empresário perde visibilidade sobre o próprio dinheiro.
É como dirigir um carro a 150 km/h com o painel apagado.
Crescimento sem gestão é ilusão
O problema não está no crescimento em si, mas na falta de previsibilidade. Cada nova venda traz novos compromissos financeiros: mais fornecedores, mais salários, mais despesas recorrentes.
E se o controle de caixa não estiver preparado, o dono vive apagando incêndios.
O pior é que, na correria, muitos passam a tomar decisões “de momento”:
· Pagam o que está mais urgente.
· Atrasam fornecedores “menores”.
· Esquecem de separar o pró-labore.
E acham que o problema é “falta de dinheiro”. Mas, na verdade, o problema é falta de gestão.
Crescimento vs. Expansão: entender a diferença é o ponto de virada
Muitos empresários confundem os dois conceitos. Crescer é aumentar a rentabilidade e melhorar a eficiência da operação. Expandir é aumentar o tamanho da empresa, contratando mais, abrindo filiais, comprando equipamentos.
Uma empresa só deve expandir depois de crescer com consistência — ou seja, quando o lucro e o caixa estão saudáveis. Sem isso, cada passo à frente pode virar um tombo financeiro.
Antes de expandir, o empresário precisa olhar para indicadores simples, mas essenciais:
· Margem de lucro líquido mensal.
· Geração de caixa acumulada.
· Ponto de equilíbrio operacional.
· Índice de inadimplência.
Esses números mostram se a empresa está pronta para sustentar o próprio crescimento.
Como evitar o erro mais comum
A prevenção começa com organização financeira. Três pilares ajudam a equilibrar o crescimento com segurança:
1. Controle de caixa real e projetado: saber quanto dinheiro entra, sai e vai entrar nos próximos 90 dias.
2. Plano de contas gerencial: separar entradas e saídas por categoria para entender de onde vem e para onde vai o dinheiro.
3. Revisão periódica de custos e precificação: garantir que o aumento de demanda não esteja corroendo a margem de lucro.
Com isso, o empresário deixa de “ver o financeiro como controle” e passa a usá-lo como ferramenta de decisão.
Agora reflita: o crescimento da sua empresa está se traduzindo em mais dinheiro no caixa e lucro real, ou você está apenas movimentando mais, sem ver o resultado esperado no final do mês?
Lembre-se: crescimento verdadeiro não é sinônimo de vender mais. É sobre extrair mais valor do que você já vende, com previsibilidade, clareza e uma estrutura sólida.
Até breve...
Nos últimos meses você deve ter notado: fornecedores subindo preços, clientes demorando para fechar, impostos aumentando, crédito sumindo… parece que a corda sempre arrebenta do lado do empreendedor, não é? Pois saiba que essa é a realidade de milhares de micro e pequenos empreendedores no Brasil — e não é de hoje.
O problema é que, diante desse cenário, a maioria dos donos de negócio entra em “modo pânico”. Cortam investimentos importantes, atrasam fornecedores, perdem noites de sono. Mas existe um caminho diferente. Um caminho que não é baseado em sorte nem em “reza brava”, mas em gestão. E é isso que vamos conversar agora.
Respira fundo. A ideia aqui não é te dar uma aula chata, mas abrir os olhos para um jeito mais inteligente de conduzir seu negócio quando tudo parece conspirar contra.
Gestão Financeira Anticíclica: o nome complicado para uma ideia simples
Você já reparou como algumas empresas parecem “imunes” às crises? Enquanto uns fecham as portas, outros anunciam expansão. Enquanto uns cortam equipe, outros contratam.
Foi exatamente isso que vimos na pandemia: muitos negócios não estavam preparados, não tinham caixa, não tinham visão de futuro — e acabaram fechando. Ao mesmo tempo, outros empresários conseguiram se reinventar, ajustar seus processos e até aproveitar oportunidades que surgiram. Não foi sorte, foi preparo.
Parece mágica, mas não é. Isso se chama Gestão Financeira Anticíclica. Esse termo chique nada mais é do que preparar seu negócio para agir de forma inteligente quando o mercado está turbulento. Em vez de “andar no escuro”, você acende a luz e enxerga o que precisa fazer. Você cria margem de manobra para decidir e deixa de ser refém do mercado.
Isso envolve três coisas simples, mas poderosas:
1. Conhecer profundamente seus números;
2. Revisar processos antes de cortar custos;
3. Ter uma reserva estratégica para investir quando todos estão paralisados.
Quando você domina esses três pilares, o medo dá lugar à clareza. E clareza é poder. Então vamos analisar cada um deles
Muita gente acha que conhece os números da própria empresa, mas no fundo só olha o básico: faturamento e saldo na conta. É como dirigir um carro só olhando o marcador de combustível. Você até anda, mas não faz ideia da velocidade, da temperatura do motor, do óleo, da pressão dos pneus… qualquer descuido pode parar tudo.
Conhecer profundamente os números é ter consciência real do que tá acontecendo no negócio. É saber qual é a margem de lucro de cada serviço ou produto, qual é o ponto de equilíbrio mensal, quanto custa manter a operação de pé, onde o dinheiro realmente entra e onde ele tá sendo drenado.
E por que isso é tão importante? Porque sem essa clareza, você toma decisões no escuro. Aí vem a pergunta que dói: você tá comandando o negócio de forma estratégica ou só reagindo ao que aparece? Se a resposta for a segunda, cuidado. O “achismo” pode até segurar por um tempo, mas cedo ou tarde ele cobra caro. Quem domina os números, domina o futuro do negócio.
Na hora do aperto, o instinto natural do empresário é sair cortando tudo. Tira daqui, enxuga dali, cancela um monte de coisa e pronto: o problema parece resolvido. Mas a verdade é que isso é só um alívio temporário e muitas vezes destrutivo. Cortar custos sem critério pode comprometer a qualidade, desmotivar a equipe e até afastar clientes.
A saída inteligente é diferente: é olhar os processos de perto antes de meter a tesoura. Perguntar: “Será que estamos fazendo isso da forma mais eficiente?” “Será que existe um jeito mais simples, mais rápido, mais barato de entregar o mesmo resultado?”
E aqui vem a provocação: quantas vezes você parou pra questionar a forma como sua empresa faz as coisas? Se a resposta for “quase nunca”, pode ter certeza de que há dinheiro escorrendo pelos dedos sem você perceber. Às vezes, não é sobre gastar menos, e sim sobre gastar do jeito certo. Quando você revisa processos, você elimina desperdícios invisíveis, ganha eficiência e consegue cortar custos sem cortar valor.
Agora vamos falar de um ponto que separa os sobreviventes dos que crescem: a reserva estratégica. E não estou falando aqui de guardar dinheiro por guardar. Estou falando de construir um colchão financeiro que te dá tranquilidade e, ao mesmo tempo, poder de decisão.
Essa reserva funciona como um escudo e como uma arma. Escudo, porque te protege quando os imprevistos aparecem: atraso de cliente, aumento de fornecedor, queda nas vendas. Você não entra em desespero, porque tem fôlego pra aguentar. Mas também é uma arma, porque te dá a chance de aproveitar as oportunidades que surgem justamente quando todo mundo tá paralisado.
E a história mostra: é nos momentos de crise que aparecem as melhores chances. Fornecedores mais abertos a negociar, concorrentes enfraquecidos, talentos disponíveis no mercado. Quem tem reserva consegue avançar. Quem não tem, só sobrevive.
Então me responde sinceramente: se amanhã surgisse uma oportunidade única pra sua empresa crescer, você teria caixa pra agir ou ficaria de mãos atadas? Essa resposta pode dizer muito sobre o futuro do seu negócio.
Crises não definem empresas, revelam quem está preparado
No fim das contas não é sobre números frios, planilhas complicadas ou termos técnicos. É sobre sobrevivência e liberdade. É sobre ter controle do seu próprio negócio, em vez de ser controlado pelas crises, pelo banco ou pelos fornecedores.
E o que mais assusta é perceber quantos empreendedores ainda tocam suas empresas no “piloto automático”, sem clareza, sem reserva, sem margem de manobra.
E aqui deixo uma reflexão: Você está construindo um negócio preparado para o futuro ou apenas tentando apagar incêndio todo mês, se apoiando no “achismo” e na intuição?
Porque crises sempre vão existir. Pandemias, inflação, juros altos, concorrência mais agressiva… cada ano traz um novo desafio. A questão é: você vai esperar ser engolido por eles ou vai se preparar para atravessá-los de cabeça erguida?
A boa notícia é que nunca é tarde pra começar. Mas cada dia que você adia, mais dinheiro escorre pelos dedos e mais refém do mercado você se torna.
Então, se ficou alguma coisa desse artigo, que seja isso: em tempos de crise, não é a turbulência que define o destino de uma empresa, mas sim o quanto ela estava preparada para enfrentá-la.
De acordo com uma pesquisa recente do Sebrae, o Brasil viveu um verdadeiro boom de empreendedorismo no primeiro semestre de 2025. Em apenas seis meses, foram abertas 2,6 milhões de novas empresas de pequeno porte, o que representa um aumento de 23% em relação ao mesmo período de 2024. É o maior número já registrado na série histórica.
Esse dado, por si só, já é impressionante. Mas ele fica ainda mais relevante quando paramos para pensar que não estamos falando de grandes corporações com capital bilionário. Estamos falando de pessoas comuns, como eu e você, que decidiram dar um passo rumo ao próprio negócio. Gente que resolveu sair da informalidade, que não quis mais depender apenas de um emprego formal ou que, simplesmente, enxergou uma oportunidade e não deixou passar.
O rosto por trás dos números
A pesquisa mostra que os MEIs (Microempreendedores Individuais) lideraram esse crescimento. Sozinhos, eles foram responsáveis por quase 77% de todas as novas empresas abertas. Ou seja, a cada 10 negócios que surgiram neste ano, 7 nasceram na forma de MEI.
Com isso, podemos observar duas leituras muito interessantes. A primeira é a formalização do que já existia: Muita gente que já trabalhava por conta própria, prestando serviços, vendendo produtos ou mesmo atuando em atividades pontuais, resolveu se regularizar. Emitir nota fiscal, contribuir para a previdência, ter um CNPJ. Tudo isso dá mais segurança e abre portas para atender empresas maiores e acessar crédito.
A segunda leitura é que cada vez mais brasileiros estão escolhendo o empreendedorismo como saída para a geração de renda. Em um mercado de trabalho que, apesar da melhora nos números nesses últimos meses, ainda apresenta altos e baixos, abrir um pequeno negócio se torna uma alternativa concreta, uma forma de ganhar autonomia e assumir o controle do próprio futuro.
O mapa do empreendedorismo brasileiro
Os dados do Sebrae apontam que o setor de serviços continua sendo o grande campeão. E não é difícil entender o motivo. Em muitas atividades, basta conhecimento, tempo e força de vontade para começar. Um designer gráfico, um personal trainer, um consultor, um cabeleireiro… todos podem iniciar praticamente sem grandes investimentos em estrutura física.
O comércio tem se beneficiado tanto da retomada do consumo em lojas de bairro quanto do crescimento do e-commerce, que hoje já faz parte do dia a dia do consumidor brasileiro.
Outro ponto que chama atenção no levantamento é a geografia desse crescimento. Não surpreende que a maior parte das novas empresas esteja concentrada no Sudeste, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Afinal, essa é a região mais populosa e com maior concentração de atividades econômicas do país.
O que surpreende é o desempenho acima da média nacional em estados do Nordeste e do Norte, como Ceará, Piauí e Amazonas. Isso indica que o empreendedorismo está se espalhando, deixando de ser exclusividade dos grandes centros e se tornando uma alternativa real em diferentes cantos do Brasil. Para regiões historicamente menos industrializadas, essa é uma excelente notícia, pois mostra que a economia local pode ganhar fôlego a partir do dinamismo dos pequenos negócios.
O que tudo isso significa para você?
Pode parecer apenas um dado de pesquisa, mas essa onda de novos CNPJs carrega um recado importante. Os micro e pequenos negócios já são responsáveis por mais de 30% do PIB brasileiro e por 70% dos empregos formais. Quando 2,6 milhões de pessoas decidem empreender em apenas seis meses, isso nos mostra que há uma mudança de mentalidade em curso.
Muitos estão cansados de depender do “emprego dos sonhos” que nunca chega. Outros resolveram transformar um talento ou hobby em fonte de renda. Alguns começaram pequenos, sozinhos, e já pensam em contratar alguém para ajudar. O ponto é: cada uma dessas histórias tem em comum a decisão de agir, de não esperar as condições perfeitas, mas de aproveitar o que se tem agora para dar o primeiro passo.
E aqui entra a reflexão que eu quero provocar em você: onde você entra nessa estatística? Você vai continuar assistindo de fora enquanto milhões de pessoas estão construindo negócios do zero, ou vai decidir que chegou a sua vez de tentar?
Sempre que leio pesquisas como essa do Sebrae, fico com a sensação de que existem dois tipos de pessoas. O primeiro grupo é aquele que pensa: “Se todo mundo está abrindo negócio, é sinal de que o mercado está saturado, não tem espaço pra mim.” O segundo grupo, por outro lado, olha para os mesmos números e pensa: “Se milhões estão entrando, é porque oportunidades existem, e eu só preciso descobrir qual é a minha.”
A grande diferença entre esses dois grupos não está no cenário econômico, nem nos recursos financeiros. Está na mentalidade.
A questão é: em qual grupo você vai estar?
Referências das Pesquisas
Negócios & Economia
por Antonio Siqueira
Antonio Siqueira é alagoano, natural de Água Branca. Graduado em Administração de Empresas (UNIT) com especialização em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria, possui formação técnica em Gestão da Qualidade e em Gestão de Ativos e Investimentos para Empreendedores.
Atuando com gestão financeira há mais de10 anos, seu objetivo como Consultor é elevar os resultados financeiros a um patamar de excelência para empresas que buscam não apenas sobreviver, mas prosperar em ambientes desafiadores.