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A POLÍTICA E A CIDADANIA

22.08.2012 às 11:42

*Jorge Vieira - Jornalista

 
Para os gregos, a Política é a arte de construção da cidadania, onde possibilita a participação da população em defesa do bem comum e da construção de uma sociedade que tem como base a Justiça entre os seus membros. Na mesma linha de pensamento, o filósofo Aristóteles afirma que o ser humano é um animal política por excelência.
 
Ao longo da história das sociedades, a humanidade foi criando suas formas de organização social e política, a exemplo do comunismo dos povos tradicionais, onde não existe a categoria da propriedade privada. Em outras sociedades foi criado o modelo escravista, com base construída na relação senhor e escravo, onde os bens são apropriados por uma minoria, em detrimento da maioria. O filósofo Jean Jacques Rousseau escreveu que é aí onde está a origem de todos os males da sociedade.
 
A apropriação e dominação foram se reformulando, chegando à forma de organização moderna, onde a acumulação do capital torna-se cada vem centralizada nas mãos de poucos e, consequentemente, gerando a exclusão da maioria da população dos bens produzidos socialmente.
 
Lutar pela distribuição da riqueza é uma tarefa da participação direta na política e uma questão de cidadania, na medida em que os homens e mulheres se realizam como sujeitos na sociedade, dirigindo, propondo e fiscalizando os recursos públicos. As sociedades modernas construíram formas democráticas, onde através do são eleitos (as) representantes em níveis municipal, estadual e federal para administrar os destinos da sociedade.
 
Em Alagoas, a participação da população ainda encontra-se limitado ao período eleitoral que ocorre a cada dois anos. Por isso incentivar a transparência e a fiscalização, é uma tarefa relevante para os destinos de uma comunidade e de um povo.
Durante o mandato, pode-se identificar na ação parlamentar um instrumento de apoio às reivindicações da população. A ética na política deve embasar-se no combate à corrupção e no compromisso com a defesa da sociedade, priorizando a participação popular e o controle social na administração pública.
 
Em nível de resultado imediato para a população, deve ser um canal para aprovar leis e emendas de interesse da maioria, participar de fóruns e defender os direitos comunitários, associações, movimento social e sindical, a exemplo da agricultura familiar, povos indígenas, afrodescendentes, gênero e igrejas.
 
Por isso, seja em nível pessoal ou do poder público, Judiciário, Executivo e Legislativo, a ação e orienta devem ter seu embasamento na ética e estar voltada para a construção da justiça e da cidadania.
Postado por Painel Opinativo

O fim do estelionato eleitoral

18.08.2012 às 10:50

*Thelma de Oliveira

Presidente Nacional do PSDB Mulher
 
A máscara caiu! Depois de atrasar a vida do país por mais de dez anos, o PT finalmente entendeu que, no caso brasileiro, é necessária a participação da iniciativa privada em setores básicos de infraestrutura, diante da carência de recursos do Estado para realizar pesados investimentos da ordem de bilhões de reais.
 
O governo petista da presidente Dilma Rousseff lançou, nesta semana, um programa de investimentos da ordem de R$ 113 bilhões calcado nos recursos do empresariado para rodovias e ferrovias, privatizando esses dois setores que estão deteriorados, em consequência dos equívocos dos 10 anos do PT no governo federal.
 
A radical mudança de postura mostra que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seus governos estava certo ao abrir à participação da iniciativa privada setores fundamentais da economia brasileira, como foi o caso emblemático da telefonia.
 
Hoje, o Brasil tem mais de 256 milhões de celulares ativos, um marco mundial. Com o processo de privatização da telefonia, milhões de pessoas puderam ter acesso a uma linha telefônica e com ela realizar seus negócios, lutar pelo seu trabalho.
 
Nos dias de hoje a paisagem urbana e rural do país é recheada de anúncios de oferta de serviços em que a única referência é o número do celular da cabeleireira, da manicure ou do encanador. E isso só é realidade porque Fernando Henrique teve a coragem de fazer o que fez.
 
Mesmo assim, a presidente petista tenta “mascarar” o que estão fazendo, talvez envergonhada pelo verdadeiro estelionato eleitoral que cometeu contra o povo brasileiro e o que fez na campanha presidencial contra o candidato do PSDB, Jose Serra, como o seu antecessor já fizera nas duas eleições presidenciais anteriores.
 
Envergonhada porque em sua campanha mentiu para população ao dizer que não faria o que está fazendo. Começou com a privatização de três aeroportos e seguirá agora nas rodovias, ferrovias para, posteriormente, chegar aos portos e hidrovias e os demais aeroportos.
 
Processo de privatização que será apoiado com recursos públicos oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que poderá financiar até 80% dos projetos – outro modelo copiado do governo do PSDB.
 
A crise econômica internacional, o “Pibinho” desmoralizador e o fracasso do PAC como instrumento de alavancagem da economia forçaram a presidente petista a rever suas “crenças”. Ainda lhe falta a humildade de reconhecer que o modelo é copiado daqueles realizados nos governos de Fernando Henrique Cardoso.
 
Ao invés de tentar continuar enganando o povo, com “falsas questões”, a presidente petista deveria, na verdade, pedir desculpas ao povo brasileiro – em seu nome e do seu partido – pelo atraso que o seu governo e o do seu antecessor impôs ao país no setor de infraestrutura por uma absurda teimosia. Teimosia, aliás, que levou o PT a expulsar alguns parlamentares do seu partido que apoiaram as medidas modernizadoras de Fernando Henrique.
 
Quantos milhões de empregos foram perdidos porque o Brasil até hoje não dispõe de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias à altura de sua capacidade produtiva?
 
Quantos bilhões de dólares o país deixou de ganhar com mais exportação, se os problemas desses segmentos estivessem adequadamente solucionados, com investimentos públicos e, principalmente, privados?
 
Mas, agora, caiu a máscara. Terminou a possibilidade de novos estelionatos eleitorais nas eleições presidenciais e estaduais.
 
Não foi por acaso que, no mesmo momento lançamento do programa de privatização do governo Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, milhares de servidores públicos em greve protestaram contra o governo petista, reivindicando melhores salários.
 
É simbólico que, no fim da solenidade, a presidente petista tivesse que sair pelas portas do fundo do Palácio do Planalto para não enfrentar a ira dos servidores federais em greve, eles também enganados nas campanhas eleitorais do PT.
 
É o começo do fim do estelionato eleitoral!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Postado por Painel Opinativo

A igreja católica e a sociedade brasileira

08.08.2012 às 20:24

*Jorge Vieira - Jornalista

 
A Arquidiocese de Maceió, em conjunto as dioceses de Palmeira dos Índios e penedo, lança Cartilha de educação política para orientar os membros das comunidades católicas e da sociedade alagoana sobre a importância do voto nas eleições de 2012, em Sessão Especial proposta pelo deputado Judson Cabral. A solenidade ocorreu no Plenário da Assembleia Legislativa, no dia 09, às 10h, com a participação de autoridades dos poderes constituídos e da sociedade.
 
 A história do povo brasileiro é marcada profundamente pela ação missionária da Igreja Católica. Desde a chegada dos primeiros europeus, destaca-se a sua presença em nos momentos mais importantes do país. No início, a educação jesuítica contribuiu com a formação e transmissão de conhecimentos intelectuais, a exemplo do ensinamento do latim e da língua portuguesa. No período da ditadura militar, encontravam-se lá as lideranças eclesiásticas, umas perseguidas ou torturadas nos porões dos órgãos de repressão do regime, enquanto que outras atuando na defesa da justiça e da construção de uma nova sociedade.
 
Milhares de militantes da Ação Católica dedicaram suas vidas no compromisso com trabalhadores rurais, indígenas, inseridos em favelas e embrenhados em sertões tórridos, grotões e florestas, organizando sindicatos, movimentos e associações de moradores. Muitos desses tiveram suas vidas ceifadas por agentes do regime militar ou por jagunços a mando dos latifundiários.
 
No processo de redemocratização, nas comunidades ou com bandeiras em punho e nos palanques, estavam lá defendendo as eleições diretas, participando do processo de elaboração da promulgação nova Constituição Federal. Em nível nacional e internacional, os movimentos e organismo de pastoral participaram ativamente do combate ao neoliberalismo, ajudando a sucumbir a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e as privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
 
Destaca-se, portanto, o relevante compromisso da Igreja Católica com a construção da justiça social, especialmente com a defesa dos direitos dos pobres e sua inclusão nas políticas públicas, com a formação de agentes políticos engajados com a construção de uma sociedade justa e fraterna.
 
Na última década, em que o povo brasileiro vivencia um dos melhores períodos de sua história, demonstrado pela estabilidade política e democrática, pelos índices de desenvolvimento econômico e do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com a queda contínua da taxa de desemprego, reconhecer o imprescindível e incomensurável papel da Igreja Católica, é uma questão de dever de qualquer cidadão, independente do crédo que pertença.
Postado por Painel Opinativo

O PT e a crise da governabilidade nas Eleições 2012

14.06.2012 às 12:11

Jorge Vieira – Jornalista

O Partido dos Trabalhadores, popularmente conhecido pela sigla PT, foi criado em uma conjuntura de grande efervescência social e política, com o objetivo de romper com as estruturas do velho regime ditatorial então em vigor e com a uma perspectiva de forjar uma nova representação política de uma sociedade que se movimentava em busca de mudanças sociais, políticas e econômicas.

Nesse contexto, a grande mídia impressa, radiofônica e televisiva confundia intencionalmente a população identificando os seus militantes com os chavões de comunistas e baderneiros vermelhos. Para parcelas significativas da sociedade, leia-se classe média e alta, o partido representava os interesses do Comunismo Soviético; a massa absolvia os ditames midiáticos; enquanto que outros segmentos, ligados principalmente a partidos de esquerda, movimento sindical, associação de moradores e Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) da Igreja Católica cuidavam em discutir um novo modelo de sociedade e de participação política.

  No imaginário social, independentemente dos interesses ideológicos de uns ou ausência de formação política de outros, o PT nasce de uma militância que quer construir uma nova perspectiva política para o Brasil, pregando um socialismo à brasileira, fundamentado em princípios éticos e cristão. Pode-se afirmar, utilizando as melhores das expressões da Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire e da Teologia da Libertação, que reconhece o excluído e oprimido como sujeito de sua própria libertação. Inegavelmente, esse é o novo jeito de fazer política no Brasil. E o PT representa isso e Lula é sua maior expressão.

Ao longo das últimas décadas da história brasileira a sociedade, mesmo não estando de acordo, foi se acostumando com a militância petista nas mobilizações sociais, reivindicações por melhores salários, por moradias dignas, na luta pela demarcação das terras indígenas e pela reforma agrária. Onde tinha uma luta dos trabalhadores, ali se encontrava a bandeira do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Este era o partido dos movimentos. Entretanto, o PT, obviamente, almeja o poder. E, aos poucos, foi conquistando espaços institucionais no parlamento e nas administrações municipais, estaduais e, nos últimos dez anos, o nível federal. Nesta trajetória, adquire experiência administrativa, mas também dissabores e revezes políticos, provocando frustrações e decepções no seio da sociedade.

Indubitavelmente, a contribuição dos PT para a sociedade brasileira, é inegável! O Brasil mudou com a participação da militância petista, com o modo petsita de governar, com o diálogo com os movimentos e segmentos sociais, religiosos, étnicos e de gêneros. O acúmulo social é incomensurável. E pode-se afirmar, do ponto de vista social, ainda não se identifica nenhuma força política com base social suficiente que possibilite a construção de uma nova alternativa partidária no campo da esquerda popular.

No entanto, a atual conjuntura vivida pelo Partido dos Trabalhadores é marcada pelo que se pode chamar de crise da militância com a governabilidade. O partido encontra-se numa encruzilhada: como ser governo e, ao mesmo, coerente com sua origem, fazer militância política. O PT sabe que para governar precisa de alianças, que exige acordos e renúncia em determinados pontos programáticos; mas, ao mesmo tempo, não pode abdicar do projeto de sociedade que defende.

Parece ser este o dilema que precisa ser encarado pela militância do Partido dos Trabalhadores. Como governar o Brasil sem abdicar do modo petista de fazer política e de governar. A sociedade espera por esta resposta!

Postado por Painel Opinativo

Assembleia presta homenagem ao centenário do Pe. Teófanes

10.06.2012 às 13:49

Jorge Vieira - Jornalista

A Assembleia Legislativa prestará homenagem pelo centenário do Padre Teófanes, em Sessão Especial proposta pelo deputado Judson Cabral (PT/AL), que se realizará no plenário Tarcísio de Jesus, a partir das 9h do dia 15 de junho. À frente das atividades comemorativas estão o Magnífico Reitor Dr. João Sampaio e o vice-reitor Prof. Dr. Douglas Apratto. Será aberta à participação da sociedade em geral, com contará com a presença de autoridades civis, militares e religiosas, pró-reitores, coordenadores, professores e alunos dos cursos de Graduação e Pós-Graduação do Centro Universitário CESMAC.

A sessão pública é a continuidade de inúmeros eventos que serão realizados durante o ano de 2012, aberto com a celebração da missa presidida pelo padre Manoel Henrique de Melo Santana, às 19h do dia 14 do corrente mês, no pátio do prédio do antigo Colégio Guido de Fonttgalland, localizado à Rua Ângelo Neto. Espaço simbólico, visto que foi o local de sua residência e onde teve início a série de obras educativas por ele realizadas.

Durante o ano a programação será divulgada através dos meios de comunicação de massa, documentário, galhardetes, cartazes, banners e folders. Além das atividades acima mencionadas, destacam-se a Sessão Pública na Câmara de Vereadores de Maceió proposta pelo vereador Sílvio Camelo e as que serão promovidas pela Prefeitura Municipal de São José da Lage, sua terra natal. Em nível do CESMAC, serão realizados concursos de textos, poesias, charges e crônicas, exposição de obras e fotos e mesa-redonda com pessoas que acompanharam e participaram de sua vasta produção social e acadêmica.

As comemorações do centenário do padre Teófanes se justificam pelo significado de suas obras por si mesmas, além de sua visão de sociedade e de mundo, sua relevância e contribuição para a sociedade alagoana. Entretanto, no atual contexto, faz-se urgente e necessário resgatar a história de personalidades que marcaram a sociedade com suas obras, como também a daquelas que continuam contribuindo efetivamente com o desenvolvimento social, política e econômico do Estado de Alagoas.

A história de Alagoas é marcada por massacres e escravização das populações etnias nativas e africanas, índices de miserabilidade da maioria da população e de analfabetismo em contraposição a concentração de renda nas mãos de uma minoria, e mais recentemente de violência urbana, especialmente contra a juventude.
Neste cenário, o CESMAC dar continuidade à utopia do seu fundador na educação de milhares de jovens, com o resgate da história, das obras e da força simbólica do padre Teófanes, despertando, formando e contribuindo com a construção de uma nova sociedade.

Postado por Painel Opinativo

Xucuru-kariri produz alimentos em terra demarcada

29.05.2012 às 12:57

Jorge Vieira – Jornalista


Cerca de 120 famílias do povo Xurucu-Kariri, da aldeia Fazenda Canto, no município de Palmeira dos Índios, a cerca de 140 km de Maceió, produzem alimentos na área retomada em 31 de outubro de 2011, denominada Fazenda Salgado (184 hectares), declarada parte do território tradicional, em 2010, pela portaria do então ministro da Justiça Tarso Genro.

Com o apoio da Rede de Educação Cidadã (RECID) e do deputado estadual Judson Cabral (PT/AL), sementes e óleo, respectivamente, grupos familiares estão produzindo coletivamente feijão de corda, milho, feijão carioca, abóbora, macaxeira e melancia, além do cultivo de hortas comunitárias com a plantação de cebolinha, coentro, pimentão, alface, repolho, cenoura.

A produção tem como objetivo atender inicialmente a necessidade de alimentação dos membros da comunidade, enquanto que excedente será comercializado na feira livre do município. De acordo com o professor Gecinaldo Ferreira, um dos incentivadores do trabalho comunitário, os recursos arrecadados com a venda dos gêneros alimentícios serão revertidos no investimento da luta da comunidade, com passagens e alimentação quando do deslocamento de suas lideranças até os centros administrativos em busca de melhorias para as comunidades junto aos órgãos públicos. Segundo informações colhidas junto aos produtores indígenas, o quilo de feijão de corda verde será vendido ao preço de R$ 5.00.

Animados com o resultado da lavoura, visto principalmente pela a qualidade do feijão e do milho garantido pelo sistema de irrigação, com a chuva que está caindo na região, já prepararam cerca de 20 hectares para o cultivo da batata doce, macaxeira, milho e feijão.

Em tom de desabafo, jovens indígenas expressaram com orgulho, afirmando que o roçado demonstra o contrário do preconceito que é por alguns de que índio é preguiçoso. O que falta, para eles, é terra para trabalhar e não precisarem se deslocar até as cidades ou para a região açucareira para trabalharem como boia-fria.

O presidente da Associação Comunitária, Gecivaldo Ferreira, destacou a importância do urgente posse da terra demarcada, afirmando que só assim poderão suprir as necessidades das comunidades, as despesas com a luta em defesa dos direitos, especialmente na conquista do território.

Para o deputado Judson Cabral, apoiar a luta do povo Xucuru-Kariri “é reconhecer e garantir os seus direitos históricos e fazer cumprir o que determina a Constituição Federal”.

Postado por Painel Opinativo

Eleições 2012: avanço da cidadania

22.05.2012 às 15:23

Jorge Vieira – Jornalista

A sociedade brasileira está, felizmente, aprendendo com muito sacrifício a participar e decidir politicamente o seu próprio destino! Ao longo de mais de 500 anos, as classes dominantes negaram à população brasileira a possibilidade de poder discutir, participar, divergir e propor. Recentemente, o golpe militar de 1964 interrompeu as mobilizações e organizações sociais por quase três décadas, reprimindo, prendendo, exilando e, até, eliminando, os cidadãos brasileiros.

Ainda no século XX, com a redemocratização do país, o Brasil conseguiu elaborar uma Carta Magna cidadã, realizar eleições em todos os níveis dos entes federativos e criar instrumentos legais que garantem a efetiva participação do cidadão. Em nível, eleitoral, a expressão mais significativa simbolicamente ocorreu com a eleição de um torneiro mecânico, Lula, eleito presidente da República.

Neste de ano de 2012, mais uma vez a população acima de 16 anos, legalmente apta a votar, é chamada para eleger os membros das Câmaras de Vereadores e chefes do poder Executivo municipal. Contrariamente aos períodos de exceção, na democracia o cidadão exercendo o direito de votar, torna-se coresponsável pelo seu ato, delegando a um representante o poder de legislar e administrar o seu município.

Esse aprendizado não tem sido fácil! Isto é constatado na ausência do exercício da democracia, expresso na falta de formação e informação política, no conhecimento sobre os direitos de cidadania; e, mais ainda, as experiências dos eleitos no exercício do poder não corroboram para uma educação da prática cidadã.

Mas essa realidade não justifica a apatia, omissão ou conivência do eleitorado para com as práticas de manipulação, distorção, utilização e transformação do voto em moeda de venda e troca. Até porque, as consequências recaem sobre a mesma sociedade, com a ausência de assistência à saúde, à educação, infraestrutura e bem estar social da população.

Constata-se ainda que, ao mesmo tempo em que a sociedade avança em seus mecanismos de participação e controle institucional, o processo de conscientização política é lento e fragmentado. Pode-se identificar que, o direito conquistado legalmente e formalmente ainda não ocorre em nível da compreensão e participação para maioria da população brasileira.

A história está em curso. Não tem alternativa: é trocar o pneu com o carro em movimento! O mais importante foi garantido: os instrumentos de participação democrática estão disponíveis. Cabe às instituições sociais e educacionais, movimentos populares, partidos políticos e cada cidadão em particular, trabalhar na conscientização e importância do voto cidadão.

O Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes não saíram do nado! Foram produzidos e alimentados social e eleitoralmente, inclusive pela mídia! Na hora de votar, o eleitor pense no bem da comunidade e no futuro das próximas gerações! Que o seu voto faça a cidadania avançar!

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O estatuto da loucura - por que reforma e não revolução?

10.05.2012 às 09:54

Cláudio Jorge Gomes de Morais*
      
O positivismo foi o referencial teórico que determinou não só o assunto em questão, como também, a esfera da pesquisa social no mundo contemporâneo. Michael Löwy (1995) comenta: “as ciências sociais deviam funcionar exatamente segundo esse modelo de objetividade científica”. Essa corrente foi assim questionada por ter defendido uma posição reducionista da filosofia e da sociedade humana através das leis imutáveis para além de todo fazer social. As ciências sociais para o positivismo deveriam ser da mesma forma que as ciências exatas livres supostamente de ideologias. Na esteira desse pensamento, o conhecimento psi acabou transferindo para sua metodologia o fazer das “ciências rígidas”, ou seja, métodos de testagens, padrões de comportamento e classificação do psiquismo fazendo da loucura um status do poder na lógica do capital.  

A crença no projeto da modernidade, ou seja, admiração pelo ideal de beleza e ordem deixou de lado a necessidade de estabelecer diante dos vetores da racionalidade uma crítica que pudesse revelar a impossibilidade da neutralidade do conhecimento científico com base no discurso da objetividade e imparcialidade. Assim, o Iluminismo que nos seus primórdios pregava a razão como uma das garantias da emancipação do sujeito moderno, entrou em crise quando os críticos do projeto da modernidade questionaram o caráter estratégico da ciência, atribuindo à mesma uma relação direta com o saber/poder. Após ter demonizado a razão e invertido os imperativos ético e gnoseológico para uma prática discursiva, a pesquisa ou pelo menos, uma boa parte dos pesquisadores deixaram de analisar a realidade social como fundamento da práxis.

O mundo ocidental desenvolve o projeto de docilização a partir do discurso cartesiano fundador da racionalidade moderna atrelado ao mundo do trabalho que silencia e neutraliza aquele que resiste à normatização imposta pelos saberes vinculados ao capital. Assim, tal discurso constrói um dispositivo de exclusão para combater o miserável, o vagabundo e o louco. O universo cartesiano justificou através do Cogito o mito da objetividade para desmistificar o mundo em prol do cálculo, da exatidão, da eficácia e da racionalidade técnica e instrumental do capitalismo.

Segundo Foucault, o século XIX defendeu a primazia da racionalidade sobre o mundo ocidental como afirma, Olgária Matos (2005) “Pode-se duvidar da existência do mundo, aos erros na ciência, ao delírio e à alucinação.  Penso, logo existo é uma verdade primeira e irresistível, apta a fundar a ciência”. Foucault apontou a dolorosa vitória da razão cartesiana, com a qual se estabelecerá inevitavelmente o silêncio da loucura em pleno auge da modernidade.    

Esse viés propõe pensar a loucura distinta daquela tipicamente positivista, baseada na racionalidade e pureza do comportamento e, acima de tudo, a serviço do capital. Porém, a proposta de se fazer uma saber dialético é, também poder, ao mesmo tempo, fundamentar o olhar sobre a batalha da reforma autoritária no Brasil, sem perder de vista a emancipação humana que a própria ciência perdeu de vista. No entanto, uma revolução na esfera psi que não entenda isto está socialmente na iminência de reproduzir o império cartesiano.

*É mestre pela Universidade Federal de Pernambuco

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Padre Teófanes: centenário de um profeta da educação

07.05.2012 às 15:37

Jorge Vieira – Jornalista

Teófanes Augusto de Araújo Barros, nascido em 13 de julho de 1912, na cidade de São José da Lage, Alagoas, torna-se padre e dedicou sua vida sacerdotal à educação: “Fiz da minha vida o sacerdócio e do sacerdócio a educação”. Músico, poeta, filósofo e professor, expressou uma visão para além do seu tempo, com obras educacionais e concepção religiosa, cultural e social em prol dos filhos dos trabalhadores e de respeito às diferenças.

O centenário de nascimento do padre Teófanes é marcado coincidentemente pelo cinquentenário do Concílio Vaticano II, obra eclesiástica que fez a Igreja Católica abrir-se aos pobres e dialogar com as grandes questões da modernidade, impulsionando a promoção de grandes transformações sociais, políticas e econômicas. Em nível da América Latina, dez anos depois, impulsionados pela nova visão da Igreja, teólogos católicos criam a Teologia da Libertação, com o objetivo de ajudar os pobres a descobrirem que são sujeitos de sua própria história.

Estes fatos, em si, já demonstram a sua relevância. E nada mais significativo do que identificar no padre Téofanes, na inteligência e em suas obras a expressão mais acabada do compromisso evangélico e social. Neste contexto, dentre os muitos cargos que exerceu e das muitas obras que realizou, pode-se destacar a fundação do Centro de Estudos Superiores de Maceió – CESMAC.

O objetivo fundamental da criação desta Instituição de Ensino Superior, expresso por seu fundador, foi para atender os trabalhadores que não tinham acesso à Universidade pública, visto que os seus cursos eram realizados durante o dia e, assim, inviabilizava o proletariado.

No ano de 2012, o Centro Universitário CESMAC, realizará diversas atividades para comemorar os 100 anos de nascimento do padre Teófanes, iniciando com a celebração da missa, exposição, documentário de sua vida e obra, placa comemorativa, premiação, debates e sessão especial na Assembleia Legislativa e Câmara de Vereadores de Maceió.

Nos dias atuais, o Brasil vive um processo de desenvolvimento social e econômico significativo, onde o seu grande desafio continua sendo a educação. Os filhos e filhas dos trabalhadores e trabalhadoras, especialmente os pobres, negros e indígenas continuam lutando por uma melhor capacitação e qualificação técnica e profissional.

Por isso, a sociedade alagoana precisa conhecer e prestar uma honrosa homenagem ao Padre Teófanes pela obra e pelo que significa para educação e para a sociedade.

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Semana dos Povos Indígenas de Alagoas 2012

18.04.2012 às 11:12

Jorge Vieira – Jornalista (Prof. CESMAC).

Instituído em 1943 pelo Getúlio Vargas, no dia 19 de abril comemora-se o Dia do Índio. Inicialmente, a data tinha um sentido deliberadamente festivo e folclórico pela sociedade em geral, escolas, igreja e indígenas. A partir da década de 70, com o processo de abertura democrática, os povos indígenas e organizações indigenistas deram a dimensão de mobilização e reivindicação pelo reconhecimento das diferenças étnicas e defesa dos direitos, principalmente depois da promulgação da Constituição Federal de 1988.

Em Alagoas, atualmente, são reconhecidos 11 povos indígenas, com uma população oficialmente reconhecida em torno de 13 mil pessoas. Durante a Semana dos Povos Indígenas, delegações indígenas se deslocam até os centros urbanos para divulgar suas culturas e vender seus artesanatos em escolas, shopping e praças, e principalmente com o objetivo de reivindicar os direitos a terra, a educação, a saúde e projetos de autossustentação.

Historicamente, o Brasil é tratado como país pacífico e tolerante; entretanto, é bem diferente na realidade. Desde os primeiros momentos da chegado dos portugueses, franceses e holandeses, os povos indígenas reagiram à colonização das mais variadas formas: desconfiança, resistência e, até, construindo alianças táticas como os invasores.

No século passado, durante o regime da Ditadura Militar instalado em 1964, a política desenvolvimentista de construção de hidrelétricas, barragens, rodovias, ferrovias e das frentes de expansão agropastoris, incidiu sobre os territórios indígenas, provocando a destruição do meio ambiente e desaparecimento e morte de muitas populações indígenas.

Dentro dessa lógica, em 1978, o então ministro do Interior, Rangel Reis, declarou desaparecimento dos povos indígenas em 10 anos. Contrariamente, diversas etnias emergiram reivindicando o reconhecimento da identidade e dos direitos. Em Alagoas, essa luta se prolonga desde a década de 40, liderada pelos povos Xucuru-Kariri e Kariri-Xokó. Primeiro na luta pela construção do Posto do serviço de Proteção ao Índio em suas comunidades, e, depois, pelo reconhecimento e demarcação dos seus territórios.

Na década de 80, como o processo constituinte, os povos indígenas se mobilizaram e conseguiram garantir no texto constitucional o direito ao território tradição e a assistência à saúde e à educação diferenciada.

Neste ano, as lideranças reivindicam, através dos meios de comunicação, atividades promovidas por órgãos públicos e na Sessão Especial realizada na Assembleia Legislativa: demarcação dos territórios indígenas de Alagoas (criação dos Grupos Técnicos – GT para identificação dos territórios tradicionais); retirada e indenização dos posseiros na terra do povo Xucuru-Kariri; indenização do impacto socioambiental provocado pela duplicação da BR 101 para os povos Kariri-Xokó, Wassu-Cocal e Karapotó; na educação, a construção e reforma de prédios escolares, formação específica e diferenciada em todos os níveis (Fundamental, Médio e Superior); e na saúde, a estruturação da Secretaria Especial de Saúde Indígena e dos Polos Básicos Indígenas.

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