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Despreparo e desrespeito nas sabatinas do JN

Tralli e Renata achacam sabatinados . Terão essa mesma postura com os favoritos nas pesquisas?

27.08.2026 às 17:00
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Arrogantes e prepotentes, Cesar Tralli e Renata Vasconcelos adotam uma postura de debater com os candidatos ao invés de sabatiná-los, como é a proposta original da atração dentro do JN

As sabatinas promovidas pelo Jornal Nacional com os candidatos à Presidência da República cumprem uma função importante no processo eleitoral.

É uma oportunidade para que milhões de brasileiros conheçam propostas, confrontem posições e observem como aqueles que pretendem governar o país respondem a perguntas difíceis.

Perguntas difíceis, aliás, são indispensáveis.

O que não deveria ser indispensável é transformar uma entrevista em duelo.

Nas sabatinas realizadas até agora, César Tralli e Renata Vasconcellos têm adotado uma postura que, em determinados momentos, ultrapassa aquilo que se espera de entrevistadores rigorosos e aproxima-se perigosamente do protagonismo.

Interrupções sucessivas, contestações durante as respostas, insistências acompanhadas de um tom por vezes excessivamente incisivo e tentativas de estabelecer réplicas e tréplicas acabam produzindo uma dinâmica mais próxima de um debate.

Mas há uma diferença elementar.

O candidato foi ao estúdio para ser sabatinado pelos jornalistas, não para disputar um debate com eles.

Isso não significa que o entrevistador deva ser passivo.

Muito pelo contrário.

Se o candidato não responde, cabe insistir.

Se apresenta uma afirmação objetivamente incorreta, cabe confrontá-la.

Se tenta fugir do assunto, cabe trazê-lo novamente à pergunta.

Se contradiz uma declaração anterior, cabe apontar a contradição.

O problema começa quando o confronto necessário parece transformar-se numa disputa sobre quem terá a última palavra.

Nesse momento, o entrevistador deixa de funcionar apenas como representante das dúvidas do público e passa a ocupar espaço demais na própria entrevista.

Seu papel é muito mais importante: perguntar aquilo que o eleitor gostaria de perguntar e exigir respostas suficientemente claras para que esse mesmo eleitor possa formar sua própria opinião.

Quem deve julgar a resposta é o público.

Quando um candidato responde mal, deixa isso evidente.

Quando tergiversa, o eleitor percebe.

Quando mente, cabe ao jornalismo checar e demonstrar.

Quando não possui resposta, o silêncio ou a evasiva podem ser mais reveladores do que cinco interrupções do entrevistador.

Existe também uma questão de equilíbrio.

O mesmo rigor precisa ser aplicado a todos.

A mesma disposição para interromper.

O mesmo tempo para responder.

A mesma cobrança diante de evasivas.

A mesma tolerância — ou intolerância — para explicações mais longas.

Porque numa eleição presidencial até a percepção de tratamento desigual pode comprometer aquilo que uma sabatina jornalística possui de mais valioso: credibilidade.


Postado por Etcetera

O debate que não houve

O primeiro encontro presidencial de 2026 terminou deixando uma imagem difícil de esquecer: três candidatos discutindo o futuro do país entre três púlpitos vazios

24.08.2026 às 11:00
Divulgação Band


O primeiro debate presidencial de 2026 deveria marcar o momento em que a campanha finalmente deixaria os vídeos produzidos, as redes sociais e os discursos protegidos para colocar os candidatos frente a frente.

Não aconteceu.

A Band preparou o palco. Os jornalistas estavam presentes. As regras foram estabelecidas. Os candidatos foram convidados.

Mas metade dos presidenciáveis decidiu não comparecer.

E, entre os ausentes, estavam justamente Lula e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos que lideram as principais pesquisas nacionais. Romeu Zema também preferiu ficar fora do encontro.

Restaram Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury.

Os três compareceram, apresentaram propostas, trocaram críticas e discutiram assuntos relevantes como segurança pública, educação, economia, jornada de trabalho e violência contra a mulher. Houve conteúdo — e algumas declarações inclusive exigiram posterior checagem.

Mas havia um problema impossível de esconder.

As cadeiras vazias eram politicamente maiores do que os candidatos presentes.

O debate acabou transformado numa discussão sobre quem não estava ali.

Caiado criticou os ausentes. Renan Santos fez o mesmo. Augusto Cury chegou a ameaçar abandonar o encontro em protesto pela ausência dos principais adversários.

Era previsível.

Como discutir seriamente alternativas para o Brasil quando os dois candidatos que hoje concentram grande parte das intenções de voto decidiram não participar?

Lula e Flávio fizeram uma escolha politicamente compreensível — mas democraticamente discutível.

Quem lidera pesquisas normalmente possui mais a perder do que ganhar num debate.

Uma frase equivocada, uma resposta mal formulada ou uma provocação bem executada pelo adversário pode produzir dias de repercussão negativa.

A ausência, portanto, pode ser resultado de cálculo.

A própria análise publicada pela CNN após o encontro apontou essa lógica: os líderes preferiram absorver o desgaste das cadeiras vazias a correr o risco de cometer erros diante das câmeras.

Mas existe uma diferença fundamental entre aquilo que é conveniente para uma campanha e aquilo que é saudável para uma democracia.

Debate não existe para beneficiar candidato. Existe para informar eleitor.

O eleitor tem o direito de assistir a quem pretende governar o país sendo confrontado.

Tem direito de comparar respostas.

Tem direito de observar como um candidato reage quando não conhece antecipadamente a pergunta.

Tem direito de perceber contradições.

E, principalmente, tem direito de assistir aos principais concorrentes discutindo diretamente suas diferenças.

Quando os favoritos descobrem que podem disputar uma eleição sem se confrontar, alguma coisa se perde.

E o pior cenário seria transformar a ausência em estratégia permanente.

Lula não deveria aceitar debates apenas quando considerar conveniente.

Flávio Bolsonaro também não.

Nenhum candidato deveria.

Quem pretende ocupar a Presidência da República precisa aceitar também o desconforto inerente a uma eleição presidencial.

Ontem, porém, aconteceu algo ainda mais preocupante.

A polarização mostrou que pode prescindir do próprio debate.

Lula e Flávio não precisaram estar no estúdio para permanecer no centro dele.

Foram citados, atacados e lembrados durante praticamente todo o encontro. A CNN observou justamente que os três presentes tiveram dificuldade para deslocar o protagonismo dos dois ausentes.

É uma demonstração extraordinária da força que a polarização adquiriu.

Até ausentes, os favoritos dominaram o debate.

E talvez aí esteja o verdadeiro fiasco da noite.

Não foi da Band, que realizou o encontro e colocou sua estrutura à disposição do confronto democrático.

Também não foi necessariamente dos três candidatos que compareceram.

Foi do modelo de campanha que começa a surgir.

Uma campanha na qual candidatos podem preferir vídeos controlados a perguntas imprevisíveis, redes sociais a contraditório e comunicação com seus próprios seguidores ao confronto com adversários.

Se isso prevalecer, teremos muitos discursos durante os próximos meses.

Muitos vídeos.

Muitas postagens.

Muitas acusações.

Mas poucos debates verdadeiros.

O primeiro encontro presidencial de 2026 terminou deixando uma imagem difícil de esquecer: três candidatos discutindo o futuro do país enquanto três púlpitos vazios lembravam ao eleitor quem havia decidido não discutir.

A Band realizou seu debate.

Os principais candidatos é que decidiram não realizá-lo.

E quem perdeu a oportunidade de confrontá-los foi o eleitor.

Postado por Etcetera

Laura Cardoso e Glória Menezes: quando duas atrizes se tornam parte da memória de um país

A morte de Laura Cardoso, aos 98 anos, e de Glória Menezes, aos 91, com poucas horas de diferença, encerra dois dos mais extraordinários percursos da dramaturgia nacional

18.08.2026 às 18:40
AssessorIA


Há dias em que a cultura brasileira parece perder mais do que artistas.
Perde referências, testemunhas e personagens de sua própria história.
A morte de Laura Cardoso, aos 98 anos, e de Glória Menezes, aos 91, com poucas horas de diferença, encerra dois dos mais extraordinários percursos da dramaturgia nacional. Laura morreu na noite de segunda-feira, 17 de agosto, e Glória nesta terça-feira, 18.

Não eram apenas duas atrizes veteranas.
E talvez seja justamente essa a dimensão que o tempo permitirá compreender melhor.

Laura e Glória pertenciam a uma geração que ajudou a transformar a televisão brasileira em parte fundamental da identidade cultural do país. Antes da televisão ocupar definitivamente as salas das famílias brasileiras, Laura Cardoso já fazia rádio. Começou ainda adolescente e esteve entre os pioneiros da TV Tupi, participando dos primeiros tempos de uma televisão que ainda descobria sua própria linguagem. Sua trajetória atravessaria mais de oito décadas, mais de 60 novelas, teatro e cinema.

Pouquíssimos artistas brasileiros puderam observar de dentro uma transformação semelhante.

Laura viu a dramaturgia passar do rádio para o teleteatro ao vivo, do preto e branco para a cor, dos estúdios rudimentares para as grandes produções e, finalmente, para a era digital. E permaneceu relevante durante praticamente todas essas fases.

Sua grande virtude talvez estivesse justamente em jamais parecer uma atriz pertencente ao passado.

Em Mulheres de Areia, A Viagem, Chocolate com Pimenta, Caminho das Índias, O Outro Lado do Paraíso e tantos outros trabalhos, Laura conseguia algo raro: transformar personagens secundários em figuras das quais o público se lembrava.

Não precisava necessariamente ocupar o centro da história para ocupar a memória do espectador.

Havia em sua interpretação uma espécie de verdade brasileira — a mulher simples, a matriarca, a personagem dura, a avó, a trabalhadora, a figura popular — sempre construída sem condescendência. Laura Cardoso parecia compreender que não existem personagens pequenos quando existe uma grande atriz.

Glória Menezes construiu outro tipo de trajetória, igualmente monumental.

Sua presença coincide com o nascimento da própria telenovela brasileira moderna. Em 1963, protagonizou ao lado de Tarcísio Meira 2-5499 Ocupado, considerada a primeira telenovela diária da televisão brasileira.

Antes disso, porém, o cinema já havia reservado a ela um lugar histórico.

Glória participou de O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962 — feito que permanece único para um longa-metragem brasileiro.

Depois veio uma sucessão impressionante de personagens.

De Irmãos Coragem a Pai Herói, de Guerra dos Sexos a Brega & Chique, de Rainha da Sucata a A Próxima Vítima, Torre de Babel, Senhora do Destino, A Favorita e Totalmente Demais, Glória atravessou épocas, autores e estilos sem se transformar numa caricatura de si mesma.

E isso talvez seja uma das maiores provas de talento para um artista longevo.

Durante décadas, sua história também esteve associada à de Tarcísio Meira. Foram parceiros na televisão, no teatro e na vida por quase seis décadas. Tornaram-se provavelmente o casal mais emblemático da dramaturgia brasileira, mas seria injusto reduzir Glória a essa parceria.

Ela possuía carreira, personalidade artística e grandeza próprias.

Laura Cardoso e Glória Menezes também representam uma época na qual atores construíam carreiras longas diante do público. Nós os víamos envelhecer. Mudavam os personagens, mudavam as novelas, mudava o Brasil — e aquelas figuras continuavam entrando em nossas casas.

Por isso determinadas mortes provocam uma sensação diferente.

Não estamos nos despedindo apenas de pessoas que admirávamos.

Estamos nos despedindo de pedaços da nossa própria memória.

Em algum momento, Laura foi a personagem que assistíamos ao lado de nossos pais. Glória foi a protagonista que nossos avós acompanhavam. Depois foram vistas pelos filhos e, posteriormente, pelos netos daqueles primeiros espectadores.

Pouquíssimas carreiras conseguem atravessar tantas gerações.

O desaparecimento quase simultâneo das duas atrizes também simboliza o encerramento progressivo de uma geração extraordinária de intérpretes que participou da construção da televisão brasileira quando praticamente tudo ainda estava por ser inventado.

Elas não encontraram uma indústria pronta.

Ajudaram a construí-la.

E talvez esteja aí a principal diferença entre celebridade e legado.

Celebridade pertence ao presente.
Legado pertence ao futuro.

Daqui a muitos anos, quando alguém quiser compreender como a dramaturgia brasileira se tornou uma das manifestações culturais mais populares do país, inevitavelmente encontrará Laura Cardoso e Glória Menezes nesse percurso.

Encontrará duas mulheres que fizeram da interpretação um ofício exercido com disciplina, permanência e respeito pelo público.

A morte encerra suas trajetórias pessoais, mas não consegue retirar aquilo que ambas conquistaram.

Laura Cardoso e Glória Menezes agora pertencem definitivamente à história cultural brasileira.

E artistas assim possuem um privilégio reservado a poucos:

saem de cena, mas permanecem no palco da memória de um país.

Postado por Etcetera

A peculiar geografia das alianças políticas de Alagoas

Alagoas desenvolveu ao longo dos anos uma peculiar geografia política na qual fronteiras existem, mas nem sempre são intransponíveis

17.08.2026 às 11:20
AssessorIA


Se alguém tentar compreender a política alagoana utilizando apenas as tradicionais divisões entre situação e oposição, direita e esquerda, governistas e adversários, provavelmente terminará mais confuso do que começou.

Alagoas desenvolveu ao longo dos anos uma peculiar geografia política na qual fronteiras existem, mas nem sempre são intransponíveis. Adversários podem dividir palanques, aliados podem apoiar candidatos concorrentes e uma mesma liderança pode escolher nomes pertencentes a grupos que, teoricamente, deveriam estar em campos opostos.

O mais recente exemplo veio do deputado federal Daniel Barbosa.

Ele anunciou apoio a Renan Filho para o Governo de Alagoas e, ao mesmo tempo, declarou seus dois votos para o Senado: Arthur Lira e Renan Calheiros.

É uma composição extraordinariamente didática.

Renan Filho e Renan Calheiros representam o grupo político que hoje controla o Governo de Alagoas. Arthur Lira, por sua vez, construiu nos últimos anos uma estrutura própria de poder e mantém uma aliança importante com JHC, justamente o principal adversário de Renan Filho na disputa pelo governo.

Pela lógica convencional, seria natural imaginar dois lados claramente definidos.

De um, Renan Filho e Renan Calheiros.

Do outro, JHC e Arthur Lira.

A realidade alagoana, entretanto, decidiu mais uma vez ser um pouco mais complicada.

Daniel Barbosa não é necessariamente uma exceção. Seu posicionamento apenas torna explícita uma característica histórica da política estadual: as alianças locais frequentemente obedecem muito mais às relações pessoais, bases municipais, interesses regionais e compromissos construídos ao longo dos anos do que às fronteiras ideológicas ou partidárias.

E há uma razão objetiva para que isso se torne ainda mais visível nesta eleição.

O eleitor alagoano terá dois votos para senador.

Essa particularidade abre espaço para composições que dificilmente existiriam numa eleição de vaga única. Um candidato não precisa necessariamente convencer seu eleitor a rejeitar todos os demais. Pode buscar o primeiro voto de alguém que reservará o segundo justamente para um adversário pertencente a outro agrupamento político.

Arthur Lira e Renan Calheiros podem disputar posições, influência e protagonismo em Brasília e, ainda assim, aparecer juntos na escolha de determinados grupos e lideranças.

A matemática eleitoral permite.

A política alagoana facilita.

O fenômeno também mostra os limites das etiquetas nacionais quando transportadas para a realidade estadual.

Brasília gosta de organizar a política entre governo e oposição. As eleições presidenciais reforçam ainda mais essa tendência, atualmente marcada pela polarização. Nos municípios e nos estados, entretanto, a realidade costuma ser muito menos disciplinada.

Em Alagoas, essa flexibilidade parece atingir outro patamar.

Prefeitos precisam manter relações com deputados de diferentes partidos. Deputados dependem de bases eleitorais espalhadas pelos municípios. Grupos municipais fazem suas próprias composições. Lideranças estaduais procuram preservar canais com Brasília independentemente de quem esteja no Palácio do Planalto.

Forma-se, assim, uma enorme rede de relações cruzadas.

Isso ajuda a explicar por que determinadas alianças que parecem absolutamente improváveis quando observadas de fora se tornam perfeitamente compreensíveis para quem acompanha o cotidiano da política alagoana.

Há, evidentemente, um aspecto positivo nisso.

A política não precisa ser uma guerra permanente. A capacidade de dialogar com adversários, construir convergências e ultrapassar fronteiras partidárias pode ser saudável para qualquer democracia.

Mas existe também uma pergunta incômoda.

Até que ponto essa flexibilidade representa capacidade de articulação e a partir de que momento começa a representar ausência de identidade política?

Se praticamente qualquer combinação eleitoral é possível, torna-se mais difícil para o eleitor compreender exatamente quais projetos políticos estão em disputa.

E essa é uma questão que merece atenção.

Alianças são legítimas. Composições fazem parte da política. Apoios não precisam obedecer cegamente às determinações partidárias.

Mas eleições também deveriam oferecer ao cidadão alguma clareza sobre os projetos que cada grupo pretende representar.

A campanha de 2026 começa mostrando que, em Alagoas, essa clareza talvez tenha novamente de ser procurada com lupa.

O anúncio de Daniel Barbosa é apenas o exemplo mais recente.

Renan Filho para governador. Arthur Lira e Renan Calheiros para o Senado.

Para quem observa de longe, pode parecer uma contradição.

Para quem conhece a política alagoana, talvez seja simplesmente Alagoas sendo Alagoas.

Postado por Etcetera

Influência do balé sobre a moda como tendência crescente

O chamado " balletcore" está evoluindo para algo mais amplo do que sapatilhas e referências óbvias de figurino

12.08.2026 às 23:59
Jeff Medaugh / Wikimedia Commons


A aproximação entre moda e balé está ganhando uma nova dimensão. Mais do que uma tendência estética baseada em sapatilhas, tule e tons delicados, grandes marcas internacionais estão percebendo na dança clássica um território privilegiado para associar suas imagens a valores como sofisticação, disciplina, criatividade e excelência artesanal.

É esse movimento que a Vogue Business identifica ao analisar o crescente interesse da indústria da moda pelo universo do balé.

A relação, naturalmente, não começou agora. Nos anos 1920, Coco Chanel já apoiava a companhia Ballets Russes, de Serge Diaghilev, e chegou a desenvolver figurinos para Le Train Bleu, apresentado em 1924.

Um século depois, porém, essa ligação parece entrar em uma nova fase.

O balé atravessa um período de renovado interesse cultural, especialmente entre públicos mais jovens. Em um momento dominado pela velocidade das redes sociais e pelo consumo instantâneo de conteúdo, a dança clássica oferece praticamente o oposto: técnica, tradição, concentração, disciplina e anos de aperfeiçoamento.

Para as marcas de luxo, esses atributos são extremamente valiosos.

A Vogue Business observa que empresas procuram cada vez mais associações culturais capazes de transmitir prestígio de maneira autêntica, em vez de simplesmente acrescentar celebridades a campanhas publicitárias.

O interesse crescente das novas gerações também ajuda a explicar o movimento. O Royal Ballet and Opera, em Londres, recebe aproximadamente um milhão de visitantes por ano em Covent Garden e comercializa mais de 660 mil ingressos durante sua temporada. Cerca de 18% desse público vem de outros países.

As redes sociais ampliaram ainda mais esse alcance.

A aproximação entre os dois universos pode ser observada em parcerias de longa duração. A Chanel, por exemplo, mantém relação histórica com a dança e é importante patrocinadora da Ópera de Paris, além de participar há seis anos do BAAND Together Dance Festival, realizado no Lincoln Center.

A Rolex mantém uma parceria de aproximadamente 18 anos com o Royal Ballet and Opera e atualmente ocupa a posição de principal parceira da Royal Opera.

Mas essa ligação ultrapassa o patrocínio institucional.

Bailarinos começam também a assumir um papel semelhante ao de novos influenciadores culturais da moda.

A bailarina Francesca Hayward, do Royal Ballet, já trabalhou com marcas como Burberry, Armani e Chanel, mostrando como artistas da dança podem estabelecer uma conexão natural entre performance, moda e luxo.

Há também intercâmbio no sentido contrário: estilistas passam a trabalhar diretamente dentro do universo do balé.

Daniel Lee, diretor criativo da Burberry, desenvolveu figurinos para uma produção do coreógrafo Wayne McGregor no Royal Ballet. Criadores como Roksanda, Gareth Pugh e Saul Nash também já levaram suas linguagens de moda para os palcos.

Para Saul Nash, essa experiência permitiu apresentar seu trabalho a um público cultural diferente daquele normalmente alcançado pelas passarelas.

Existe ainda outra razão particularmente interessante para a moda se aproximar da dança: o movimento.

Uma roupa apresentada sobre um corpo em movimento revela características que uma fotografia convencional dificilmente consegue reproduzir. Volume, fluidez, construção, leveza e comportamento dos tecidos tornam-se parte do espetáculo.

Marcas como Issey Miyake, historicamente interessadas na relação entre roupa e movimento corporal, encontram na coreografia uma ferramenta particularmente poderosa para apresentar suas criações.

Por isso, a influência do balé sobre a moda em 2026 precisa ser compreendida além do chamado balletcore.

Sapatilhas, fitas, bodies, transparências, malhas, leggings, saias fluidas e referências ao guarda-roupa das bailarinas continuam aparecendo — inclusive nas tendências recentes de calçados.

Mas o fenômeno atual é maior.

A dança está se tornando para a moda um universo cultural completo, capaz de oferecer estética, narrativa, tradição e experiência.

Também existe um componente de exclusividade. Para consumidores de alto poder aquisitivo, participar de apresentações, galas e eventos ligados às grandes instituições culturais pode oferecer uma experiência considerada mais significativa do que simplesmente comparecer a outro evento promocional de uma marca.

É justamente aí que balé e luxo se encontram.

Ambos dependem de tempo, técnica, execução, tradição e atenção aos detalhes.

Em uma indústria constantemente pressionada a produzir a próxima novidade, o balé oferece algo paradoxalmente moderno: a valorização daquilo que exige tempo para ser construído.

Talvez por isso a moda esteja novamente descobrindo que, antes mesmo das passarelas, o palco já sabia transformar roupa, corpo e movimento em espetáculo.


Com informações Vogue 

Postado por Etcetera

Quando o talento deixa de ser suficiente

O talento de Neymar passou a dividir espaço com atitudes que pouco combinam com a grandeza de sua carreira.

06.08.2026 às 21:20
Reprodução Youtube


Neymar sempre foi um dos maiores talentos que o futebol brasileiro revelou neste século. Seu repertório técnico jamais esteve em discussão. O problema é que, com o passar dos anos, o brilho do craque passou a dividir espaço com atitudes que pouco combinam com a grandeza de sua carreira.

A confusão envolvendo jogadores, dirigentes e torcedores do Remo é mais um capítulo de uma sequência de episódios em que o protagonista parece incapaz de ignorar provocações e responder apenas com futebol. Um atleta que vestiu as camisas de Santos, Barcelona, PSG e da Seleção Brasileira deveria compreender que sua responsabilidade vai muito além do resultado de uma partida.

A maturidade de um ídolo não se mede apenas pelos títulos conquistados, mas também pela forma como administra vitórias, derrotas e críticas. Infelizmente, Neymar continua transmitindo a imagem de alguém que, apesar da experiência acumulada, ainda reage com impulsividade diante das adversidades.

O tempo é implacável para qualquer atleta. A velocidade diminui, o físico muda e o protagonismo naturalmente passa a ser conquistado mais pela liderança do que pelos dribles. Os grandes ídolos entendem essa transição e deixam como legado não apenas gols, mas exemplos.

Neymar ainda pode ser lembrado como um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Mas, para isso, precisará perceber que o verdadeiro craque não é aquele que vence discussões, e sim aquele que inspira respeito até mesmo entre os adversários.

Postado por Etcetera

Agosto Lilás: um convite à conscientização e ao respeito

05.08.2026 às 18:40


O Agosto Lilás é mais do que uma campanha de conscientização; é um chamado para que toda a sociedade reflita sobre a importância do respeito, da dignidade e da proteção às mulheres. A violência, em qualquer de suas formas — física, psicológica, moral, patrimonial ou sexual — deixa marcas profundas que ultrapassam o momento da agressão e afetam famílias e comunidades inteiras.

Combater essa realidade não é responsabilidade apenas das vítimas ou das autoridades. É um compromisso coletivo, que começa na educação, no diálogo e na coragem de não silenciar diante de situações de abuso. Informar, acolher e denunciar quando necessário são atitudes que podem transformar vidas e interromper ciclos de violência.

O Agosto Lilás também nos lembra que nenhuma mulher deve enfrentar o medo ou a violência sozinha. Há redes de apoio, profissionais e instituições preparados para oferecer orientação e proteção. Mais do que uma cor no calendário, o lilás representa esperança, empatia e a construção de uma sociedade onde o respeito seja um valor inegociável.

Que este mês inspire não apenas reflexões, mas também ações concretas. Afinal, promover uma cultura de paz, igualdade e respeito é um dever de todos nós e um passo essencial para construirmos um futuro mais justo e humano.

Postado por Etcetera

Torcendo com estilo

27.06.2026 às 13:00

Um dos momentos mais aguardados do ano de 2026, a Copa do Mundo além de mobilizar torcedores, serve

também como inspiração para criação de looks diferenciados e estilosos, produzidos especialmente

para acompanhar os jogos da nossa seleção.

Postado por Etcetera

Referência no Jornalismo

Eliane Aquino é homenageada com a Medalha Jornalista Dêvis de Melo

12.05.2026 às 18:30
Itawi Albuquerque

Noite prestigiada por grandes nomes do jornalismo do estado, no dia 09 de maio no Jatiúca Resort, em torno da solenidade de entrega da Medalha Jornalista Dêvis de Melo à jornalista Eliane Aquino. 

Ênio Lins fez o discurso de apresentação de Eliane que, em seguida, recebeu das mãos de Marcelo Firmino a honraria.

 A data também marcou o 85º aniversário do jornalista Antonio Noya, idealizador da premiação e grande anfitrião da noite


GALERIA DE FOTOS 

Postado por Etcetera

A moda contemporânea de Fiama Pimentel

23.04.2026 às 12:23
Assessoria


Fiama Pimentel é uma estilista alagoana que constrói sua criação a partir do encontro entre moda, território e memória cultural. Seu trabalho nasce da observação sensível das paisagens humanas e naturais de Alagoas, transformando técnicas artesanais em linguagem contemporânea por meio do vestuário. 

A coleção Fios e Tecidos do Alagoas feito a Mão, apresentada ao público em desfile no dia 25/03 no Palácio Floriano Peixoto, nasceu como um percurso sensível pelo território alagoano, onde moda e artesanato se encontram para traduzir paisagens, memórias e saberes ancestrais em forma vestível. 

O evento foi uma  iniciativa  do Governo de Alagoas , por meio da Seplag e Programa Alagoas Feita à Mão da Serfi.


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Postado por Etcetera


Etcetera por Ricardo Leal

Publicitário, radialista, poeta e escritor. Carioca, radicado em Alagoas desde 2002, trabalhou em diversas campanhas eleitorais no estado. Foi diretor da Organização Arnon de Melo (OAM) e do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP). Atualmente  CEO - Press Comunicações, Diretor/Editor - Revista Painel Alagoas e  Editor - Coluna Etcetera (impressa e digital)

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