Assessoria
Para refletir
Se propaganda enganosa é crime, por que existe horário político?
Poder sem contrapeso
Alexandre
de Moraes tornou-se o símbolo de um Judiciário que ultrapassa limites. Decisões
monocráticas, censura e investigações intermináveis alimentam desconfianças. Nenhum
ministro pode se considerar maior que a Constituição que jurou defender. Combater
ameaças à democracia não autoriza ameaçar as garantias democráticas.
Quando o juiz concentra poderes, o devido processo perde espaço e
credibilidade.
O silêncio dos tribunais e do Congresso apenas fortalece esse perigoso
desequilíbrio. A democracia precisa de Justiça firme, mas jamais de magistrados
sem contraponto.
O círculo das oligarquias
Há sinais claros de que o alagoano deseja mudanças profundas em sua política. O problema é que ninguém parece disposto abandonar voluntariamente o poder. Os nomes oferecidos ao eleitor são quase sempre os mesmos de todas as eleições.
Quando um deles sai de cena, entra um filho, irmão, cônjuge ou herdeiro político. É o princípio da hereditariedade aplicado descaradamente à vida pública.
Assim se mantém o círculo vicioso das oligarquias, alimentado pelo poder e pelo dinheiro. O povo deseja renovação, mas o sistema insiste em oferecer apenas continuidade.
Política pequena
O jornalista Edivaldo Junior é da nossa safra de “veteranos”, bom de texto e de combate. Por conta da campanha odiosa local foi injustamente atacado por colegas a serviço de políticos de oposição, colocando em xeque a sua atividade profissional, a mesma que os acusadores praticam, como contratados das coligações adversárias para desconstruir reputações. É legitimo a jornalista, manter contrato de assessoria com qualquer político, como também o é escolher, votar e até anunciar seus candidatos. Isenção é para magistrado.
O Supremo no palanque
André
Mendonça chegou ao STF apresentado como um ministro “terrivelmente evangélico”.
A definição já revelava a perigosa mistura entre religião, política e Justiça. Agora,
suas decisões e manifestações são frequentemente interpretadas sob esse viés.
Ministro do Supremo não pode agir como representante de governo, igreja ou
ideologia. Quando cada magistrado recebe um rótulo político, a Constituição
perde centralidade.
O STF precisa pacificar o país, e não funcionar como extensão dos palanques eleitorais.
Justiça partidarizada deixa de inspirar respeito e passa a alimentar desconfiança.
Tem prefeito
O prefeito Rodrigo Cunha não tem se descuidado da campanha de JHC ao governo de Alagoas. Reconhece seu papel de protagonista na busca de apoios e votos, mas não abandonou a responsabilidade de administrar Maceió. Tem procurado conciliar a agenda política com a gestão da capital, acompanhando obras, serviços e demandas da população. Campanha é importante, mas a cidade não pode parar. Até agora, Rodrigo demonstra compreender bem essa diferença.
Isso não é normal
Quase três mil entidades
subscreveram o manifesto liderado pela Fiesp. O documento exige transparência e
uma mudança de postura dos ministros do STF. Não se trata de um protesto
isolado nem de uma manifestação partidária. É o setor produtivo denunciando uma
grave crise de confiança na mais alta Corte.
Quando tamanha mobilização cobra explicações do Supremo, o sinal é preocupante.
Os ministros precisam compreender que autoridade não significa ausência de
limites.
Definitivamente, isso não é normal e o silêncio apenas agravará a crise.
Votação histórica
Arthur
Lira caminha para conquistar uma votação histórica para o Senado em Alagoas. As
pesquisas confirmam sua força e o colocam na liderança da disputa eleitoral. O
tempo transformou o deputado em um dos políticos alagoanos de maior prestígio.
Sua influência ultrapassou as fronteiras do estado e ganhou dimensão em
Brasília.
Presidiu
a Câmara, ampliou alianças e levou recursos para inúmeros municípios.
A resposta desse trabalho deverá aparecer nas urnas, com expressiva votação. Na
política, como na vida, permanece uma regra antiga: quem planta, colhe.
Epa!
A eleição está posta. Os nomes irão mudar, mas Alagoas continuará a mesma. Por nossa opção.
Assessoria
Para refletir
A crise moral chegou a um ponto na politica que o voto significa a chancela do eleitor para escolher quais vão lhe enganar nos próximos quatro anos.
Terrorismo e benesses no TC
Há um clima de revolta dentro do Tribunal de Contas de Alagoas, enquanto servidores efetivos e que realmente sustentam um resto de credibilidade da casa são perseguidos e perdem gratificações, famílias inteiras são beneficiadas com cargos em comissão, confrontando a eficiência e a moralidade pública, necessárias para a administração. Basta ver as portarias publicadas no DO diariamente, onde os sobrenomes Toledo e Amaral abundam. Uma vergonha para o órgão que deveria fiscalizar a aplicação do dinheiro público.
Tô fora
Em plena campanha eleitoral, Lula tem razões políticas para tentar manter distância da grave crise que atinge o Supremo Tribunal Federal com as revelações do caso Banco Master. O presidente do STF, Edson Fachin, já reconheceu publicamente que os fatos exigem encaminhamento institucional e anunciou que serão adotadas as medidas consideradas cabíveis. Para o Planalto, qualquer associação direta com uma crise envolvendo ministros da Corte pode acrescentar um problema delicado a uma campanha que naturalmente preferiria discutir governo, economia e programas sociais. A estratégia aparente é simples: esse incêndio não começou no Palácio do Planalto e Lula certamente não vai querer carregá-lo para o palanque.
Com Lulinha no colo
Lula chegará à eleição pressionado pelas investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas à atuação do empresário, enquanto sua defesa nega irregularidades.
O presidente afirma que as acusações são “ilações” e diz que a PF deve investigar livremente.
Politicamente, o caso tende a acompanhar Lula durante a campanha e deverá ser explorado por adversários.
Cinismo bolsonarista
Na sabatina Flávio Bolsonaro foi confrontado com um uma pergunta. Nela, sustentou que o aquecimento global "não existe". Tentou calibrar sua aversão à ciência: "Pra mim, o que acontece hoje são exemplos climáticos extremos". Se os resíduos mentais do bolsonarismo fossem concretos, não haveria esgoto que bastasse. A sabatina de Flávio Bolsonaro foi 100% feita de cinismo
Preço da democracia
A democracia precisa de jornalistas que não aceitem coleiras, de eleitores que não compartilhem ódio como se fosse notícia, de candidatos que apresentem ideias em vez de fabricar crimes e de uma Justiça Eleitoral que compreenda que, na era da inteligência artificial, algumas horas podem separar uma eleição legítima de uma fraude irreversível.
Mérito da ética
É um fato raro e surpreendente na vida pública brasileira. Aos 48 anos, com uma carreira brilhante pela frente e em meio a uma grave crise de credibilidade das instituições, Bruno Dantas renuncia ao cobiçado cargo de ministro do Tribunal de Contas da União. A decisão, tomada de forma voluntária, rompe com a lógica predominante de permanência a qualquer custo nos espaços de poder.
Num país em que tantos se agarram aos cargos até o último instante, sua atitude chama atenção e merece respeito. Mais do que uma escolha pessoal, trata-se de um gesto que reafirma a importância da ética, da responsabilidade e da coerência na vida pública. É uma decisão incomum e, justamente por isso, carregada de simbolismo e capaz de inspirar uma reflexão sobre o verdadeiro sentido do serviço às instituições.
Medo e raiva
Tem candidato que parece sempre ter algo a esconder da imprensa. Evita jornalistas, recusa entrevistas e foge de perguntas incômodas, embora passe o dia exibindo sua versão dos fatos nas redes sociais. Outros vão além: transformam profissionais e veículos de comunicação em alvos de processos sempre que suas histórias são investigadas ou contrariadas. Quem pretende exercer um cargo público precisa entender que transparência, questionamento e fiscalização fazem parte da democracia. Fugir da imprensa ou tentar intimidá-la não é exatamente um bom cartão de visitas para quem pede o voto do eleitor.
Epa!
Se o eleitor não votar paga uma multa de 4,00 (quatro reais). Pra votar terá que enfrentar uma fila imensa e demorada (a eleição é de muitos candidatos), perde o seu dia de praia e ainda corre o risco de eleger um pilantra. Faz um Pix para o TRE.
Assessoria
Para refletir
Quando o eleitor aceita a corrupção como normal na política, deixa de apenas escolher seus representantes e passa também a legitimar o sistema que condena.
Jogo desleal
O lançamento da campanha de Renan Filho, em Arapiraca, mostrou força e mobilização. Um numeroso público compareceu para recepcionar o candidato, em um evento no qual o prefeito Luciano Barbosa também demonstrou sua capacidade de articulação política. Renan foi recebido por uma plateia atenta e participativa, fez duros recados aos adversários, relembrou o que realizou pelo interior de Alagoas durante seus dois governos e apresentou compromissos para uma eventual nova gestão.
Como sempre acontece nas campanhas mais disputadas, começou também a guerra das imagens. Adversários recorreram a montagens e recursos de inteligência artificial para tentar apresentar um cenário diferente do que realmente ocorreu, inclusive produzindo imagens que sugeriam espaços vazios onde havia público. É um jogo perigoso.
Sem debates
Talvez Alagoas seja um dos poucos estados do país onde a campanha para o Governo possa terminar sem um debate direto entre os principais candidatos. Renan Filho tem provocado publicamente o adversário JHC e reiterado o convite para o confronto de ideias, propostas e realizações. Até agora, porém, o ex-prefeito de Maceió não demonstra disposição para aceitar
JHC, embora tenha construído uma administração de forte visibilidade em Maceió e se mostrado eficiente na comunicação política, enfrentaria um adversário mais experiente em embates dessa natureza e com conhecimento mais amplo da máquina estadual e dos problemas do interior.
Defensores de ocasião
De repente, com a eleição chegando, todo candidato resolveu aparecer nas redes sociais como defensor da causa animal. Alguns, cinicamente, posam abraçados com cães e gatos, em cenas cuidadosamente preparadas para conquistar a simpatia do eleitor, imagens que, certamente, não faziam parte de suas rotinas antes da campanha.
Por isso, antes de acreditar na fotografia, procure conhecer a história. Veja o que esse candidato fez nos últimos quatro anos em defesa dos animais. Apresentou projetos? Cobrou políticas públicas? Destinou recursos? Combateu maus-tratos e abandono? Defendeu castração, atendimento veterinário e proteção aos animais de rua?
Pouca renovação
Na disputa para deputado estadual, tudo indica que a renovação será mínima. Os mesmos grupos continuam controlando estruturas políticas, máquinas eleitorais e bases municipais e, consequentemente, largam com enorme vantagem na disputa pelos votos. O plenário deverá mudar muito pouco. Infelizmente, o eleitor também tem responsabilidade nisso: reclama da política, pede mudança, mas muitas vezes reconduz os mesmos personagens. E, se o roteiro não mudar, teremos novamente uma Assembleia em que, no lugar dos grandes debates sobre os problemas de Alagoas, ganharão espaço os conhecidos festivais de títulos de cidadania, medalhas, homenagens e comendas
O homem do coração
O deputado José Wanderley deixa a Assembleia Legislativa, mas sua cadeira já tem um herdeiro político natural: o filho Hugo Wanderley, ex-prefeito, líder municipalista e nome de prestígio próprio em várias regiões do interior de Alagoas.
José Wanderley, o velho camarada de tantas jornadas, agora parte para um desafio maior: é candidato ao Senado Federal. E leva para a campanha algo que não se fabrica em laboratório eleitoral nem se conquista apenas com alianças: uma história de vida.
Médico por vocação, fez da cardiologia muito mais do que profissão. Ao longo de décadas, salvou milhares de corações e construiu relações de gratidão por onde passou. Na política, manteve a simplicidade, o diálogo e uma maneira muito própria de fazer amigos
A hora de deixar
Quando perdeu a eleição, Ronaldo Lessa deveria ter compreendido como um aviso do tempo político. Há momentos de chegar, de permanecer e também de sair. O problema foi não perceber que seu ciclo começava a se encerrar. Em vez de preservar a própria história, passou a buscar espaços no poder de ocasião, fazendo movimentos contraditórios, rompendo antigas relações e contrariando muitas vezes a própria lógica que havia orientado sua trajetória.
Na política, sobreviver não significa necessariamente permanecer relevante. Existe uma diferença enorme entre ocupar um espaço e representar efetivamente alguma coisa para o eleitor.
Quem não percebe o momento de deixar o palco, corre o risco de assistir à própria importância diminuir diante da plateia.
Epa!
“Por aqui eleição de deputado não se conquista, se compra”. (Frase que ouvi de um deputado e candidato a reeleição)
Arquivo pessoal
Para refletir: Quando a corrupção vira método de governo, o voto deixa de escolher representantes e passa a financiar cúmplices
A ameaça Marina Candia
A jovem Marina Candia, esposa do ex-prefeito JHC, sempre foi uma das figuras mais populares e bem recebidas nas redes sociais, quase uma unanimidade entre seus seguidores. Bastou, porém, seu nome surgir como candidata competitiva, com chances reais de vitória, para o tratamento começar a mudar. Já tentam carimbá-la como “estrangeira” e certamente irão atrás de episódios, versões e narrativas buscando desgastar sua imagem. É um roteiro antigo da política: enquanto alguém não ameaça espaços de poder, recebe elogios e simpatia; quando passa a representar risco eleitoral, começa a enfrentar ataques e campanhas de desconstrução. Marina parece estar descobrindo cedo esse preço. Na política, sobretudo quando se desafiam grupos tradicionais e estruturas consolidadas, a disputa raramente fica limitada às propostas e aos votos. E aí surge a obrigação de separar fatos comprovados de insinuações ou histórias fabricadas. A eleição pode ser dura, mas não deveria transformar a reputação de ninguém em território sem lei.
Nada a comemorar
Palmeira dos Índios completou esta semana 137 anos de emancipação política, mas a data encontra poucos motivos para festa. A cidade que durante décadas foi apresentada como “município modelo”, com forte presença econômica, importância social e destacada representação política em Alagoas, hoje convive com um cenário bem diferente.
O tempo, somado a sucessivos equívocos administrativos e eleitorais, cobrou um preço alto. Vieram a estagnação, a perda de protagonismo, o enfraquecimento da educação, as dificuldades na saúde e, de forma especialmente dolorosa, o abandono da cultura, justamente uma das maiores referências históricas de Palmeira dos Índios.
Heloísa Helena no Rio
Brasília poderá ter novamente, pelo voto do Rio de Janeiro, a presença combativa de Heloísa Helena na Câmara dos Deputados. Alagoana de nascimento e de formação política, ela construiu no Rio uma nova base eleitoral e é candidata a deputada federal pela Rede.
Heloísa já voltou temporariamente à Câmara em dezembro de 2025, como suplente, permanecendo no mandato até junho deste ano. Sua trajetória continua marcada pela independência e coerência.
Tinha golpe sim
Ao fim de 2022, brasileiros seguiam normalmente com suas vidas sem saber que em Brasília, em reuniões a portas fechadas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) buscava convencer os comandantes das Forças Armadas a embarcar em um golpe e reverter a vitória de Lula (PT) nas eleições de outubro. Ex-comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos Baptista Júnior conta bastidores desses encontros em seu novo livro, "Eu disse não - Uma trincheira antigolpista", que será lançado no próximo mês.
O brigadeiro, já na reserva, relata uma série de momentos ao longo da gestão Bolsonaro em que ficou desconfortável diante da tentativa de instrumentalização das Forças Armadas para ganhos políticos. Baptista Júnior afirma que, em um dos encontros após a derrota, o ex-presidente disse a ele: "BJ, eu já te dei dois cartões amarelos".
Nordeste recebe bem Alfredo Gaspar
A escolha do alagoano Alfredo Gaspar para compor como vice a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro começa a produzir repercussão política no Nordeste. A própria estratégia da campanha atribuiu a Gaspar a missão de reforçar os palanques da região, onde o bolsonarismo historicamente encontra maiores dificuldades.
Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e deputado federal, Gaspar chega à chapa com forte identificação com a área de segurança pública e com atuação política construída no Nordeste.
Tá faltando grana
Os dias estão correndo e a eleição se aproximando. Com isso, começam também a vencer os prazos dos acordos, aumentar as cobranças e crescer a tensão dentro das coligações. O problema é que, em alguns grupos, está faltando dinheiro para cumprir compromissos assumidos durante a montagem das alianças.
Quando a grana aperta, a fidelidade política costuma ser colocada à prova. Lideranças começam a reclamar, apoios ficam menos firmes e surgem as chamadas “traições”, quase sempre justificadas por promessas não cumpridas. Na reta final de uma eleição, dinheiro, estrutura e compromisso caminham juntos e quando um deles falha, a aliança pode começar a desmoronar.
Epa!
Vai começar logo o Guia Eleitoral gratuito, nas rádios e televisões. Recomenda-se retirar menores de 18 anos nos horários de exibição.
AssessorIA
Para refletir
Alagoas vai escolher entre dois nomes para governador. Ambos testados e aprovados. A decisão de qual é somente do eleitor.
PT e PF em confronto
As investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, começam a provocar desconforto e tensão entre setores do Partido dos Trabalhadores e a cúpula da Polícia Federal.
Parte dos petistas considera que as apurações ganharam dimensão política e passaram a alimentar a campanha dos adversários. A Polícia Federal, por sua vez, sustenta sua independência institucional e afirma estar apenas cumprindo o dever de investigar suspeitas que chegaram aos seus agentes.
Dinheiro contado em casa
Entre os objetos apreendidos pela Polícia Federal durante uma nova fase da Operação Sem Desconto, um deles chamou especialmente a atenção: uma máquina de contar dinheiro.
O equipamento foi localizado em um dos endereços relacionados aos alvos da investigação, que alcançou familiares e pessoas ligadas a um senador da República. A pergunta é inevitável: qual seria a utilidade de uma máquina desse tipo dentro de um imóvel residencial?
Mulher não entra
Enquanto outras unidades da Federação avançam na presença feminina nos principais cargos políticos, Alagoas continua preservando uma estrutura de poder essencialmente masculina.
O Estado nunca teve uma mulher eleita governadora ou vice-governadora. Também jamais uma deputada presidiu a Assembleia Legislativa, apesar de as mulheres participarem da Casa desde 1934, quando Lily Lages se tornou a primeira deputada estadual alagoana. Na Câmara dos Deputados, a situação é ainda mais reveladora: toda a bancada federal de Alagoas é formada por homens. No Senado, tem Eudócia Caldas, que não foi votada.
Não falta competência feminina. Falta romper um sistema político que continua tratando o poder como propriedade dos homens
Hora de falar
Setores da imprensa têm cobrado do prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha, um posicionamento sobre as investigações envolvendo o Banco Master e a previdência da capital. A cobrança é legítima como exercício jornalístico, mas é preciso também observar os limites da responsabilidade de quem assumiu recentemente o comando da Prefeitura. O problema não nasceu na gestão de Rodrigo Cunha. É uma questão herdada, relacionada a decisões anteriores, e que agora está sob investigação da Polícia Federal. Nesse momento, qualquer declaração precipitada do prefeito poderia mais atrapalhar do que esclarecer. Há assuntos em que o silêncio não significa omissão. Significa prudência
O protagonista
Quando forem contados os votos saídos das urnas, os números certamente trarão surpresas, comemorações e decepções. Os derrotados terão de recolher as mágoas, refazer projetos e, em muitos casos, acertar a extensa conta política acumulada. com aqueles que os socorreram na difícil busca por um mandato. Há os que aparecem de última hora, impulsionados por circunstâncias, alianças ocasionais ou pelo vento favorável de uma determinada eleição. Mas existem também aqueles que construíram sua força ao longo do tempo, plantando presença política, estrutura eleitoral, alianças municipais e capacidade de articulação.
No confuso e ainda mutável cenário eleitoral de Alagoas, Arthur Lira chega à disputa pelo Senado carregando exatamente esse patrimônio político.
Apressando o andor
A imprensa, muitas vezes na pressa de antecipar os fatos, acaba anunciando movimentos políticos que nem os próprios políticos imaginam. Falar agora em uma futura disputa entre Renan Calheiros e Arthur Lira pela Presidência do Senado é, no mínimo, exercício de especulação.
Primeiro, é preciso saber quem estará no Senado e como ficará a composição dos 81 integrantes da Casa. Em tese, qualquer senador poderá entrar na disputa, inclusive os dois alagoanos. A impressão é que se tenta antecipar mais um embate entre Renan e Lira só pra provocar.
Epa!
Tem uma pedra no meio do caminho do candidato JHC. Há quem diga que não seria apenas uma pedra, mas uma “pedreira”
Assessoria
Para refletir:
Os ultrapassados “coronéis” dos votos ainda se imaginam poderosos. Mas agora é o povo que manda.
Habemos Senatum
A saída de Alfredo Gaspar da disputa pelo Senado, depois de ser anunciado candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, mexe profundamente com o cenário político de Alagoas. O deputado aparecia entre os nomes mais competitivos e, em alguns levantamentos, liderava a corrida por uma das duas cadeiras.
Sem Alfredo, desaparece o principal elemento de desequilíbrio da eleição. A disputa perde peso, contraponto e novidade. O caminho fica muito mais aberto para os dois maiores grupos políticos do Estado.
Arthur Lira e Renan Calheiros passam a ocupar uma posição amplamente favorável. Lira reúne estrutura partidária, bases municipais e influência nacional. Renan, mesmo enfrentando forte rejeição em determinados segmentos, conserva uma organização política consolidada no interior e experiência em sucessivas disputas majoritárias.
Ainda não se pode proclamar oficialmente o resultado. Politicamente, porém, já há quem anuncie: “Habemos Senatum”!
É preciso ter cuidado
A situação política no Agreste e no Sertão de Alagoas começa a despertar preocupação. A campanha ainda está entrando em sua fase decisiva, mas os ataques entre adversários já subiram de tom e ultrapassam, em alguns momentos, os limites do debate democrático. Há municípios onde disputas eleitorais continuam misturadas a antigas rivalidades familiares, interesses econômicos e grupos acostumados a exercer o poder pela intimidação. É o chamado coronelismo caboclo, que muitos imaginavam superado, mas que ainda demonstra força em determinadas regiões.
O cenário se torna mais delicado porque o governador Paulo Dantas está no centro da articulação política governista e participa diretamente dos confrontos com seus adversários. Sua influência no Agreste e no Sertão, regiões onde construiu parte importante de sua trajetória, transforma cada embate em uma disputa de grande repercussão estadual.
A troca recente de acusações e ataques entre os principais grupos políticos confirma que a campanha tende a ser dura. O próprio Tribunal Regional Eleitoral já intensificou sua atuação sobre conteúdos publicados nas redes sociais e adotou medidas para preservar provas digitais, demonstrando preocupação com os excessos desta eleição.
É necessário que o governador, os candidatos e seus aliados reduzam o tom. Lideranças públicas têm responsabilidade sobre as palavras que utilizam e sobre as reações que podem provocar entre seguidores mais exaltados.
Alagoas conhece muito bem as consequências da violência política. Não pode permitir que antigas práticas retornem disfarçadas de paixão eleitoral.
A disputa deve ser travada nas urnas, nas propostas e no debate público. Quando ameaças, intimidações e demonstrações de força entram em cena, quem perde não é apenas um candidato. Perde a democracia
No debate Renan leva vantagem
É possível que haja apenas um grande debate entre os candidatos ao Governo de Alagoas: o promovido pela televisão no encerramento da campanha. Mesmo que outras emissoras e entidades organizem encontros, permanece a dúvida sobre a participação de JHC.
O ex-prefeito construiu uma comunicação eficiente nas redes sociais, com vídeos rápidos, peças bem produzidas e ataques cuidadosamente editados. Um debate ao vivo, porém, é outro campo de disputa. Não há edição, repetição da fala nem proteção contra perguntas incômodas.
Renan Filho parece levar vantagem nesse formato. Foi governador durante dois mandatos, comandou o Ministério dos Transportes e conhece profundamente a estrutura administrativa e os problemas de Alagoas
Nas redes sociais, JHC é um adversário difícil. No confronto direto, o jogo poderá ser bem diferente.
Epa!
Um senador manter em casa uma “máquina de contar dinheiro” é sinal que o “faturamento” tem sido robusto. É a República apodrecida
Assessoria
Para refletir
Por um voto em branco, você está dizendo que você tem uma consciência política, mas você não concorda com qualquer um dos partidos existentes
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A força da renovação
O jovem político Davi Davino Filho é, entre os candidatos ao Senado, o nome que mais representa uma mudança verdadeira no cenário eleitoral majoritário de Alagoas. Além da juventude e da capacidade de diálogo, carrega uma trajetória pública irretocável, qualidade que falta a boa parte dos seus adversários.
Sua candidatura tem conseguido mobilizar, tanto na capital quanto no interior, uma expressiva parcela de jovens eleitores que se encontrava desencantada com a política e cansada dos mesmos personagens tradicionais. Davi surge como uma alternativa de renovação, capaz de devolver entusiasmo a quem já não acreditava que novos nomes pudessem ocupar espaço nas grandes disputas eleitorais do Estado.
A eleição da descrença
É provável que as próximas eleições registrem um dos maiores índices de abstenção da história. O eleitor está desmotivado, descrente das instituições, cansado dos mesmos discursos e sem encontrar, entre os candidatos apresentados, nomes que verdadeiramente representem seus anseios. Quando a política perde credibilidade e as opções não despertam esperança, o cidadão acaba escolhendo ficar em casa. A abstenção, nesse cenário, deixa de ser apenas ausência e passa a funcionar como um silencioso e preocupante voto de protesto.
Cumprindo a meta
O Governo de Alagoas já cumpriu quase 80% das promessas apresentadas durante a campanha eleitoral. O índice merece destaque, sobretudo porque cumprir compromissos assumidos com o eleitor ainda é fato raro no cenário político nacional. Mais do que números, o resultado revela planejamento, continuidade administrativa e respeito à palavra empenhada nas urnas. Em um país onde promessas costumam desaparecer depois da eleição, transformar propostas em ações concretas é uma conquista que precisa ser reconhecida.
Chama o papai
No lançamento de sua candidatura à Presidência da República, Ronaldo Caiado tratou de marcar distância do bolsonarismo familiar e deixou claro que a sua direita não é a de Flávio Bolsonaro. Com ironia e sem meias-palavras, expôs a principal fragilidade do adversário: a dependência absoluta do pai.
Flávio pode carregar o sobrenome, herdar o eleitorado e repetir o discurso, mas ainda não demonstrou possuir liderança, densidade política ou luz própria para enfrentar uma disputa presidencial. Sem Jair Bolsonaro ao lado, sobra pouco além do nome. Diante da provocação de Caiado, a resposta parece inevitável: chama o papai.
O silêncio do interior
Há uma enorme expectativa sobre o que virá das urnas no interior de Alagoas. Entre o silêncio do voto e as festas numerosas promovidas por cada candidato, quase sempre frequentadas pelo mesmo público cresce o sussurro de que muitas surpresas poderão aparecer.
Seria o cansaço com os mesmos nomes de sempre? O desejo de mudar, ainda que apenas para ver se melhora? Ou estaria chegando ao fim o poder dos antigos “chefetes eleitorais”, que durante décadas decidiram o voto de comunidades inteiras?
Ninguém sabe ao certo. No interior, o eleitor aprende cedo a ouvir, observar e esconder sua verdadeira escolha. Por isso, quando as urnas forem abertas, poderá acontecer de tudo. Inclusive nada.
Vai ser esquecido
Paulo Dantas é uma liderança do pequeno Sertão que só se tornou conhecido ao chegar ao Governo de Alagoas. Faz uma administração positiva, com realizações que merecem reconhecimento, mas corre o risco de ser rapidamente esquecido quando deixar o poder.
Cheguei a sugerir a dois importantes assessores do governador a criação de um marco que preservasse sua memória, especialmente em sua região de origem. Um memorial, por exemplo, como Penedo fez com Raimundo Marinho. Nenhum dos dois deu importância à ideia. Talvez ainda não tenham compreendido que o poder passa depressa e que a memória pública precisa ser construída enquanto há tempo. Quando o governo acabar, muitos dos que hoje cercam Paulo Dantas também desaparecerão. Largarão o poder e, certamente, largarão junto, aquele que lhes deu emprego, prestígio e visibilidade. Assim é a vida. No poder, todos são amigos. Depois dele, quase ninguém se lembra.
Epa!
Polícia Rodoviária Federal inicia operação “caça malas”. Nas rodovias a busca é dinheiro escondido para comprar votos.
Para refletir
Tem candidato em Alagoas que está se achando mais importante que o jumento que carregou Jesus. Vai levar um tombo!
Davi Davino não é “azarão”
Tratar Davi Davino como “azarão” na disputa pelo Senado pode ser um erro de avaliação. Em uma eleição com grande número de indecisos, ele entra no jogo com potencial de crescimento e capacidade para se tornar competitivo.
Na capital, onde construiu parte importante de sua base política, poderá figurar entre os mais votados. E, se contar com o apoio efetivo de JHC na disputa pelo Governo de Alagoas, ganhará estrutura, visibilidade e força eleitoral para enfrentar em igualdade de condições os velhos donos dos votos.
Davi não deve ser visto como figurante. Dependendo das alianças e do comportamento do eleitorado, pode deixar para trás candidatos que hoje se consideram favoritos apenas pelo peso do sobrenome e pelas antigas estruturas de poder.
Os jovens ficam fora
As estatísticas revelam que, nos últimos dez anos, cresceu consideravelmente o desinteresse dos jovens entre 16 e 26 anos pela política. A descrença nas instituições, a falta de confiança nos representantes públicos e os sucessivos escândalos de corrupção ajudam a explicar esse afastamento.
Os partidos políticos, por sua vez, pouco ou nada fizeram para promover uma renovação verdadeira. Continuam controlados pelos mesmos grupos, repetindo velhas práticas e oferecendo aos jovens apenas espaços decorativos, sem voz, influência ou participação efetiva nas decisões.
Depois, os mesmos partidos se surpreendem com a abstenção, o voto nulo e a indiferença. Os jovens não abandonaram a política por acaso. Foram afastados por um sistema que envelheceu, fechou as portas para a renovação e perdeu a capacidade de inspirar confiança.
Renan pode surpreender
Sempre levantei dúvidas sobre a reeleição do senador Renan Calheiros, especialmente por sua longevidade nas urnas e pela natural tendência de renovação do eleitorado.
Acompanho pouco as pesquisas, até porque não deposito nelas grande confiança. Muitas vezes, seus resultados parecem variar conforme os interesses de quem as encomenda e paga.
Mas viajei recentemente por 14 municípios alagoanos e voltei com uma impressão muito diferente daquela que tinha antes. Pelos sinais que colhi nas ruas, nas conversas e nos ambientes políticos, Renan Calheiros poderá terminar a eleição como o candidato mais votado para o Senado.
Nesse cenário, a segunda vaga seria disputada por Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Davi Davino Filho e José Wanderley, nessa ordem de possibilidade, segundo a percepção que formei durante a viagem.
Não se trata de pesquisa científica, mas de sentimento eleitoral. E, muitas vezes, os sintomas das ruas antecipam aquilo que os números demoram a revelar.
A história pode se repetir
Fui testemunha e partícipei de um processo eleitoral traumático em 1986. De um lado, havia organização, candidatos definidos, alianças costuradas e apoios robustos. Do outro, sobravam conflitos internos, indefinições, vaidades e uma disputa de egos que terminou cobrando um preço alto nas urnas.
Quarenta anos depois, o cenário começa a apresentar semelhanças inquietantes. O MDB e seus aliados já estão organizados para a disputa, com nomes, sobrenomes, palanques e estratégias praticamente definidos.
No campo adversário, permanece a candidatura do “eu sozinho” de JHC, cercada por rusgas com Arthur Lira, Alfredo Gaspar e outros aliados apreensivos, sem saber exatamente o que virá, ou sequer se virá.
De pai pra filho
Flávio Bolsonaro começa a repetir o roteiro que marcou a trajetória política do pai: lançar suspeitas sobre as urnas eletrônicas antes mesmo da realização da eleição. Em encontro com diplomatas, o senador e pré-candidato à Presidência defendeu uma presença maior de observadores internacionais no pleito brasileiro e levantou dúvidas sobre a segurança do sistema de votação.
Na tentativa de justificar suas desconfianças, Flávio associou as urnas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic. A informação, no entanto, foi desmentida: a empresa não fabrica nem fornece as urnas utilizadas nas eleições brasileiras. Após a repercussão negativa, o senador tentou suavizar as declarações, afirmando que não pretendia colocar em dúvida o processo eleitoral.
Epa!
Na política sem a juventude, não existe renovação. E sem renovação, a política continuará presa ao passado, feita para os velhos políticos.
Assessoria
Para refletir
Num estado democrático existem duas classes de políticos: os suspeitos de corrupção e os corruptos.
As podres emendas
As decisões do ministro Flávio Dino que determinaram o bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto e do ex-deputado Eduardo Cunha, no âmbito das investigações sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares, recolocam um dos temas mais delicados da política nacional no centro do debate. As investigações ainda estão em andamento e os envolvidos negam irregularidades.
O problema não está na existência das emendas parlamentares, mas na suspeita de que, em determinados casos, elas tenham servido para alimentar um sistema de influência política sem a transparência exigida pela Constituição e pela sociedade.
Ninguém me contou, eu vi
As imagens que circulam nas redes sociais mostram grandes públicos nas caminhadas e eventos de pré-campanha de JHC e Renan Filho pelo interior de Alagoas. Houve quem afirmasse que eram montagens ou que parte das pessoas teria sido "importada" de outras cidades. Pelo que vi, essas versões não procedem.
Acompanhei alguns desses eventos, conversei com eleitores e fiz minhas checagens. As imagens são reais. Tanto JHC quanto Renan Filho têm conseguido reunir um número expressivo de participantes em suas agendas.
Mas é preciso fazer uma ressalva. Campanha não se mede apenas pelo tamanho da festa. O eleitor costuma prestigiar eventos de vários candidatos, especialmente no interior. Vai por curiosidade, amizade, tradição ou para acompanhar o momento político.
Palmeira, a Saúde na UTI
A situação da saúde pública em Palmeira dos Índios preocupa cada vez mais a população. Multiplicam-se as reclamações sobre a falta de profissionais, medicamentos e equipamentos, além de relatos de dificuldades no atendimento em unidades de saúde. Em alguns casos, usuários afirmam que serviços foram suspensos ou funcionam de forma precária.
O clima entre os moradores é de apreensão. O receio é que a deterioração da estrutura comprometa ainda mais a assistência à população, sobretudo nos casos de urgência e emergência, aumentando o risco de consequências graves para os pacientes.
Diante desse cenário, cresce a cobrança por uma manifestação da prefeita Júlia Silva e da Secretaria Municipal de Saúde. A população espera explicações, providências e um plano de ação capaz de restabelecer a normalidade do atendimento antes que a crise se aprofunde.
Liberdade de imprensa
O senador e pré-candidato ao Governo de Alagoas, Renan Filho, defendeu enfaticamente a liberdade de imprensa durante encontro com jornalistas.
“Quero agradecer à imprensa alagoana, pela qual tenho grande respeito. Vivemos em um país com uma imprensa livre, diversa e participativa”, afirmou.
Renan também criticou tentativas de intimidação de jornalistas por meio de ações judiciais em série, classificando-as como uma afronta à liberdade de expressão e ao direito da sociedade de ser informada.
A imprensa livre, plural e independente é um dos pilares da democracia. Quando o direito de informar é ameaçado, enfraquecem-se a transparência, o controle social e a própria democracia.
Equipe jurídica não ganha eleição
Em mais de meio século acompanhando campanhas eleitorais, tenho visto que, muitas vezes, uma equipe jurídica atrapalha mais do que ajuda, quando tenta ocupar o espaço da política.
É o que parece ocorrer com um dos candidatos ao Governo de Alagoas. Processar jornalistas, tentar censurar veículos de comunicação e judicializar qualquer crítica pode provocar danos políticos graves e até irreversíveis.
A reação já começa a aparecer: cresce a solidariedade entre profissionais da imprensa, enquanto aumenta o desgaste do candidato que permite que advogados, sem compreensão da dinâmica política, assumam o comando de questões que deveriam ser tratadas com diálogo, equilíbrio e inteligência.
Epa!
“Quem acredita que vence uma eleição sozinho, confiando apenas no próprio prestígio, já começou a perder para a própria arrogância.”
Para refletir :A corrupção política é apenas uma consequência das escolhas do povo.
O traidor e os traídos
Na política, a fidelidade costuma durar até o momento em que os interesses mudam. Em Palmeira dos Índios, um episódio recente ilustra bem essa realidade.
O ex-prefeito e radialista Júlio Silva construiu sua trajetória contando com importantes aliados políticos. Entre eles, os deputados Paulão e Marx Beltrão, que direcionaram recursos para a administração municipal e estiveram ao seu lado em diferentes momentos, apoio frequentemente reconhecido em discursos e atos públicos.
Agora, porém, o cenário mudou. Ao lançar sua própria candidatura ao cargo de deputado federal, decisão atribuída por adversários à estratégia política do grupo governista estadual, Júlio rompeu com antigos aliados e abriu uma disputa direta com aqueles que, até pouco tempo, eram seus principais parceiros.
Sobra um
A corrida pelo Senado em Alagoas vai, aos poucos, deixando de ser uma incógnita para assumir o desenho de uma disputa de alta intensidade entre três nomes: Arthur Lira, Alfredo Gaspar e Renan Calheiros. As pesquisas divulgadas até agora repetem o mesmo roteiro: Lira e Gaspar aparecem em posição confortável, enquanto Renan trava uma batalha para não ficar de fora das duas vagas.
O dado político mais relevante não é apenas a liderança de Arthur Lira e Alfredo Gaspar, mas a possibilidade real de Renan Calheiros, um dos personagens mais influentes da política brasileira nas últimas décadas, encerrar sua longa trajetória no Senado. Se a fotografia das pesquisas se transformar no filme das urnas, Alagoas assistirá ao fim de um ciclo político que atravessou gerações e redefinirá o mapa de poder no Estado.
Vão faltar propostas e sobrar agressões
A campanha eleitoral ainda nem começou oficialmente, mas os primeiros movimentos já indicam o tom da disputa. Em vez do debate sobre projetos, ideias e soluções para os problemas de Alagoas, a tendência é de uma escalada de ataques pessoais, acusações e tentativas de desconstrução dos adversários.
Infelizmente, a política parece caminhar para mais uma eleição em que o eleitor será bombardeado por agressões, enquanto propostas concretas para áreas como saúde, educação, segurança, geração de empregos e desenvolvimento ficarão em segundo plano. Quem apostar apenas na guerra de narrativas pode até conquistar manchetes, mas dificilmente conquistará a confiança de um eleitor cada vez mais cansado da velha política do confronto permanente.
Não colou
Bem que os adversários políticos tentaram, em Alagoas e em Brasília, colocar o ex-prefeito JHC no centro da polêmica envolvendo o IPREV e o Banco Master. A estratégia era clara: transferir ao ex-gestor o desgaste de um caso que ganhou repercussão nacional.
Até aqui, porém, a narrativa não prosperou. As decisões judiciais afastaram qualquer responsabilização de JHC pelos fatos investigados, frustrando a tentativa de vinculá-lo ao episódio.
Isso, no entanto, dificilmente encerrará o assunto. Em período eleitoral, fatos políticos costumam ser requentados sempre que interessam ao embate entre adversários.
Distribuindo benefícios
O deputado Arthur Lira é, de longe, um dos políticos alagoanos com maior presença na entrega de benefícios aos municípios do interior. Máquinas, equipamentos e recursos federais têm chegado a diferentes regiões, especialmente para fortalecer prefeituras, comunidades rurais e trabalhadores da agricultura familiar.
O próprio Lira costuma dizer que não sobe em trator apenas para posar para fotografia. Segundo ele, sua ação tem outro alcance: distribuir equipamentos, atender quem precisa e ajudar a construir o progresso das regiões e das pessoas.
Ângela Garrote
A deputada estadual Ângela Garrote caminha para a renovação de seu mandato com uma base eleitoral consolidada, especialmente nos municípios do Agreste alagoano, onde mantém forte presença política e uma atuação reconhecida por seus apoiadores.
Em Estrela de Alagoas e Palmeira dos Índios, a expectativa é de uma votação expressiva, reflexo de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos. A parlamentar também se destaca pela atuação na área social, com ações voltadas principalmente às comunidades de maior vulnerabilidade, o que contribui para fortalecer sua presença política na região.
Epa!
“Os saques em dinheiro, nos bancos, estão aumentando muito, todos os dias. E não é para comprar verduras”.
Pedro Oliveira
por Pedro Oliveira
Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão, membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.