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Dora Tupinambá*
Há episódios que, à primeira vista, parecem não guardar qualquer relação entre si. Acontecem em lugares diferentes, envolvem pessoas diferentes e nascem de circunstâncias completamente distintas.Mas basta olhar um pouco além da superfície para perceber que contam exatamente a mesma história.
Foi essa sensação que tive ao acompanhar, nos últimos dias, dois episódios que ganharam repercussão nacional e regional.
Em Manaus, a ex-primeira-dama Isabelle Fontenelle Almeida foi alvo de comentários que insinuavam que a dor pela perda do filho estaria sendo utilizada para favorecer o projeto político do marido, David Almeida. Independentemente das disputas eleitorais, considero inaceitável que o luto de uma mãe seja colocado sob suspeita ou transformado em instrumento de disputa política.
Em Brasília, Michelle Bolsonaro tornou pública a dor provocada pela relação conturbada com os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, relatando episódios de desrespeito e constrangimento que, segundo ela, marcaram sua convivência familiar.
À primeira vista, são histórias distintas.
Para mim, não são.
O que me chama a atenção é o padrão.
Quando uma mulher ocupa um espaço de influência — na política, na vida pública ou simplesmente ao lado de um homem que exerce liderança — ela passa a ser observada por lentes muito mais severas do que aquelas direcionadas aos homens. Mais cedo ou mais tarde, surgem aqueles que acreditam ter o direito de diminuí-la, constrangê-la, ridicularizá-la ou tratá-la como se fosse propriedade de alguém.
O partido muda.
A ideologia muda.
O machismo permanece.
Há um componente, porém, que talvez muitos ainda não consigam enxergar.
Isabelle Fontenelle Almeida é jovem. E, neste país, mulheres jovens quase nunca recebem o benefício da confiança. Recebem desconfiança.
Se ocupam um espaço de destaque, logo aparecem os que insinuam que não merecem estar ali. Como se juventude fosse sinônimo de incompetência. Como se uma mulher precisasse envelhecer para conquistar o direito de ser respeitada. Como se tivesse de pedir licença para existir.
Além disso, Isabelle divide a vida com David Almeida, uma das principais lideranças políticas do Amazonas. Como qualquer homem público, ele está sujeito à crítica e ao confronto de ideias. É assim que funciona a democracia.
O que não faz parte da democracia é transformar sua esposa em instrumento da disputa política.
Faço questão de registrar minha admiração por Isabelle. Não apenas porque compartilhamos o mesmo campo político no Amazonas, mas porque aprendi, ao longo da vida, a reconhecer a dignidade de mulheres que ocupam espaços permanentemente submetidos ao julgamento público.
Vejo nela discrição, serenidade e uma postura que jamais justificariam o tipo de exposição a que foi submetida.
Minha solidariedade nasce dessa convivência política, é verdade. Mas nasce, sobretudo, de um princípio que considero inegociável: nenhuma mulher deve ser humilhada para que adversários obtenham dividendos políticos.
Foi exatamente esse princípio que me fez refletir também sobre Michelle Bolsonaro.
Michelle nunca representou minhas ideias políticas. Provavelmente jamais representará.
Continuarei combatendo, no campo democrático, o projeto político que ela defende. Porque democracia também é confronto de ideias e de projetos de país.
Mas nenhuma divergência ideológica autoriza ataques misóginos, humilhações ou qualquer forma de violência dirigida a uma mulher.
Não preciso concordar com Michelle Bolsonaro para defender seu direito de ser tratada com respeito.
Da mesma forma, não preciso compartilhar cada aspecto da trajetória de Isabelle Fontenelle Almeida para reconhecer quando uma mulher é transformada em alvo da arrogância masculina.
Há quem imagine que o machismo usa camisa partidária.
Não usa.
Ele veste a roupa que lhe convém.
Pode aparecer dentro de uma família, em um gabinete de Brasília, em um estúdio de televisão, em um gabinete de Manaus ou na mesa de um bar.
Seu método é sempre o mesmo.
Diminuir mulheres para reafirmar o poder masculino.
Falo com a autoridade de quem conhece esse roteiro.
Sou amazônida.
Sou jornalista.
Sou mulher.
Construí minha carreira em redações onde, durante muito tempo, as decisões importantes tinham voz, rosto e sobrenome masculinos. Aprendi que competência, para uma mulher, quase nunca basta. É preciso prová-la todos os dias.
Também fui mãe enquanto construía minha profissão. Aprendi a equilibrar a responsabilidade de criar meus filhos com a cobrança permanente de demonstrar eficiência, firmeza e competência. Cobranças que, curiosamente, raramente recaem com a mesma intensidade sobre os homens.
Depois vieram os anos no movimento sindical.
Presidir um sindicato sendo mulher significou enfrentar olhares que, muitas vezes, toleravam minha presença, mas não aceitavam minha liderança.
Conheço esse roteiro.
Talvez por isso eu o reconheça tão facilmente quando ele se repete na vida de outras mulheres.
O feminismo em que acredito não distribui dignidade conforme o partido.
Não escolhe quais mulheres merecem respeito.
Não estabelece uma hierarquia entre vítimas.
Dignidade não é prêmio ideológico.
É um direito.
Mulheres não precisam pensar como eu para que eu reconheça sua humanidade.
Não precisam votar nos mesmos candidatos.
Não precisam compartilhar minha visão de mundo.
Basta que sejam mulheres submetidas a um tratamento que jamais seria dispensado a um homem na mesma circunstância.
A política brasileira ainda precisa aprender que mulheres não são extensão dos homens.
Não são troféus.
Não são patrimônio.
Não são escudos.
Muito menos campo de batalha para guerras travadas por egos masculinos.
Depois de tantos anos vivendo o jornalismo, a política e a vida pública, aprendi uma lição que o tempo apenas confirmou.
O machismo muda de discurso para sobreviver.
Às vezes se apresenta como brincadeira.
Às vezes como ironia.
Às vezes como estratégia política.
Mas continua perseguindo o mesmo objetivo: lembrar às mulheres que, para alguns homens, o poder ainda lhes pertence.
Lamento informar.
Nós não pediremos licença.
Nunca mais.
*Dora Tupinambá é jornalista, amazônida, feminista, mãe, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (Sinjor-AM) e professora universitária. Há mais de quatro décadas acompanha a política, a comunicação e as transformações sociais da Amazônia, sempre na defesa da democracia, da justiça social e dos direitos das mulheres.
Erika Freire*
Escrever sobre a maternidade solo no Brasil é dar voz a uma multidão que muitas vezes grita em silêncio. No país, milhões de lares são chefiados exclusivamente por mulheres que transformam a escassez em milagre cotidiano.
Ser mãe solo no Brasil não é um "estado civil". É uma estrutura de sobrevivência imposta, um malabarismo diário sobre um abismo que a sociedade insiste em ignorar. É carregar o mundo nas costas enquanto o Estado fecha as portas e a sociedade olha para o lado. Milhões de brasileiras conhecem a matemática cruel de subtrair o próprio prato para somar na mamadeira do filho, uma conta que nunca fecha, onde o resto é sempre o cansaço, a privação e o silêncio.
A invisibilidade dessas famílias não é um acidente; é um projeto de omissão. Vivemos em um país onde a ausência de políticas públicas eficazes empurra a mulher para a vulnerabilidade extrema. Faltam creches com horários que respeitem a jornada de quem precisa trabalhar e falta o amparo legal que não apenas cobre a pensão, mas que puna o abandono afetivo e material, que hoje é a regra, não a exceção.
Essa omissão estatal reflete diretamente no bolso. O impacto financeiro não é apenas sobre "ter pouco dinheiro", mas sobre uma penalização sistemática. Dados de 2026, do IBGE, confirmam que mães solo ganham, em média, 40% menos do que pais casados. Em regiões como o Nordeste, a renda per capita dessas famílias muitas vezes não chega a meio salário mínimo, transformando o direito básico à alimentação em um luxo alcançado com sacrifício.
O mercado de trabalho opera como um tribunal silencioso. Existe um viés discriminatório que enxerga a mãe solo como um "risco", empurrando 22% dessas mulheres para a informalidade ou para o serviço doméstico, segundo o IBGE. Sem FGTS, sem férias e sem segurança previdenciária, elas vivem o presente no limite e o futuro sem garantia. Quando o poder público e as empresas falham, eles dizem a essa mulher que a sobrevivência de uma criança é um problema individual dela, e não uma prioridade da nação.
A sociedade, por sua vez, romantiza essa exaustão. Chamam-na de "guerreira" para não terem que chamá-la de "sobrecarregada". Chamam de "dom" o que na verdade é falta de opção. A criação de uma criança deveria ser um pacto coletivo, mas o que vemos é a cumplicidade do silêncio que protege o pai ausente e julga a mãe que luta.
Dentro deste universo de solidão, há um isolamento ainda mais severo: o das mães atípicas. Para quem cuida de filhos com deficiência ou neurodivergências, a jornada solo é uma maratona sem linha de chegada e com custos multiplicados. Medicamentos, terapias e adaptações consomem fatias desproporcionais de orçamentos já escassos.
Para a mãe atípica, a renúncia é total. Muitas são impedidas de ter um emprego fixo pela falha do Estado em prover educação inclusiva e suporte terapêutico. Elas se tornam enfermeiras, advogadas e escudos em tempo integral, vivendo no limite do esgotamento físico e financeiro. Se a mãe solo é invisibilizada, a mãe atípica é, por vezes, apagada da engrenagem social.
Nesse cenário de abandonos, a rede de apoio que permite a essas mulheres sustentar seus lares e transformar escassez em dignidade não vem de políticas estruturadas, mas de outras mãos femininas. Quem cuida dos filhos das mães solo são, majoritariamente, as avós, muitas vezes também solo e exaustas, ou as vizinhas, em um pacto silencioso de solidariedade periférica. É essa corrente invisível de mulheres que permite à mãe solo sair para trabalhar, enquanto outra mulher assume a missão de educar e proteger. No Brasil, o cuidado é um fardo partilhado apenas entre quem sente a mesma dor, evidenciando que a rede de apoio não é um sistema de suporte, mas um remendo heróico para cobrir a ausência de um Estado omisso e de uma sociedade que se recusa a co-responsabilizar-se.
A realidade é que criar um filho no Brasil pode custar mais do que se pode pagar, e a mãe solo arca com isso enquanto abre mão de sua própria evolução profissional e saúde mental. Sem capacidade de poupança, qualquer imprevisto, uma doença ou um conserto torna-se uma catástrofe financeira.
É a jovem que teve que virar gigante aos 16 anos; é a mulher que escolhe entre o leite do filho ou o próprio almoço; é a mãe que carrega o laudo do filho debaixo do braço implorando por dignidade. O Brasil é sustentado por essas mãos que criam sozinhas. Ser mãe solo é o maior ato de resistência deste país, mas já passou da hora de deixarmos de ser resistência para sermos, finalmente, assistidas, respeitadas e ouvidas. Não somos "heroínas" de uma tragédia; somos cidadãs exigindo o direito de não sermos as únicas a segurar o céu.
*Mãe de uma menina, Presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/AL, advogada, palestrante, defensora dos direitos das mulheres e da família, estrategista política, coproprietária do podcast “ Gabinete Secreto”, sócia do MBA Eleições 360°, Membro das associações AMADA, ABMCJ, AMJA, apoiadora do projeto Medida Preventiva.
Texto publicado na edição 102 da revista Painel Alagoas
Redação Painel Alagoas com Assessorias*
Uma pesquisa divulgada pelo IBGE traz um alerta preocupante para Alagoas. O número de estudantes de 13 a 17 anos que relatam ter sofrido violência sexual aumentou 47% entre 2019 e 2024. Atualmente, quase 1 em cada 5 jovens no estado já passou por alguma situação em que alguém tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do seu corpo contra a sua vontade.
Em números: o percentual saltou de 12,1% para 17,8% no período. Em Maceió, o aumento foi ainda maior: de 13,1% para 18,4%. No Brasil como um todo, o índice passou de 14,6% para 18,5% – um crescimento de 27%, bem abaixo do observado em Alagoas.
A violência sexual atinge de forma muito mais intensa as estudantes do sexo feminino. Em Alagoas, o percentual de meninas que relataram abuso subiu de 15% em 2019 para 22,8% em 2024 – um aumento de 52%. Entre os meninos, o índice passou de 9,1% para 12,8% (alta de 40%).
Em Maceió, a diferença é ainda maior: entre as meninas, o percentual avançou de 17,4% para 26,3% (51%), enquanto entre os meninos foi de 8,6% para 10,4% (21%). Ou seja, mais de uma em cada quatro alunas da capital já sofreu violência sexual.
O crescimento foi muito mais intenso nas escolas públicas do que nas particulares. Em Alagoas, na rede pública, o índice subiu de 11,9% para 18,4% (alta de 55%). Já na rede privada, o avanço foi bem menor: de 12,7% para 14,8% (16%).
Em Maceió, o contraste é chocante: na rede pública, o percentual saltou de 13,1% para 21,7% (aumento de 66%). Na rede privada, o índice praticamente não mudou: passou de 13,2% para 13,4%.
Os dados mostram que não apenas os casos em geral aumentaram, mas também as situações mais graves. Em Alagoas, o percentual de estudantes que foram ameaçados, intimidados ou obrigados a ter relações sexuais ou outros atos sexuais contra a vontade subiu de 5,1% para 8,9% – um crescimento de 74%. Em Maceió, o índice passou de 5,3% para 7,9% (alta de 49%).
A pesquisa também revela o perfil de quem comete a violência. Na maioria dos casos, o agressor é uma pessoa próxima da vítima. Em Alagoas, os principais grupos identificados em 2024 foram desconhecido (27,2%); outro conhecido não especificado (23,3%); outros familiares (22,4%); namorado, ex-namorado, ficante ou crush (21,8%); amigo (17,6%); pai, mãe, padrasto ou madrasta (8,8%).
Em 2019, o amigo aparecia como principal agressor (31,9%). O dado mostra uma mudança no perfil, mas mantém o alerta: a violência vem, em grande parte, do círculo de confiança da vítima.
Um dado ainda mais preocupante: a maior parte dos episódios acontece na infância. Em Alagoas, 64,7% dos estudantes que sofreram violência sexual relataram que o abuso ocorreu antes dos 13 anos. Em Maceió, essa proporção aumentou de 52,8% em 2019 para 65,9% em 2024 – ou seja, os casos estão acontecendo cada vez mais cedo.
*Publicado originalmente na edição 101 da revista Painel Alagoas
Sem Saida. A guerra vai continuar e o Barril do ouro negro vai bater nos 150 dólares.
O homem que escreveu A ARTE DA NEGOCIAÇÃO meteu os pés pelas mãos e extrapolou de longe a teoria do louco na política das ameaças de destruição total de todos e de tudo que ousar contrariar sua decisão de ser o dono de tudo e de todos no planeta das terras críticas e da inteligência artificial que diverte e come o seu próprio cérebro.
Aparentemente tranquilo e sereno decretou o fim de uma guerra sem falar com os inimigos e muito menos com os aliados do pedaço de terra que governa cada dia com menos apoio e cheiro de enxofre nos meios que lhe davam sustentação política e militar.
Os ratos estão abandonando o barco no Estreito de Hormuz.
O super negociador orgulhoso de sua condição auto assumida de campeão da esperteza e da guerra pela paz mundial foi ingenuamente ludibriado pelo mefistofélico e sanguinário líder da extrema direita de Israel.
Netanyahu não vai desistir de matar todos os Persas Árabes e outras sub raças que impeçam a realização do sonho do Grande Israel prometido aos judeus; donos do dinheiro e do poder mundial no Ocidente à deriva.
Vendeu ao amigo Trump a ideia de vencer uma guerra contra os odiados Ayatollahs e sua guarda revolucionária em duas ou quatro semanas no máximo.
Esta era a previsão do Mossad e dos serviços de inteligência e segurança nacional dos Estados Unidos. CIA e FBI e tudo o mais em Washington transformados em terra arrasada pelas demissões em massa feita por Trump de todos aqueles que o contrariaram em suas gestões anteriores mesmo que fossem os melhores e tivessem cumprido apenas os seus deveres funcionais.
Tocou em Trump ou em sua família foi pro olho da rua. Sobrou o ICE e todos aqueles que lamberam e prometeram continuar lambendo suas botas de cowboy invencível no imaginário eleitoral do MAGA. MAKE AMERICA GREAT AGAIN.
Desastre total.
Seguindo fielmente a cartilha do louco e lobo assustador que come as criancinhas espalhou terror por todo lado: Ameaçou anexar o Canadá e a Groenlândia ao território norte-americano, invadir Venezuela e Cuba e tascar tarifas em todos os negócios internacionais para rechear os cofres dos seus amigos e aliados internos.
A rápida decapitação de Maduro já esquecido em uma masmorra em Nova Iorque onde morreu ou foi morto Epstein, elevou a autoestima de Trump à enésima potência.
Deu certo com a Venezuela vai dar certo com o Irã garantiu o amigo BIBI NETANYAHU.
Não deu certo. O Irã respondeu à altura na troca ensandecida de mísseis e drones e fechou o trânsito mundial do óleo e gás no Estreito agora minado de Hormuz.
Trump percebeu a armadilha. Essa guerra não é minha.Terminamos por aqui mandou avisar aos amigos ayatollahs.
E ainda deu bronca: estão jogando sujo comigo. Atacam todos os dias nossos amigos do Golfo onde investimos bilhões de dólares. E eles não tem nada a ver com isso
Apenas o fundo financeiro do genro de Trump. Jerry Kushner, filho do seu amigo Charles, casado com sua querida e linda filha Ivanka investiu perto de cinco bilhões de dólares nos Emirados Árabes Unidos.
Tudo sendo bombardeado todos os dias pela Guarda Revolucionária do Irã. Seja no Emirado, no Kuaite, na Arábia Saudita, no Catar e em qualquer lugar onde houver " interesses americanos".
Não tem negociação com o artista das negociações: a guerra vai continuar e tudo só vai piorar.
Deus é Grande dizem os muçulmanos.
Arthur Lira está enganando Lula ou Flávio Bolsonaro?
O deputado Arthur Lira tomou o PL do prefeito JHC, no comando da legenda em Alagoas desde 2022.
Fez isso na calada da noite, em Brasília, porque teme que JHC seja candidato ao Senado ou indique sua mãe, já senadora pelo PL, para disputar a reeleição, o que seria natural. Numa artimanha com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, destituiu JHC da presidência estadual da legenda.
Que, diga-se de passagem, o prefeito de Maceió pegou o partido e ampliou suas bases na capital e no estado.
A desconsideração da direção nacional do PL com Jota é uma coisa que ainda será muito falada, mas o que intriga mesmo, agora, é a posição de Arthur Lira nessa jogada. Por que? Vejamos:
Arthur é do PP, da base política de Lula no Congresso Nacional. Ele próprio, Arthur, frequenta o Palácio do Planalto e detém praticamente 90% do comando da Caixa Econômica Federal, com altos cargos de decisão na instituição, sob a indicação e validação do presidente da República.
Espera-se que, com todo esse trânsito no governo federal, Arthur Lira seja lulista na campanha presidencial deste ano. Nesse caso, o que ele prometeu ao PL para que a direção nacional trocasse JHC por algum subordinado dele????
Quem está sendo enganado, Lula ou o PL de Flávio Bolsonaro?
Pergunta no ar: Arthur fará palanque para Flávio ou para Lula em Alagoas?
*Redação Painel Notícias
Lúcio Carril - Sociólogo
Há um debate antigo nas ciências sociais sobre o marco que separou barbárie e civilização. Alguns autores afirmam ser o uso do fogo; outros, a proibição do incesto. Há, ainda, aqueles que consideram a evolução tecnológica, enfatizando não um marco, mas um processo.
O certo é que vivemos em evolução e involução quando se trata de história. Mas há um processo de desenvolvimento irrefreável, como a tecnologia e os acordos tácitos de civilização, que compreendem normas coletivas de convivência e organização social.
Não é possível aceitar o retorno da barbárie como padrão de convivência ou negação de tudo que foi conquistado pelo processo civilizatório.
As relações sociais e políticas não podem se nortear pela recusa do conhecimento adquirido em milhares de anos, que nos fez chegar aqui com um mínimo de tolerância e respeito à diversidade. A modernidade não é a fase posterior à idade das trevas. Ela é resultado do acúmulo de experiências de vida e da história da humanidade.
É um horror ter chegado ao século XXI com parte da sociedade defendendo a barbárie e dela fazendo seu mote de vida.
Que inferno é esse que essa peste camusiana está querendo nos meter?
Não acredito em inferno, mas me inspiro na Divina Comédia de Dante para indicar o Sétimo círculo – Vale do Flegetonte àqueles que insistem em nos fazer voltar às trevas.
Estamos começando 2026, século XXI, e há uma forte campanha pelo retorno à barbárie, com hordas de negacionistas combatendo a ciência e ameaçando se impor pela violência. A primeira vítima escolhida é justamente a ciência, essa senhora de meia idade que já sofreu horrores nas mãos da Santa Inquisição.
Eis que surgem agora novos perseguidores, saídos das catacumbas do protestantismo neopentecostal e das masmorras da ignorância.
Nessa reaparição dos corneteiros das trevas o foco é o conhecimento, novamente. Mais além, está sob ameaça a civilização e tudo que o ser humano alcançou na sua existência. Pode não ser muito, mas não podemos abrir mão da nossa história.
É preciso segurar os bárbaros e devolvê-los ao planeta da sua existência quadrada. Aqui o mundo é redondo e gira.
*Publicado na edição 99 da revista Painel Alagoas
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*Ilza Porto Maia
A admiração é um sentimento bom de ser sentido. Porém, a inveja é justamente o avesso…
Esse é um sentimento podemos considerar desastroso, além de uma perda desnecessária de tempo. Além de somatizar frustração e rancor, despertando o instinto primitivo da raiva ou mesmo de um desejo descontrolado. Sendo inicializado pela admiração, gerado perante uma vontade não realizada, seja sobre conseguir atributos ou qualidades do que o outro é ou possui.
Ainda tem quem acredite e a chame de “inveja boa”, contudo, não consigo concordar com isso. Quando a inveja fica restrita, silenciosa, talvez ainda possa funcionar como impulso para o desenvolvimento de ideias que cheguem a transformação de algo substancial ou mesmo mudança comportamental. Do contrário, quando essa barreira é rompida, não conseguindo ser contida nalgum momento e passa a ser extravasada, através de uma opinião que seja, até exacerbada, logo é transformada certamente em grandes problemas existenciais, públicos e notórios.
Em determinada situação presente, donde um impulso destrutivo muito forte passa a ser vivenciado, o invejoso passa então a viver a vida do outro e isso pode ser danoso, criando conflitos de proporções inesperadas e imagináveis tanto para ele quanto principalmente para o alvo do invejado.
Segundo a doutrina espírita, a inveja pode ser uma manifestação de obsessão espiritual entre encarnados. Muitos acreditam em obcessores desencarnandos, mas os encarnados existem! Dentre sentimentos negativos, criam-se ligações em sintonias mentais que afetam o equilíbrio moral e emocional, resultante em turbulentos contratempos com a probabilidade de se arrastarem por encarnações .
Allan Kardec nos deixou de ensinamento que a elevação do pensamento, através do qual têm força e endereço de entrega certeiro, mais o perdão das ofensas, são caminhos amoráveis para a libertação e a paz interior.
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Por João Aderbal*
Médico*
O amigo e grande jornalista Pedro Oliveira escreveu, com a precisão de quem conhece o peso do tempo na vida pública, que Teotônio Vilela Filho é um nome que transcende a política alagoana. Não por estrépito, mas por permanência; não pelo ruído das disputas, mas pela solidez dos gestos. Ex-senador da República e ex-governador de Alagoas, sua trajetória confunde-se com a de um gestor moderno, pragmático e ético, capaz de unir eficiência administrativa com diálogo político — mantendo a integridade como método, nunca como ornamento.
Quando o 29 de janeiro se anuncia, é como se o apito da Boa Sorte ecoasse na lembrança, soprando votos de bonança ao filho ilustre. Nascido em 1951, em Maceió, mas com o coração plantado em Viçosa, herdou do velho Teotônio — o Menestrel das Alagoas — mais do que o nome: herdou a disciplina da conciliação, o senso democrático e o gosto pela política entendida como missão, essa arte tantas vezes árdua, tantas vezes necessária.
Sua estreia não foi tímida. Entrou pela porta larga do Senado, gesto raro que apenas a confiança popular legitima. O sertão o abraçou, Alagoas o escolheu — e ele soube retribuir com seriedade. De temperamento discreto, às vezes confundido com reserva — ou, na ternura franca dos amigos, “chato com classe” —, cumpriu três mandatos de senador, presidiu o PSDB nacional e alcançou a vice-presidência do Senado. Sempre com o mesmo traço: serenidade como arquitetura, técnica como forma civilizada de governar.
Eleito governador em 2006 e reeleito em 2010, conduziu o Estado entre 2007 e 2015. Preferiu o alicerce ao enfeite. Governou sem fogos de artifício, cuidando do que sustenta. Sua gestão deixou marcas nítidas e duráveis: prioridade à educação, combate persistente à pobreza, obras estruturantes de infraestrutura e parcerias público-privadas que reorganizaram o horizonte do Estado. Houve ainda a busca por estabilidade administrativa e ajuste fiscal — escolhas difíceis num território atravessado por desigualdades antigas, mas indispensáveis para que o futuro tivesse chão.
Ao longo de toda a carreira, Téo Vilela manteve um estilo raro: autoridade e diálogo, técnica e sensibilidade caminhando juntos. A autoridade, nele, nunca precisou do grito; o diálogo jamais foi fraqueza. Por isso, mesmo discreta, sua presença pública carrega a reverência natural reservada aos que ultrapassam o calendário eleitoral e passam a integrar o destino do Estado que serviram.
Diferente de tantos que fazem da política um projeto pessoal interminável, soube a hora de sair. Retirou-se sem alarde, sem escândalos, preservando o bem mais escasso da vida pública brasileira: a credibilidade. Num tempo em que reputações se dissolvem ao primeiro vento, a credibilidade é riqueza moral — talvez a mais rara.
Hoje, pode-se avistá-lo nas caminhadas pela orla, sem guarda-costas, de alma desarmada, apenas a brisa como companhia. Um homem que escreveu, com paciência e competência, um capítulo sólido da história de Alagoas — e que permanece como medida de sobriedade, um refúgio simbólico em tempos de excesso.
Ao fim de sua reflexão, Pedro Oliveira lança a pergunta que muitos formulam em silêncio: não seria a hora de Téo Vilela voltar? A indagação é legítima; nasce do respeito e de uma espécie de saudade cívica que certas figuras inspiram quando atravessam o tempo sem se desgastar.
Pessoalmente, penso que não. E digo isso não por negar sua importância, mas exatamente por reconhecê-la. A posição que ocupa hoje talvez seja a mais acertada — e a mais difícil: a de quem soube sair no momento certo. Num país onde quase ninguém abandona o palco, permanecer fora dele, com dignidade intacta, é também uma forma elevada de serviço público.
Há trajetórias que ganham ainda mais valor quando não se prolongam artificialmente. Téo Vilela construiu, governou, estabilizou, deixou bases. E ao retirar-se sem ressentimento, preservou algo raríssimo: o respeito quase unânime. Sua presença, agora, é pedagógica. Lembra que o poder é passagem, não morada; instrumento, não destino.
Talvez, mais do que voltar, Teotônio Vilela Filho já tenha cumprido plenamente a sua missão. E nesse cumprimento sereno — sem ruído, sem ambição tardia, sem necessidade de aplausos — reside uma parte essencial de sua grandeza. Em tempos de barulho, sua ausência é uma lição.
João Henrique Caldas (JHC) - Prefeito de Maceió
Quando a gente celebra um aniversário sempre há um momento de reflexão, para pensar sobre o que fizemos no passado e no que estamos por conquistar. Hoje, Maceió chega a seus 210 anos com a certeza de muitas conquistas e confiança num novo tempo cada vez melhor. Essa fé, que a gente traz no peito, tem a marca de muito trabalho. De quem acorda cedo e dá duro, todos os dias, para tirar projetos do papel e construir futuro na vida das pessoas.
Esse trabalho que está espalhado por cada canto da cidade, fazendo de Maceió a campeã brasileira em investimentos públicos. É aqui, na capital, que a gente gera mais da metade de todos os empregos que surgem em Alagoas. Nosso grande motor econômico está na indústria do turismo. Com um calendário estruturado, atração de investimentos privados e melhorando os equipamentos públicos, nos tornamos o destino mais buscado do Brasil, acabando com a baixa estação. É Maceió em alta o ano todo!
São investimentos que se transformam no Gigantinhos, o maior programa para a primeira infância do país, com mais de 16 mil vagas de creche. Numa saúde que chega junto, requalificando mais de 90% das unidades em todos os bairros e com políticas que são referências nacionais, como Saúde da Gente e Corujão da Saúde. Inovando com o Olhar da Gente, que está devolvendo a visão a mais de 10 mil pessoas e beneficiando também 27 cidades do interior, com cirurgias de catarata realizadas integralmente no Hospital da Cidade - a mais moderna estrutura de saúde pública do Nordeste.
Essa transformação está no Renasce Salgadinho, uma obra histórica, que leva dignidade, urbanismo e saneamento a dezenas de comunidades. Mas que respeita o meio ambiente, recuperando rio e praia que estão em nossas origens. Na entrega de moradia para mais de 20 mil pessoas e no Minha Casa é Massa, que vai garantir até R$ 20 mil de entrada para quem sonha em ter um lar.
Maceió hoje é uma cidade verde. São mais de 160 praças, parques, areninhas, espaços de lazer, esporte e convivência, sendo a maioria na parte alta. Cada um destes equipamentos representa uma grande mudança para a população, que vê um antigo terreno baldio, ou área degradada, se tornar um lugar de felicidade.
A capacidade de fazer diferente, nos conecta com o que temos de ancestral, para pensar de forma disruptiva e antecipar o futuro. Foi assim que desenhamos o Novo Centro, para onde iremos levar todos os serviços da prefeitura, pactuando a primeira parceria público privada de Maceió. Antes abandonado, o Centro será renovado e terá múltiplos usos com comércio forte, boa moradia e transporte.
Esse entusiasmo com Maceió a gente já percebe por todo o estado, que quer crescer e avançar no ritmo da capital. Com esperança nos olhos, Deus no coração e povo ao nosso lado, tenho a certeza que um futuro muito melhor está pra chegar. Feliz aniversário Maceió!
São Paulo, SP, 07/10/2025 - A viagem era curta e o motorista também – curto e falante. Começou com a violência na cidade. Garantiu que o pai, operário aposentado, morador de Guarulhos, sentia saudades da ditadura dos militares, quando o Brasil era tão seguro que dava pra dormir de porta e janela abertas.
Saltou pra “ditadura do Senhor Alexandre”. Definido como um comunista, desse povo que amarra galinha estripada em encruzilhada pra ver se mata logo o Bolsonaro – um homem de bem. Se o Brasil fosse São Paulo, Tarcísio e o Derrite já tinham mandado o careca pro saco. Aqui ele não se cria.
Prender um povo que tava na rua, sem arma, só querendo o melhor pro Brasil! Queria golpe? E daí? Não aconteceu.
Seguiu: Agora, o PCC, que é do PT, tá envenenando o povo com “etanol”. Isso é pra enfraquecer o Tarcísio. O Bolsonaro já prenderam. É medo da gente ganhar de novo. Porque, se ganhar, acabou a farra. Não tem mais eleição de urna arrombada. Não tem juizinho que manda em tudo. Daí vão ver o que é democracia! A gente aprendeu, senhora. Agora, é bala comendo. E os Estados Unidos com nóis.
Silêncio da passageira.
Desculpa perguntar, mas a senhora não é dessas que concorda com a prisão de inocentes?
– Sou.
Desculpa aí de novo, mas gosto sempre de ouvir o outro lado… Não gosta do Tarcísio também?
– Não.
Entendi. A senhora não gosta de debater política…
Malas já na calçada, a passageira informa: Também não gosto de Coca Cola.
São Paulo, SP, 06/10/2025 - Três mortes por metanol. 158 contaminados. Deboche oficial. Em coletiva de imprensa sobre os casos de contaminação por metanol, na segunda-feira, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacou que as bebidas contaminadas são alcoólicas. O que não é “a praia” dele, já que, disse, é viciado só em Coca-Cola.
“No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, eu vou me preocupar”. Sem nem ficar vermelho, minimizou a tragédia da contaminação no estado, fez gracinha sobre os mortos, o sufoco dos contaminados, a dor de suas famílias.
Tipo: E daí? Não sou pinguço.
Repetiu seu padrinho, Bolsonaro que, quando a pandemia do Covid beirava 600 mil mortos, rebateu cobranças dos jornalistas com o já clássico: “E daí? Não sou coveiro”.
A gente aprendeu?
(Publicado originalmente no Blog do Noblat/Metrópoles)
Tânia Fusco é jornalista
Painel Opinativo
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