Lúcio Carril - Sociólogo
Há um debate antigo nas ciências sociais sobre o marco que separou barbárie e civilização. Alguns autores afirmam ser o uso do fogo; outros, a proibição do incesto. Há, ainda, aqueles que consideram a evolução tecnológica, enfatizando não um marco, mas um processo.
O certo é que vivemos em evolução e involução quando se trata de história. Mas há um processo de desenvolvimento irrefreável, como a tecnologia e os acordos tácitos de civilização, que compreendem normas coletivas de convivência e organização social.
Não é possível aceitar o retorno da barbárie como padrão de convivência ou negação de tudo que foi conquistado pelo processo civilizatório.
As relações sociais e políticas não podem se nortear pela recusa do conhecimento adquirido em milhares de anos, que nos fez chegar aqui com um mínimo de tolerância e respeito à diversidade. A modernidade não é a fase posterior à idade das trevas. Ela é resultado do acúmulo de experiências de vida e da história da humanidade.
É um horror ter chegado ao século XXI com parte da sociedade defendendo a barbárie e dela fazendo seu mote de vida.
Que inferno é esse que essa peste camusiana está querendo nos meter?
Não acredito em inferno, mas me inspiro na Divina Comédia de Dante para indicar o Sétimo círculo – Vale do Flegetonte àqueles que insistem em nos fazer voltar às trevas.
Estamos começando 2026, século XXI, e há uma forte campanha pelo retorno à barbárie, com hordas de negacionistas combatendo a ciência e ameaçando se impor pela violência. A primeira vítima escolhida é justamente a ciência, essa senhora de meia idade que já sofreu horrores nas mãos da Santa Inquisição.
Eis que surgem agora novos perseguidores, saídos das catacumbas do protestantismo neopentecostal e das masmorras da ignorância.
Nessa reaparição dos corneteiros das trevas o foco é o conhecimento, novamente. Mais além, está sob ameaça a civilização e tudo que o ser humano alcançou na sua existência. Pode não ser muito, mas não podemos abrir mão da nossa história.
É preciso segurar os bárbaros e devolvê-los ao planeta da sua existência quadrada. Aqui o mundo é redondo e gira.
*Publicado na edição 99 da revista Painel Alagoas
Divulgação
*Ilza Porto Maia
A admiração é um sentimento bom de ser sentido. Porém, a inveja é justamente o avesso…
Esse é um sentimento podemos considerar desastroso, além de uma perda desnecessária de tempo. Além de somatizar frustração e rancor, despertando o instinto primitivo da raiva ou mesmo de um desejo descontrolado. Sendo inicializado pela admiração, gerado perante uma vontade não realizada, seja sobre conseguir atributos ou qualidades do que o outro é ou possui.
Ainda tem quem acredite e a chame de “inveja boa”, contudo, não consigo concordar com isso. Quando a inveja fica restrita, silenciosa, talvez ainda possa funcionar como impulso para o desenvolvimento de ideias que cheguem a transformação de algo substancial ou mesmo mudança comportamental. Do contrário, quando essa barreira é rompida, não conseguindo ser contida nalgum momento e passa a ser extravasada, através de uma opinião que seja, até exacerbada, logo é transformada certamente em grandes problemas existenciais, públicos e notórios.
Em determinada situação presente, donde um impulso destrutivo muito forte passa a ser vivenciado, o invejoso passa então a viver a vida do outro e isso pode ser danoso, criando conflitos de proporções inesperadas e imagináveis tanto para ele quanto principalmente para o alvo do invejado.
Segundo a doutrina espírita, a inveja pode ser uma manifestação de obsessão espiritual entre encarnados. Muitos acreditam em obcessores desencarnandos, mas os encarnados existem! Dentre sentimentos negativos, criam-se ligações em sintonias mentais que afetam o equilíbrio moral e emocional, resultante em turbulentos contratempos com a probabilidade de se arrastarem por encarnações .
Allan Kardec nos deixou de ensinamento que a elevação do pensamento, através do qual têm força e endereço de entrega certeiro, mais o perdão das ofensas, são caminhos amoráveis para a libertação e a paz interior.
Divulgação/PSDB
Por João Aderbal*
Médico*
O amigo e grande jornalista Pedro Oliveira escreveu, com a precisão de quem conhece o peso do tempo na vida pública, que Teotônio Vilela Filho é um nome que transcende a política alagoana. Não por estrépito, mas por permanência; não pelo ruído das disputas, mas pela solidez dos gestos. Ex-senador da República e ex-governador de Alagoas, sua trajetória confunde-se com a de um gestor moderno, pragmático e ético, capaz de unir eficiência administrativa com diálogo político — mantendo a integridade como método, nunca como ornamento.
Quando o 29 de janeiro se anuncia, é como se o apito da Boa Sorte ecoasse na lembrança, soprando votos de bonança ao filho ilustre. Nascido em 1951, em Maceió, mas com o coração plantado em Viçosa, herdou do velho Teotônio — o Menestrel das Alagoas — mais do que o nome: herdou a disciplina da conciliação, o senso democrático e o gosto pela política entendida como missão, essa arte tantas vezes árdua, tantas vezes necessária.
Sua estreia não foi tímida. Entrou pela porta larga do Senado, gesto raro que apenas a confiança popular legitima. O sertão o abraçou, Alagoas o escolheu — e ele soube retribuir com seriedade. De temperamento discreto, às vezes confundido com reserva — ou, na ternura franca dos amigos, “chato com classe” —, cumpriu três mandatos de senador, presidiu o PSDB nacional e alcançou a vice-presidência do Senado. Sempre com o mesmo traço: serenidade como arquitetura, técnica como forma civilizada de governar.
Eleito governador em 2006 e reeleito em 2010, conduziu o Estado entre 2007 e 2015. Preferiu o alicerce ao enfeite. Governou sem fogos de artifício, cuidando do que sustenta. Sua gestão deixou marcas nítidas e duráveis: prioridade à educação, combate persistente à pobreza, obras estruturantes de infraestrutura e parcerias público-privadas que reorganizaram o horizonte do Estado. Houve ainda a busca por estabilidade administrativa e ajuste fiscal — escolhas difíceis num território atravessado por desigualdades antigas, mas indispensáveis para que o futuro tivesse chão.
Ao longo de toda a carreira, Téo Vilela manteve um estilo raro: autoridade e diálogo, técnica e sensibilidade caminhando juntos. A autoridade, nele, nunca precisou do grito; o diálogo jamais foi fraqueza. Por isso, mesmo discreta, sua presença pública carrega a reverência natural reservada aos que ultrapassam o calendário eleitoral e passam a integrar o destino do Estado que serviram.
Diferente de tantos que fazem da política um projeto pessoal interminável, soube a hora de sair. Retirou-se sem alarde, sem escândalos, preservando o bem mais escasso da vida pública brasileira: a credibilidade. Num tempo em que reputações se dissolvem ao primeiro vento, a credibilidade é riqueza moral — talvez a mais rara.
Hoje, pode-se avistá-lo nas caminhadas pela orla, sem guarda-costas, de alma desarmada, apenas a brisa como companhia. Um homem que escreveu, com paciência e competência, um capítulo sólido da história de Alagoas — e que permanece como medida de sobriedade, um refúgio simbólico em tempos de excesso.
Ao fim de sua reflexão, Pedro Oliveira lança a pergunta que muitos formulam em silêncio: não seria a hora de Téo Vilela voltar? A indagação é legítima; nasce do respeito e de uma espécie de saudade cívica que certas figuras inspiram quando atravessam o tempo sem se desgastar.
Pessoalmente, penso que não. E digo isso não por negar sua importância, mas exatamente por reconhecê-la. A posição que ocupa hoje talvez seja a mais acertada — e a mais difícil: a de quem soube sair no momento certo. Num país onde quase ninguém abandona o palco, permanecer fora dele, com dignidade intacta, é também uma forma elevada de serviço público.
Há trajetórias que ganham ainda mais valor quando não se prolongam artificialmente. Téo Vilela construiu, governou, estabilizou, deixou bases. E ao retirar-se sem ressentimento, preservou algo raríssimo: o respeito quase unânime. Sua presença, agora, é pedagógica. Lembra que o poder é passagem, não morada; instrumento, não destino.
Talvez, mais do que voltar, Teotônio Vilela Filho já tenha cumprido plenamente a sua missão. E nesse cumprimento sereno — sem ruído, sem ambição tardia, sem necessidade de aplausos — reside uma parte essencial de sua grandeza. Em tempos de barulho, sua ausência é uma lição.
João Henrique Caldas (JHC) - Prefeito de Maceió
Quando a gente celebra um aniversário sempre há um momento de reflexão, para pensar sobre o que fizemos no passado e no que estamos por conquistar. Hoje, Maceió chega a seus 210 anos com a certeza de muitas conquistas e confiança num novo tempo cada vez melhor. Essa fé, que a gente traz no peito, tem a marca de muito trabalho. De quem acorda cedo e dá duro, todos os dias, para tirar projetos do papel e construir futuro na vida das pessoas.
Esse trabalho que está espalhado por cada canto da cidade, fazendo de Maceió a campeã brasileira em investimentos públicos. É aqui, na capital, que a gente gera mais da metade de todos os empregos que surgem em Alagoas. Nosso grande motor econômico está na indústria do turismo. Com um calendário estruturado, atração de investimentos privados e melhorando os equipamentos públicos, nos tornamos o destino mais buscado do Brasil, acabando com a baixa estação. É Maceió em alta o ano todo!
São investimentos que se transformam no Gigantinhos, o maior programa para a primeira infância do país, com mais de 16 mil vagas de creche. Numa saúde que chega junto, requalificando mais de 90% das unidades em todos os bairros e com políticas que são referências nacionais, como Saúde da Gente e Corujão da Saúde. Inovando com o Olhar da Gente, que está devolvendo a visão a mais de 10 mil pessoas e beneficiando também 27 cidades do interior, com cirurgias de catarata realizadas integralmente no Hospital da Cidade - a mais moderna estrutura de saúde pública do Nordeste.
Essa transformação está no Renasce Salgadinho, uma obra histórica, que leva dignidade, urbanismo e saneamento a dezenas de comunidades. Mas que respeita o meio ambiente, recuperando rio e praia que estão em nossas origens. Na entrega de moradia para mais de 20 mil pessoas e no Minha Casa é Massa, que vai garantir até R$ 20 mil de entrada para quem sonha em ter um lar.
Maceió hoje é uma cidade verde. São mais de 160 praças, parques, areninhas, espaços de lazer, esporte e convivência, sendo a maioria na parte alta. Cada um destes equipamentos representa uma grande mudança para a população, que vê um antigo terreno baldio, ou área degradada, se tornar um lugar de felicidade.
A capacidade de fazer diferente, nos conecta com o que temos de ancestral, para pensar de forma disruptiva e antecipar o futuro. Foi assim que desenhamos o Novo Centro, para onde iremos levar todos os serviços da prefeitura, pactuando a primeira parceria público privada de Maceió. Antes abandonado, o Centro será renovado e terá múltiplos usos com comércio forte, boa moradia e transporte.
Esse entusiasmo com Maceió a gente já percebe por todo o estado, que quer crescer e avançar no ritmo da capital. Com esperança nos olhos, Deus no coração e povo ao nosso lado, tenho a certeza que um futuro muito melhor está pra chegar. Feliz aniversário Maceió!
São Paulo, SP, 07/10/2025 - A viagem era curta e o motorista também – curto e falante. Começou com a violência na cidade. Garantiu que o pai, operário aposentado, morador de Guarulhos, sentia saudades da ditadura dos militares, quando o Brasil era tão seguro que dava pra dormir de porta e janela abertas.
Saltou pra “ditadura do Senhor Alexandre”. Definido como um comunista, desse povo que amarra galinha estripada em encruzilhada pra ver se mata logo o Bolsonaro – um homem de bem. Se o Brasil fosse São Paulo, Tarcísio e o Derrite já tinham mandado o careca pro saco. Aqui ele não se cria.
Prender um povo que tava na rua, sem arma, só querendo o melhor pro Brasil! Queria golpe? E daí? Não aconteceu.
Seguiu: Agora, o PCC, que é do PT, tá envenenando o povo com “etanol”. Isso é pra enfraquecer o Tarcísio. O Bolsonaro já prenderam. É medo da gente ganhar de novo. Porque, se ganhar, acabou a farra. Não tem mais eleição de urna arrombada. Não tem juizinho que manda em tudo. Daí vão ver o que é democracia! A gente aprendeu, senhora. Agora, é bala comendo. E os Estados Unidos com nóis.
Silêncio da passageira.
Desculpa perguntar, mas a senhora não é dessas que concorda com a prisão de inocentes?
– Sou.
Desculpa aí de novo, mas gosto sempre de ouvir o outro lado… Não gosta do Tarcísio também?
– Não.
Entendi. A senhora não gosta de debater política…
Malas já na calçada, a passageira informa: Também não gosto de Coca Cola.
São Paulo, SP, 06/10/2025 - Três mortes por metanol. 158 contaminados. Deboche oficial. Em coletiva de imprensa sobre os casos de contaminação por metanol, na segunda-feira, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacou que as bebidas contaminadas são alcoólicas. O que não é “a praia” dele, já que, disse, é viciado só em Coca-Cola.
“No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, eu vou me preocupar”. Sem nem ficar vermelho, minimizou a tragédia da contaminação no estado, fez gracinha sobre os mortos, o sufoco dos contaminados, a dor de suas famílias.
Tipo: E daí? Não sou pinguço.
Repetiu seu padrinho, Bolsonaro que, quando a pandemia do Covid beirava 600 mil mortos, rebateu cobranças dos jornalistas com o já clássico: “E daí? Não sou coveiro”.
A gente aprendeu?
(Publicado originalmente no Blog do Noblat/Metrópoles)
Tânia Fusco é jornalista
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O Amor Paternal
*Ilzinha Porto
Existe um provérbio francês, que diz “ Tout passe, tout casse, tout lasse, tout se remplace.” Aprendi com minha bisavó Ilza. Para Luís Henrique, o técnico campeão, talvez isso não faça tanto sentido ao pé da letra.
O Amor paternal, verdadeiramente sentido é incomensuravelmente significativo, acredito q ultrapasse quaisquer opiniões ou entendimentos terceirizados… Precisa ser a realidade nua e crua, vivenciada! Seja carregada de visceralidade, emoções ou de raciocínios infinitamente sentidos, com o tempero da amorosidade aflorando em cada momento, compartilhado em ciclos. Apenas àquele que vive, doando-se incondicionalmente compreende a dor e a alegria de amar e fazer parte da vida que ajudou a colocar no mundo com comprometimento e responsabilidade.
Mesmo no caminho, deparando-se com o curto tempo. Esse, por mínimo que seja, talvez tenha sido suficientemente o necessário, proveitoso e certamente, proporcionado um aprendizado eternizado para tantos envolvidos.
O amor, somente o amor transforma, apesar do sofrimento. Mesmo q a vida terrena seja passageira, a edificação é eterna, pq as almas todas são. Na verdade, todos apenas estamos encarnados com data de validade incerta aos nossos olhos, todavia não aos do Criador, com maiores intenções.
O propósito do sentir, do estar vivo, do sobreviver à tudo, de certa forma é o que nos torna aprendizes com burilamentos q carregaremos eternamente, cravados no perispírito. Quem sabe, se certamente “ la fille” , Xana, não estava lá, assistindo tudo, pertinho, por merecimento, mesmo estando noutro plano?! O pensamento têm endereço certo de entrega nos dois planos, físico e espiritual.
João Aderbal
Médico e articulista
A Voz de Teo e o Espírito de Tavares Bastos
Na manhã de 9 de maio, o Parlamento alagoano se engrandeceu ao receber o ex-governador e ex-senador Teotônio Vilela Filho. Não foi apenas uma presença ilustre, mas uma manifestação de inteligência política, sensibilidade histórica e compromisso com o bem público. O discurso proferido por Teo, no momento em que se homenageava o legado de Aureliano Cândido Tavares Bastos, foi de tal forma bem estruturado e eloquente que se impôs como peça digna dos anais da Casa.
Dividido em três movimentos claros — como uma sinfonia bem composta —, o pronunciamento teve início com uma justificativa que transcendeu o mero protocolo. Teo se mostrou grato e honrado em retornar àquela tribuna, mas não se deteve em reverências: transformou o gesto em ato político, reafirmando seu pertencimento à vida pública e ao destino de Alagoas.
Na segunda parte, o tom se elevou. Num libelo vigoroso em defesa da paz, evocou com firmeza o episódio sombrio do tiroteio de 1957, não como lembrança mórbida, mas como advertência. O passado, disse ele com sutileza, nos chama à razão quando o presente parece se embriagar com a intolerância. Foi uma crítica serena e contundente aos tempos de ódio que hoje insistem em se impor — uma exortação à convivência democrática, ao diálogo, ao resgate da civilidade.
Por fim, a consagração: Teotônio mergulhou com reverência e precisão na trajetória de Tavares Bastos. Fez do nome que batiza a mais alta comenda da Casa um espelho para os dias atuais. Evocou o tribuno visionário, o reformista incansável, o defensor da descentralização, do progresso e da liberdade. Mostrou que Tavares Bastos não é apenas um personagem do passado, mas uma inspiração viva para os que não se rendem ao atraso nem ao comodismo.
Foi uma solenidade marcada pela elegância, pelo peso simbólico e por um raro senso de oportunidade. A política, tantas vezes rebaixada ao trivial, reencontrou hoje em Alagoas sua dimensão nobre e necessária. E Teo, mais uma vez, provou ser um dos poucos capazes de unir passado e futuro com a lucidez dos que sabem ouvir a História — e nela deixar sua própria marca.
Miriam Guaraciaba - Jornalista
Gina assistiu duas vezes “Ainda estou aqui”, e a psicóloga carioca de 75 anos, entrou em profunda tristeza, teve momentos de ansiedade. Chorou a prisão traiçoeira e o desaparecimento de Rubens Paiva. Mais, a prisão covarde de Eunice Paiva, e sua luta vida afora em busca do corpo do marido.
Como milhares, Gina foi presa pela ditadura. Nunca se soube exatamente quantos brasileiros sofreram com a repressão. Ofício enviado a Roma pelo então embaixador da Itália no Brasil, em julho de 1964, falava em 20 mil presos nos primeiros dias pós golpe, revelou documento obtido pelo Intercept.
A Comissão da Verdade menciona em seu documento final, capítulo 3, parágrafo 67, relatório do governo americano que falava em cinco mil presos. Milhares. Mortos e desaparecidos: 434 brasileiros, diz a Comissão da Verdade.
No curso de psicologia da Gama Filho, universidade criada em 1939 – fechada pelo MEC em 2014 – Gina atuava na clandestinidade, União da Juventude Patriótica, dissidência da ALN. Foi presa quando abria a porta de sua casa, um sobrado de 6 quartos na rua Uruguai, Tijuca.
No carro camuflado, estava uma colega de classe (viria a saber depois que a estudante levara os milicos até ela). Sim, Gina foi presa sob as vistas de sua alcaguete. No momento da prisão, perguntaram se queria avisar a mãe. Ela negou. “Deixem que minha mãe durma hoje em paz”.
A colega infiltrada pelas forças de exceção, circulou pelo quartel onde estavam os presos políticos. Gina vestia o uniforme da cadeia. Ela, jaleco branco sobre o vestido.
Foram semanas de horror. Isolada numa cela, ouvia dia e noite gritos desesperados dos presos. Dia e noite. Uma das pessoas torturadas era uma freira. Foi o que salvou Gina. Chefes da Igreja Católica se mobilizaram e conseguiram uma visita ao presídio. Libertaram a freira. Outros foram soltos.
Gina nunca deixou a militância. Entre seus amigos está Cecília Coimbra, psicóloga, fundadora do grupo Tortura Nunca Mais. Cecília foi presa e torturada. Lembranças trágicas, mas Cecília prega “a teimosia de não esquecer”. Aos 84 anos, não se aquieta: em 2022, lançou o livro “Fragmentos de memórias malditas”. Há três semanas, na TV247, falou de sua história de luta contra a ditadura. “Para sempre lembrar”.
Peixe morre pela boca
Em entrevista à Folha de SPaulo, nessa segunda, o ex-presidente confessou que “não esperava” a derrota, e tratou de estado de sítio ou de defesa, e intervenção, com “as pessoas”. Bolsonaro e seu bando devem ser condenados pelo STF. Se saírem ilesos do julgamento sobre tentativa de golpe de estado e ameaças à vida de Lula, Alckmin e Xandão, que mais esperar da Justiça?
*Publicado na edição 90 da revista Painel Alagoas
Assessoria
Lúcio Carril - Sociólogo.
O Conselho de Ética da Câmara Federal perdeu a ética e se transformou num conselho inquisitorial. Sim, nos mesmos moldes do medievalismo, quando a verdade era queimada em fogueiras acesas pela ignomínia.
A condenação do deputado Glauber Braga nesse fórum é uma afronta à democracia e ao próprio processo civilizatório. É uma perseguição medieval para calar quem discorda, quem se opõe à corrupção e ao reacionarismo.
Glauber não cometeu crime.
O criminoso é o Chiquinho Brazão, que até hoje, mesmo preso, continua deputado federal e ganhando salário pago com os impostos do povo. Esse bandido os deputados bolsonaristas do Conselho de Ética protegem, assim como defendem a anistia para centenas de criminosos.
O ataque contra o deputado Glauber Braga é um ataque contra a democracia e um retrocesso às trevas. É estarrecedora a posição despudorada da bancada da extrema direita na câmara. Seus deputados perderam o pouco que tinham de dignidade ao condenar uma vítima.
Glauber reagiu à violência do grupelho fascista MBL como qualquer outro ser humano honrado reagiria. Teve o nome da sua mãe enxovalhado pela indignidade dessa turba, quando a senhora padecia num leito hospitalar. Somente gente sem humanidade pode considerar a reação do Glauber uma agressão.
Uma possível cassação do deputado Glauber Braga será uma desonra para a Câmara Federal, uma casa desgastada pela instrumentalização irresponsável daqueles que ainda se nomeiam bolsonaristas.
A sociedade civil e todos os democratas deste país precisam proteger o mandato do Glauber. A perseguição por ele sofrida é uma orquestração dos patronos e dos beneficiados pelo esquema do orçamento secreto e das emendas-pix. É isso. Glauber denunciou e tirou o caviar da boca dessa canalha.
Glauber fica. A democracia fica.
Eliane Aquino iniciou sua jornada profissional no jornalismo em 1979, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas da comunicação no país.Foto:Arquivo pessoal
*Maria Santana Souza
No mês de março, em que celebramos a força, a resiliência e as conquistas das mulheres, é impossível não homenagear Eliane Aquino, uma mulher cuja história se entrelaça com o jornalismo e a comunicação no Brasil. Com mais de quatro décadas de atuação na imprensa, Eliane construiu uma carreira marcada pela seriedade, pelo compromisso com a informação e pela defesa dos direitos da cidadania.
Natural de Maceió, Alagoas, Eliane Aquino iniciou sua jornada profissional no jornalismo em 1979, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas da comunicação no país. Sua formação acadêmica em Direito, concluída na Faculdade de Direito de Maceió (FADIMA) em 1982, ampliou sua visão crítica e reforçou sua atuação em prol da ética e da verdade.
Ao longo de sua carreira, Eliane atuou em redações de jornais e rádios em diversas capitais brasileiras, levando sua expertise para veículos em Maceió, São Luís do Maranhão, Belém do Pará, Manaus, Salvador, Brasília, Goiânia e Cuiabá. Sempre à frente de desafios, ocupou cargos de destaque como repórter, editora de página, chefe de redação, editora-geral, editorialista, colunista e editora de primeira página.
*Publicado originalmente no Portal Mulher Amazonica
Painel Opinativo
por Diversos
Espaço para postagens de opinião e expressão dos internautas