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Ainda somos um Brasil de 14,4 milhões de desempregados

20.09.2021 às 15:20

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,1% no 2º trimestre de 2021, mas ainda atinge 14,4 milhões de brasileiros, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último dia de agosto passado.


O resultado representa uma redução de 0,6 pontos percentuais em relação à taxa de desemprego do 1º trimestre (14,7%). Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). No levantamento anterior, referente ao trimestre encerrado em maio, a taxa de desemprego ficou em 14,6%, atingindo 14,8 milhões de pessoas.


"Esse recuo na taxa foi influenciado pelo aumento no número de pessoas ocupadas (87,8 milhões), que avançou 2,5%, com mais 2,1 milhões no período", destacou o IBGE. O resultado veio melhor do que o esperado e representa a menor taxa de desemprego no ano. O intervalo das estimativas captadas pelo Valor Data ia de 14,1% a 14,6%, com mediana de 14,5%.


A pesquisa também mostrou que:
O número de trabalhadores por conta própria (24,8 milhões de pessoas) atingiu recorde, com alta de 4,2% (mais 1 milhão de pessoas) ante o 1º trimestre e de 14,7% (3,2 milhões de pessoas) na comparação anual.


Na comparação com o mesmo período do ano passado, aumentou em 5,3% (mais 4,4 milhões) o número de pessoas ocupadas no mercado de trabalho. Deste contingente, 71% (3,175 milhões) ingressaram como trabalhadores por conta própria.
Número de empregados com carteira assinada cresceu 2,1% em 3 meses, totalizando 30,2 milhões. O rendimento real habitual (R$ 2.515) médio caiu 3% frente ao trimestre anterior e 6,6% em 1 ano.


O Índice de Confiança Em­pre­sarial (ICE) subiu pelo 5º mês se­guido em agosto e atingiu o maior nível desde junho de 2013, segundo divulgou nesta terça-feira a Fundação Getulio Vargas, indicando uma aceleração da atividade econômica no terceiro trimestre.
A expectativa atual do mercado financeiro para o PIB é de uma alta de 5,22% em 2021, após o tombo de 4,1% no ano passado. Para 2022, a projeção é de crescimento de 2%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.


Apesar de a economia ter mostrado reação no fim de 2020 e no co­meço deste ano, a inflação persis­tente, a tensão política e "riscos fiscais" (dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas) têm ele­vado o nível de incerteza em re­la­ção à economia nas últimas semanas.
Os analistas elevaram a projeção de alta da inflação no ano pela vigésima primeira semana seguida, de 7,11% para 7,27%, segundo boletim Focus. Já a perspectiva da taxa básica de juros (Selic) ao fi­nal de 2021 permanece em 7,50% ao ano, o que pressupõe novas elevações nos próximos meses.


Uma coisa é certa: inflação elevada e desemprego reduzem qualidade do prato feito dos mais pobres no Brasil.


*Publicado como editorial na edição 51 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Suicídio: precisamos falar sobre isso

20.09.2021 às 14:40

 Ilana Pinsky*

Psicóloga clínica, mestre, doutora e pós-doutora em psicologia médica, foi professora associada da Columbia University,e pesquisadora visitante na City University of New York (Cuny)


Deixar de viver é uma saída considerada por muitos em momentos de crise. Embora ainda seja tabu admitir isso, a ideia de abandonar a vida aparece em pessoas de todas as idades. Em estudo com mais de 1.000 adolescentes em Santa Catarina, por exemplo, 14% admitiram já terem pensado seriamente em não mais viver. E esse número preocupante está abaixo do índice mundial, de cerca de 20% da população jovem.

É evidente que há uma distância entre; considerar o ato; e tentar efetivamente executá-lo.

Entre os profissionais de saúde mental, costuma-se falar em passos em relação a comportamentos suicidas. O primeiro é ter desejado estar morto ou ir dormir e não mais acordar (o que chamamos de ideação suicida passiva), considerado um sinal, mas de baixo risco, principalmente quando o pensamento é eventual. As perguntas para identificar o risco vão então em um crescente, que incluem pensamentos de se matar e a organização de planos para a realização desses pensamentos; e, depois, a intenção, com data marcada e comportamentos concretos para terminar com a própria vida; o que seriam as situações de maior risco.

A ligação do comportamento suicida com doenças mentais; principalmente depressão e uso excessivo de bebidas alcoólicas ; é algo bastante estabelecido. Outros fatores relacionados incluem a exposição a situações de abuso, violência, isolamento emocional e dor crônica, assim como momentos de crise, incluindo término de relacionamento, morte de pessoas próximas e até problemas financeiros ; todos relacionados com a sensação de falta de esperança.

Em resumo, o suicídio tem determinantes complexos e não é incomum que características impulsivas façam parte da equação, particularmente em homens, principalmente quando conjugadas ao consumo de álcool e outras drogas. Ao que parece, a impulsividade faz com que os homens, embora tentem menos do que as mulheres, sejam mais ;eficazes; ao realizar o ato suicida do que elas.
A pergunta que não quer calar é: deve-se falar sobre o assunto? Isso não pode funcionar como estímulo à própria prática do suicídio? A literatura recente tem mostrado que, ao contrário, conversar sobre o tema, de modo sério, com base científica, pode ser uma das melhores maneiras de prevenção do ato. Não estamos falando de divulgar episódios pela imprensa e pelas mídias sociais, falando de detalhes pessoais mórbidos, ou o método utilizado por determinado indivíduo. Isso, sim, poderia estimular o chamado suicídio por contágio.

Estamos falando aqui de buscar compreender e lidar de modo responsável com o desespero e a dor, de tentar acompanhar o percurso de sentimentos que, às vezes, nascem e se desenvolvem nas pessoas.

Por seu lado (e isto é muito im­portante), sentimentos suicidas são temporários. O que aparece como a única solução em um mo­mento frequentemente muda de figura minutos, horas ou dias de­pois. E é justamente aí que técnicas de prevenção têm sido propostas nos últimos anos.

O Plano de Segurança para Pre­venção do Suicídio, criado por pesquisadores da Universidade de Co­lumbia, é um dos métodos que po­dem ser utilizados individualmente ou como parte de um programa de tratamento. Trata-se de intervenção breve e construída de ma­neira colaborativa entre profissional e paciente com ênfase em uma lista de estratégias de enfrentamento para serem utilizadas durante o início de uma crise suicida.

Seu objetivo é auxiliar o indivíduo a recobrar o sentimento de controle ao ter em mão uma lista de recursos objetivos e individualizados que o ajudarão a enfrentar a angústia em momentos em que a capacidade de resolver problemas se encontra muito reduzida.
Comportamentos suicidas não são raros, principalmente em épocas de crise. A saúde mental precisa e pode colaborar com os que precisam de ajuda nessas horas.


*Publicado na edição 51 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Jornalismo e Ativismo: ainda cabe falar em “objetividade”, “neutralidade”e “imparcialidade”?

16.08.2021 às 11:40

 Samuel Pantoja Lima -  Pesquisador do objETHOS


No dia 19 de junho de 2021, a tragédia humanitária provocada pela pandemia da Covid-19 chegava à marca do meio milhão de vítimas. O telejornal de maior audiência do país (Jornal Nacional, Grupo Globo) publicou, no final daquela edição, um editorial no qual aponta algo que pode impactar, decisiva e positivamente, a concepção de jornalismo ora hegemônico, ainda pautado em valores tipicamente positivistas ditados pela escola estadunidense. Ao concluir o texto, que fazia duras críticas ao governo Bolsonaro, o apresentador William Bonner afirmou: “Tudo tem vários ângulos e todos devem ser sempre acolhidos pra discussão, mas há exceções. Quando estão em perigo coisas tão importantes como o direito à saúde, por exemplo, ou o direito de viver numa democracia, em casos assim não há dois lados. E é esse o norte que o jornalismo da Globo continuará a seguir”.

Uma nova história pode ser escrita pelo jornalismo tradicional brasileiro, a partir desse editorial apresentado pelo Jornal Nacional. Valores como objetividade, neutralidade e imparcialidade “embalam” os produtos da indústria jornalística desde o final do século 19, depois da consolidação do “modelo empresa”. Na transição entre o chamado jornalismo literário, engajado ou partidário – praticado nos primórdios, dois séculos antes – ao “moderno” ou “industrial”, tais valores surgiram justamente da busca por uma estratégia comercial que desse ao conhecimento do jornalismo um estatuto social distinto do publicismo, que marcava especialmente o produto impresso, pautado mais na opinião e menos em apuração dos fatos. 

Sobre essa questão específica, Rafael Paes Henriques e Catarina Giordano Paes Henriques, escrevem: “Com o objetivo de aproveitar o crescimento da população urbana e letrada e aumentar o número de leitores possíveis, a imprensa, que até então se organizava desde os jornais de causa, ligados a grupos políticos que os financiavam, se transformou em jornal empresa, e uma nova conduta profissional de suposta neutralidade partidária se impôs como estratégica. As expectativas de novos públicos, que passaram a ler e a comprar jornais, giravam em torno de um produto com mais fatos e menos opiniões, configurando os formatos que vieram a ser reconhecidos como pertencentes a um gênero jornalístico próprio: o informativo, no qual se exige, supostamente, a separação do que é fato daquilo que é a opinião do jornalista”. 

Há pouco mais de 400 anos, chegava aos Estados Unidos o primeiro navio negreiro, com 20 pessoas negras que restavam vivas depois da longa travessia do Atlântico para serem escravizadas. Na esperança de resgatar essa história e investigar mais a fundo a contribuição da população negra na fundação daquele país, a jornalista Nikole Hanna-Jones, do The New York Times, publicou uma série de reportagens chamadas “Projeto 1619”. A reação dos setores segregacionistas estadunidenses foi imediata e barulhenta: da tentativa de desqualificação da jornalista, uma mulher negra, neta de escravos, até o exercício do negacionismo histórico, que alimenta a ideia dos “pais brancos e fundadores da pátria”, excluindo todo e qualquer vestígio da presença de pessoas negras na construção de riquezas que as famílias brancas acumularam ao longo dos séculos. 

Em recente entrevista à Folha de S.Paulo, Hanna-Jones bate de frente com a noção de “objetividade” como sinônimo de “neutralidade”, a partir da Série “The 1619 Project” (vencedora do Prêmio Pulitzer 2020). Quando perguntada se era “desejável ou mesmo possível separar jornalismo de ativismo quando se aborda um tema tão sensível como o racismo?”, respondeu: “Eu não acredito que nenhum jornalista seja apenas objetivo, seja ele de uma minoria racial ou não. Quando você se torna especialista em algo, você constrói opiniões sobre aquele assunto. O que precisamos é objetividade nos métodos. Ter certeza de que se está sendo preciso e justo, usando métodos objetivos. Mas não precisamos fingir que não temos pensamentos e sentimentos sobre aquilo que cobrimos. Eu escrevi sobre segregação racial no sistema público de ensino e claramente eu penso que essa segregação é errada. Eu me oponho à segregação escolar, mas isso não significa que eu não possa reportar de maneira justa e precisa sobre este fenômeno”.

A jornalista estadunidense acrescentou algo ainda mais interessante ao debate, na distinção entre jornalismo e ativismo: “No que tange ao ativismo, eu acho que existe uma diferença entre ser ativista e ser jornalista. Mas também acho que todo jornalista, em certa medida, é um ativista porque, nos EUA, acreditamos que o jornalismo existe para responsabilizar pessoas em posições de poder, para falar em nome daqueles mais vulneráveis. Acreditamos que jornalismo é necessário para a democracia. E todas essas posições não são neutras, mas ativas. Meu ativismo toma forma quando escrevo e exponho injustiças. Outras pessoas o fazem marchando nas ruas. Não acho que eu deva estar envolvida nessas duas frentes, mas eu não posso fingir que não exista ativismo nas minhas motivações para me tornar uma jornalista”. 

O editorial do JN, lido pelos apresentadores Renata Vasconcellos e William Bonner, além da reverência e do respeito às famílias enlutadas e a milhões de brasileiros e brasileiras duramente atingidas e atingidos pelas perdas provocadas pela Covid-19, trouxe algo que ainda precisa ser provado, experimentado, discutido, praticado no jornalismo brasileiro. Ao longo da história, o ativismo da mídia corporativa no Brasil sempre foi o avesso do avesso, ou seja, os grupos econômicos de comunicação sempre estiveram ao lado do opressor, dos “vencedores” oficiais, das ditaduras e golpes — como nos recentes casos da ditadura civil-militar de 1964 e o golpe contra democracia em 2016, que resultou entre outras coisas na eleição da extrema-direita ao Poder Executivo, em 2018. As causas humanitárias que hoje têm força global, impulsionadas pelas redes sociais e pelo jornalismo independente publicado exclusivamente na internet, nos desafiam a pensar no jornalismo como forma social de conhecimento humano capaz de assumir claramente posições, sem abrir mão do primado da verdade, do rigor dos métodos de apuração e, especialmente, incluindo toda a diversidade de posições e fontes presentes na realidade histórico-social. 


*Publicado originalmente na edição 50 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Inflação em alta, renda para consumo é a menor desde 2005

16.08.2021 às 11:20

De cada R$ 100 do orçamento das famílias brasileiras, sobram apenas R$ 41,22 para consumir, pagar dívidas e investir, aponta levantamento da consultoria Tendências. Renda tem sido pressionada pela alta dos preços de alimentos, energia elétrica e combustíveis.

Pelo país, não faltam exemplos de brasileiros que estão com dificuldade para fechar a conta todo mês. Neste ano, de cada R$ 100 do orçamento das famílias brasileiras, sobram apenas R$ 41,22 para consumir, pagar dívidas e investir, mostra um levantamento da consultoria Tendências.

Isso significa que a maior parte da renda vai para itens considerados essenciais – como combustível, energia elétrica, transporte, entre outros. As famílias não tinham uma situação financeira tão apertada desde 2005, quando a renda disponível era de apenas R$ 40,98.

O orçamento dos brasileiros tem sido pressionado por uma combinação bastante perversa: uma alta dos preços dos alimentos, que se arrasta desde o ano passado, e um aumento do valor dos combustíveis e da energia elétrica.

Em detalhe, os números pesquisados mostram que a situação é ainda mais dramática para os brasileiros das classes D e E, que ganham até R$ 2,6 mil por mês e sofrem mais com o aumento dos preços. Para esse grupo, sobram apenas R$ 21,63 por mês.

"Não tem escapatória. As classes mais baixas não têm como se defender muito nesse momento. A gente está com um nível de desemprego recorde no Brasil", diz Marco Maciel, sócio e economista da Kairós, empresa de gestão de fundos de investimento no Brasil. "O desemprego afetando milhões de brasileiros tende a fazer com que a capacidade de reagir ao aumento da inflação seja muito limitada."

Em 12 meses encerrados em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já acumula alta de 8,3%. Só a inflação de itens considerados essenciais chegou a 10,5%, segundo a Tendências. Diante de todo esse quadro, os analistas têm piorado as projeções para a inflação de 2021.

No relatório Focus, do Banco Central, os analistas consultados já projetam que o IPCA vai encerrar o ano em 6,56%, acima, portanto, do teto da meta do governo, que é de 5,25%.

"No momento, a minha projeção para o IPCA no fim do ano é de 6,5%, mas, em função das pressões de tarifas de energia elétrica, combustíveis e alimentação no domicílio, essa inflação pode pular para 7,2% com facilidade", diz Maciel.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir o rumo da taxa básica de juros (Selic). Os analistas esperam um aumento 1 ponto percentual, levando a Selic para 5,25% ao ano.

Juros mais altos encarecem o custo do crédito, afetando a tomada de recursos para o investimento das empresas e para o consumo das famílias.

«Ao elevar os juros, o Banco Central acaba encarecendo o custo para todos, não só para pessoa física, mas para a jurídica também", diz o economista da Kairós. "Infelizmente, a política monetária, num momento como esse, não tem como ser vertical, acaba sendo horizontal, atinge a todos do mesmo jeito. Quem se defende melhor é quem tem o bolso mais cheio."

A alta da inflação e dos juros e a limitação do orçamento das famílias podem mitigar a velocidade de recuperação esperada para o varejo e, consequentemente, da atividade econômica.

Com a melhora da crise sanitária, os analistas seguem esperando uma retomada do setor neste ano, mas esse crescimento poderia ser melhor se as famílias tivessem algum fôlego no orçamento - até maio, as vendas do varejo acumulavam alta de 6,8% no ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


*Publicado originalmente como editorial na edição 50 da Revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Nada de “mimimi”. É luta que chama em toda parte!

19.07.2021 às 09:31


Tereza Nelma - Deputada Federal, Procuradora da Mulher

A criação do Observatório Nacional da Mulher na Política, que lançamos na última quarta-feira de junho, na Câmara de Deputados, em Brasília, é o maior mecanismo de investigação da mulher na política do país. Iniciativa pioneira que vem como esperança de tornar mais agradável os espaços que as mulheres ocupam na política e vai monitorar atitudes que tentarem desqualificar suas lutas pela plena participação feminina na sociedade e na direção do Estado e das empresas.


Um momento histórico onde várias vozes de parlamentares se levantaram durante o lançamento contra as ameaças recebidas pelas líderes políticas Manuela D’Avila, ex-deputada federal do PC do B, ameaçada de morte, e da minha própria filha, vereadora Teca Nelma, censurada no plenário da Câmara de Maceió por suas ideias.


Tanto um caso com alguém escondido no anonimato, como o outro praticado publicamente por um delegado de polícia, são exemplos, entre muitos outros, que ligam os machismos, intolerantes e reacionários, do sul ao nordeste do país. Não podemos ficar caladas. Temos que impedir novas Marielle Franco, assassinada a tiros, covardemente, um crime até hoje abafado.


Não podemos mais conviver com os ataques frequentes a mulheres jornalistas, políticas trans, legalmente eleitas, por vozes que desqualificam diariamente as mulheres e que saem, às vezes, da própria presidência da República.


A Procuradoria da Mulher na Política vai ganhar espaço nas Assembleias Legislativas de todo o país, enfrentando as injustiças, os preconceitos, os ataques covardes às mulheres onde se manifestarem. É uma ferramenta que vai auxiliar no monitoramento da atuação política de mulheres nas esferas municipal, estadual, federal e internacional. A luta das mulheres contra a opressão, a discriminação, a violência política e machista tem que ser enfrentada em todo o mundo.


Nos enche de orgulho, por exemplo, que a Assembleia Constituinte do Chile, um país que sangrou com o fascismo em passado recente, seja composta por uma maioria de mulheres. Quanta diferença, se comparada às pressões nos bastidores para reduzir a participação das mulheres na nossa Câmara dos Deputados a 10%, na dita reforma política que está sendo construída, ou seja, uma tentativa de minar nossa representatividade que já é tão pequena.


Nosso movimento já alcançou 30% de mulheres nas chapas eleitorais, sem contar os 30% de recursos para suas campanhas, apesar de frequentemente violados por direções partidárias atrasadas e machistas. Nossa meta continua sendo alcançar a participação de 50% de mulheres nos parlamentos. E não só. Queremos também a paridade no comando dos Tribunais Superiores, Ministérios Públicos, Forças Armadas e outros poderes de Estado.


O nome dessa nova ferramenta é Observatório, que não pode tudo, mas é um avanço e será a nossa voz. Com esse novo instrumento pretendemos desvendar crimes, os ataques, as injustiças e agir, exigir punição. Nada de mimimi. Mas muita luta, com unidade, seriedade, coragem e respeito ao pluralismo, isso sim.Nem é preciso nos aguardar. Chegaremos já.


*Publicado na edição 49 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Quebre as algemas do preconceito!

29.06.2021 às 22:48

Dany Pimenta

Preconceito é um assunto bem polêmico, pois cada pessoa tem seus conceitos preconizados desde a infância. Por isso que falo que preconceito é aprendido e fortalecido pelas relações familiares. 

As pessoas diante da lei são iguais e tem os mesmo direitos. Não há constituições divergentes para cada raça, crença religiosa, padrão social nem sexual. 

RESPEITO pra mim é a palavra chave. Quando respeitamos mesmo que não aceitamos, passamos a ver o outro como pessoa. Pessoa essa que tem livre arbítrio para decidir como viver. Mesmo que você não tenha a condição nobre de saber amar ao outro independente do que você julga ser certo, respeite. 


O pobre, o negro, o gay que infelizmente em nosso país não são respeitados por não se enquadrar no que muitos julgam ser certo, são pessoas que têm sentimentos, sonhos. Pessoas que não optaram pelo que são mas que simplesmente apenas São. 

Se pudéssemos nos colocar um segundo apenas no lugar desse outro e ver como ele se sente diante de tanta discriminação quem sabe mudaríamos nossa forma de ver as pessoas. 

A vida é uma passagem. Cada pessoa recebe seu livro de Deus com brancas páginas para assim escrevê-la. Deixe que cada um escreva sua própria história e não derrame tinta preta nas páginas do outro. 

O arco-íris  foi feito por Deus com a união de várias cores. Assim também somos nós, união de raças, crenças e opções. 

Se o mundo fosse de uma só cor teria a mesma beleza que tem? Quebrem as algemas do que te limita a ver as pessoas pela cor, religião ou sexualidade fazendo assim distinção  e menosprezando a pessoa incrível que cada um é. 

Não julgue pelo que você acredita ser certo. 

Seja feliz e simplesmente permita ao outro o direito de ser feliz. Se Deus que é Deus não julga ninguém, caberia a você  julgar alguém?!

Postado por Painel Opinativo

A terceira onda e a crise econômica e social

22.06.2021 às 15:20

 

Por Arthur Virgílio Neto*

A descrença na pesquisa e na ciência, aliás, se tornou ainda mais evidente nesse período, com corte nos investimentos direcionados à área. Por outro lado, vimos gastos de custeio sendo aumentados no Congresso Nacional. Uma vergonha, desrespeito ao povo brasileiro, desrespeito à vida. E o resultado dessa marcha contra à sensatez na saúde pública é o triste número de milhares de brasileiros e brasileiras que perderam a vida por causa do novo coronavírus e, no Amazonas, muitos foram cruelmente asfixiados pela falta do oxigênio.
Cheguei a propor para o ministro Guedes, que estimo e respeito, que usasse apenas o resultado de parte das aplicações financeiras dos cerca de 360 bilhões de dólares já acumulados, atingindo como base para o socorro ao povo mais necessitado, praticamente todo o universo dos que hoje experimentam dias duros, desemprego exorbitante e um quadro de desorganização social, do jeito que vemos agora. Isso seria muito bom para desempregados, para os que desistiram de procurar trabalho, para camelôs, autônomos, artesãos, cantores, artistas da noite, pequenas e microempresas em geral.
Vantagens: Não se criaria nenhum imposto novo, ou velho, que somente serviria para desmoralizar a reforma tributária que está sendo decifrada por técnicos do governo e por parlamentares lúcidos. A proposta não atrai taxas extras de inflação. E as reservas, bem poderosas, permaneceriam intocadas, apenas uma parte das aplicações financeiras vindas das nossas reservas cambiais seriam utilizadas. Os recursos do Tesouro não seriam postos em posição de aumentarem o déficit primário – receita menos despesa, sem incluir a conta juros, porque se mede o outro déficit, o nominal, incluindo nos cálculos essa mesma conta juros. Mas, o déficit primário pode muito bem ter ingressado em números de trilhão.
O quadro é grave, é ameaçador, para o equilíbrio político e econômico. Por isso, fiz essa sugestão para socorrer o futuro da nação. Nada de mais endividamento, não teria mais inflação. Usar-se-iam apenas os resultados das aplicações das reservas cambiais. O atendimento ao povo necessitado seria mais constante, volumoso, forte.
Cientistas respeitáveis temem mais ondas. O isolamento social poderia fracassar e ser, de novo, prejudicado pela falta de recursos. Mas, com a família passando fome, os responsáveis pela sua prole sairão, inevitavelmente, às ruas para alimentar os seus queridos. Entre o empirismo e suas fórmulas “mágicas” e a ciência, fico abertamente com esta última, fico com os cientistas.

Sabem as leitoras e os leitores que, por exemplo, a decretação de um lockdown exige dinheiro nas mãos do povo, regras duras de isolamento social e curta duração. A Covid-19, reforçada pelas novas cepas, cada vez mais resistentes e letais, tem de ser enfrentada pelo bom comportamento aqui relatado e por campanhas vitoriosas de vacinação em massa. O Brasil vacina com a lentidão de um jabuti, quando a postura correta seria correr como os campeões de Fórmula 1.

*Diplomata, foi deputado federal, senador, líder por duas vezes do governo Fernando Henrique Cardoso, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, líder das oposições no Senado ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e três vezes prefeito da capital da Amazônia – Manaus 

*Publicado na edição 48 da revista Painel Alagoas
Postado por Painel Opinativo

Mortalidade de gestantes por covid é mais que o dobro da média no país

22.06.2021 às 14:40

 As gestantes e puérperas (mulheres que tiveram filhos há até 45 dias) registra uma taxa de letalidade de 7,2%, mais que o dobro da atual taxa de letalidade do país, que é de 2,8%. O dado faz parte do último Boletim do Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado no início deste mês de junho.

Segundo o boletim, um estudo sobre a pandemia nas Américas, publicado em maio pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), verificou que, entre janeiro e abril deste ano, houve um aumento relevante de casos em gestantes e puérperas, e de óbitos maternos por covid-19 em 12 países.

Os especialistas alertam ainda que as gestantes podem evoluir para formas graves da covid-19, com descompensação respiratória, em especial, aquelas que estão em torno de 32 ou 33 semanas de gestação. Em muitos casos, segundo os cientistas, há necessidade de antecipar o parto.
Esse quadro aumenta a preocupação em relação à disponibilidade de leitos de UTI adulto para essas mulheres e de leitos de UTI neonatal para os recém-nascidos, que podem ser prematuros. Os pesquisadores alertam que ambos precisam de cuidados especializados e imediatos. A partir de meados de 2020, começaram a ser publicados artigos sobre a morte de gestantes e puérperas por covid-19 no Brasil, alertando para a necessidade de preparação e organização de toda a rede de atenção em saúde.

De acordo como Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19, os óbitos maternos em 2021 superaram o número notificado em 2020. No ano de 2020, foram 544 óbitos em gestantes e puérperas por covid-19 no país, com média semanal de 12,1 óbitos, considerando que a pandemia se estendeu por 45 semanas epidemiológicas nesse ano. Até 26 de maio de 2021, transcorridas 20 semanas epidemiológicas, foram registrados 911 óbitos, com média semanal de 47,9 óbitos.


*Publicado como editorial na edição 48 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Empreendedorismo social

24.05.2021 às 10:52

 

Mateus Sant'Ana - Advogado

A arte de empreender fascina muitas pessoas pelo mundo. Aliado ao fenômeno da globalização, estreitou as fronteiras geográficas permitindo a rápida troca de informação através da rede mundial de computadores, a Internet. Diante disso, novos mercados e oportunidades surgem como, por exemplo, a inovação da tecnologia e a conectividade que se tornaram extremamente relevante não só para o empreendedor, como para a sociedade. Um grande exemplo é repensar os problemas das cidades.  


O conceito de Cidades Inteligen­tes (smartcities) objetiva au­men­tar a participação cidadão através da tecnologia fazendo com que o cidadão esteja cada vez mais próximo das ações governamentais.

 
Neste contexto, surge o em­preendedor social que é o empreendedor que opta em montar um negócio em que a responsabilidade social é o principal objetivo. São negócios lucrativos que resolvem problemas sociais por meio da venda de produtos ou serviços.  


Um híbrido de intervenção governamental e puro empreendedorismo de negócios, o empreendimento social é capaz de tratar problemas cujo âmbito é estreito demais para instigar o ativismo legislativo ou para atrair capital privado.  
O empreendedorismo social já é uma realidade no Brasil e no mundo; e os diferentes modelos de negócios desenvolvidos por em­preendedores estão quebrando muitos paradigmas e contribuindo para transformar realidades. Um dos maiores desafios para o em­preendedorismo social no Brasil, e em qualquer outro país em desenvolvimento, é a captação de recursos. Por isso, a primeira preocupação é com a alocação que se faz primeiramente pela disseminação das ideias e objetivos das ações sociais a serem empreendidas.

 
Portanto, o Projeto Social deve ser transparente, ter finalidade consistente e corrente com a realidade social, estar voltado a problemas reais e a busca de soluções, ou seja, ser relevante e, além disso, ter um custo também transparente. Sendo assim, será mais fácil conseguir investidores que apoiem e acreditem no projeto e no resultado que ele pode gerar para a sociedade. Independentemente dos obstáculos, empreendedores sociais têm um grande potencial. É um mercado ainda novo e repleto de oportunidades para aqueles que decidirem explorá-lo. Assim, os empreendedores sociais têm a oportunidade de resolver problemas, gerar emprego, ganhar dinheiro e até mesmo mudar o mundo!

*Publicado originalmente na edição 47 da Revista Painel Alagoas
Postado por Painel Opinativo

Vendas do comércio encerram 1º trimestre no vermelho

24.05.2021 às 10:00

 

As vendas do comércio varejista tiveram queda de 0,6% em março, na comparação com fevereiro, apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta­tís­tica (IBGE). No acumulado em 12 meses, porém, o comércio registra alta de 0,7%. Na comparação com março do ano passado, houve alta foi de 2,4%.

 
Com o resultado, o setor en­cerrou o primeiro trimestre do ano no vermelho. Na comparação com o 4º trimestre de 2020, a queda foi de 4,3% - foi o segundo trimestre seguido em queda.

 
Já na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o recuo foi de 0,6%.

 
O comércio foi o segundo grande setor da economia a fechar o 1º trimestre do ano com perdas. A indústria encerrou o período com queda de 0,4%. Em termos de patamar de vendas, o resultado de março deixou o setor varejista 6,5% abaixo do recorde, que foi alcançado em outubro de 2020.

 
O resultado de março também levou o setor de comércio a ficar abaixo do patamar pré-pandemia, depois de ter recuperado as perdas em fevereiro. O volume de vendas em março ficou 0,3% abaixo do observado em fevereiro de 2020.

 
Das oito atividades, somente duas registraram patamar superior ao pré-pandemia: artigos farmacêuticos (12,7%) e hiper e supermercados (3,9%). As quedas mais intensas ficaram com os segmentos de tecidos e vestuários (-50,1%) e livros, jornais e revistas (-50,2%).

 
De acordo com o IBGE, das oito atividades do comércio investigadas na pesquisa mensal, sete tiveram queda no volume de vendas na passagem de fevereiro para março. A única com crescimento foi a hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que teve alta de 3,3%.
 O principal impacto negativo para o resultado geral partiu do setor de móveis e eletrodomésticos, que teve queda de 22% em março. Segundo o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, essa atividade foi muito influenciada pelo comportamento dos consumidores durante a pandemia.

 
Os economistas do mercado financeiro passaram a prever uma maior expansão da economia este ano. Conforme o último relatório Focus, divulgado pelo Banco Cen­tral, a previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do país tenha alta de 3,14% - antes, o crescimento previsto era de 3,09%.
O mercado financeiro também aumentou a projeção de alta da inflação para este ano, de 5,01% para 5,04%. A previsão de inflação do mercado continua acima da meta central deste ano, de 3,75%, e se aproxima do teto do sistema de metas: 5,25%. Isso porque, pelo sistema atual, a inflação será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25% em 2021.

*Publicado originalmente como editorial na edição 47 da revista Painel Alagoas

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