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Jean-Luc Godard está morto

13.09.2022 às 12:33
Divulgação

Thiago Andrade*

Jean-Luc Godard fez parte do meu panteão juvenil. Entre as aulas de jornalismo e o marasmo da capital sul-mato-grossense, descobri na nouvelle vague uma oportunidade de escapar. Por causa de Godard e cia, encontrei pessoas que dividiam ideias e sonhos semelhantes. Entendi como o mundo era maior e mais complexo do que eu imaginava. 

Numa época em que a internet não era tão popular, descobri Godard de ouvir falar. De ouvir o Tarantino falar. Godard dizia que os filmes do americano eram lixo, mas ainda assim Tarantino tinha uma produtora chamada "Bande à Part". 

Por acaso, encontrei um filme dele na locadora da cidade: Notre Musique, um filme de 2005, experimental o suficiente para que eu terminasse me perguntando o que diabos eu havia assistido. Achei estranho, confuso, mas ao mesmo tempo belíssimo. Um filme pesado e escuro, com trilhas dramáticas, que falava sobre a guerra e o imperialismo americano, sem que eu soubesse ao certo o que estava acontecendo. 

Mais ou menos nessa época, Bertolucci me apresentou Godard de forma mais didática em "Os Sonhadores". O culto ao enfant terrible, sua influência sobre o cinema, a cinefilia, maio de 68, tudo é citado naquele filme que conversou diretamente comigo. Aprendi francês e fui pra França por causa desse filme, mas sobretudo por causa de Godard.

Decorei diálogos de "À Bout de Souffle", vi e revi "Vivre Sa Vie" algumas vezes. Assisti "Une femme est une femme" no Telecine Cult às duas da tarde de algum dia de semana. Na Bienal de Arte de SP conheci "Je vous salue, Sarajevo". Dei um jeito de escrever sobre Godard na minha dissertação de mestrado. 

Vi tudo o que pude de Godard e sobre Godard. Aos poucos descobri que, como todo herói, ele era cheio de falhas. Mas o estrago já estava feito. 

Meu adeus a Godard aconteceu em São Paulo, no Reserva Cultural na Paulista, onde assisti a "Adieu au Langage". O diretor francês que capitaneou a nouvelle vague fez um filme 3D aos oitenta e tantos anos. Ele chegou a dirigir mais um último experimento, "Le Livre d'Image", mas vou guardá-lo como um pequeno mistério a ser descoberto no futuro. 

Gostaria de tê-lo visitado em Paris, talvez feito um retrato seu e contato como seus filmes ajudaram a transformar a vida de garoto no interior do centro-oeste brasileiro. Não tive a oportunidade, mas Hedi Slimane teve e fez belíssimas imagens publicadas na Vogue.

Jean-Luc Godard está morto e nenhum de nós está se sentindo muito bem.

*Jornalista, mestre em comunicação e fã de filmes antigos e estranhos que quase ninguém assiste.

Postado por Painel Opinativo

Carta aberta à imprensa alagoana sobre a invisibilidade das mulheres nos espaços de fala

06.09.2022 às 19:55
Divulgação Instagram


Hoje assistimos a telejornais e vimos matérias sobre a desnecessidade das autorizações de cônjuges para a realização de laqueaduras. Ainda que o tema alcance e importe aos homens, é sobre o corpo das mulheres que esta legislação mais toca.
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Esta alteração legislativa não foi apenas um fato jurídico, mas também político porque adveio, sobretudo, da luta de muitas mulheres.
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Apesar de ser principalmente sobre nós e termos centenas de mulheres que poderiam comentar o tema, vimos somente homens falando, de certa forma invisibilizando lutas e, mais que isso, vozes!
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Este caso foi apenas um exemplo das inúmeras situações em que homens são “convidados” a falar sobre algo que toca especialmente a vida das mulheres.
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É fundamental que os canais de comunicação atentem à importância de ter mulheres ocupando todos os espaços de fala acerca de todos os temas e, ainda mais fundamental, é que quando se tratar de nós que seja uma de nós, mulheres, a falar.
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Fazer isso é dar visibilidade e demonstrar coerência com a necessária qualidade da informação.
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Por esta razão, conclamamos a toda a imprensa alagoana que deem espaço de voz às mulheres em todas as áreas, pois depois de tantos séculos de exclusão histórica, fundamental que a imprensa também se comprometa com nossa visibilidade, principalmente quando se trata de temas que interferem direta e quase que exclusivamente no universo feminino.


Associação das Mulheres Advogadas de Alagoas - AMADA

Postado por Painel Opinativo

Dr.Hemerson Casado inicia uma cruzada pela ciência

22.08.2022 às 15:58

Por Assessoria

Quem não conhece o Dr. Hemerson Casado, deveria conhecer. Ele foi cirurgião cardiovascular por trinta anos, mas há dez anos atrás, ele foi acometido por uma doença grave, neuro degenerativa, sem cura e sem tratamento específico, chamada de Esclerose Lateral Amiotrófica, (ELA). Quem pensava que ele ia parar, se enganou, ele colocou Alagoas no mapa mundial das doenças raras. Com o seu humilde instituto, revolucionou o Brasil. 

Com o seu simpósio internacional de ELA, já convidou mais de cinquenta pesquisadores internacionais e inúmeros brasileiros. A partir dos seus esforços junto ao ministério da saúde, conseguiu recursos para a construção do primeiro laboratório de Células tronco, especializado em ELA do Brasil, além de ter viajado para os principais centros de pesquisas do mundo e feito parcerias com os principais pesquisadores do mundo e, em terapias genéticas, celulares e desenvolvimento de novas drogas, além das parcerias com os profissionais que cuidam dos pacientes raros, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionista, terapeutas ocupacionais, neurologistas, geneticistas clínicos. 

Agora o Dr. Hemerson Casado,inicia um novo projeto, uma cruzada pela ciência . Esse projeto começou hoje, no Centro Universitário  Cesmac.  A palestra intitulada “A ciência a serviço da humanidade”. Essa revolução, que tem como objetivo estimular os estudantes de escolas públicas e privadas a desenvolver o projeto interesse, curiosidade e porque não dizer o amor pela sua ciência, através da construção de laboratórios de iniciação científica, em  convênio com as universidades federais, estaduais e privadas, olimpíadas de português, química, física e escolas de reforço em inglês para que os alunos das escolas públicas de baixa renda, possa corrigir o déficit, da principal língua estrangeira científica, feiras de ciência, municipais por região do estado e uma final estadual, estimular a  criação de laboratórios de robótica, inteligência artificial,  engenharia mecânica, elétrica, ciências da computação, metaverso, bigdata,  matemática básica e aplicada, engenharia ambiental e  florestal, energias renováveis, entre outros. Como também, prêmios para os alunos que se destacarem, em forma de bolsas de intercâmbio com instituições renomadas, como o  Massachusetts Institute of Technology, Google, Universidades de São Paulo, Oxford e Harvard, entre outras.

  Para o ensino superior, ele planeja organizar eventos de diversas áreas do conhecimento. Desde congressos, simpósios, seminários e workshops nas áreas de ciências humanas, e biológicas e exatas. 

O primeiro o primeiro hack med, hackathons de ofertas de cursos profissionalizantes e acadêmicos, concursos em inúmeras áreas, com premiações em bolsas de  intercâmbios científicos. E por último, a  construção do Polo de doenças raras, que será no campus da universidade Federal de Alagoas. Ideias são muito bem-vindas. A cruzada prevê ainda  a  criação de leis, criação de disciplinas, programas de residência em doenças raras, para todos os cursos da saúde, bem como cursos de pós graduação na especialidade e por último, um projeto para o  Brasil inteiro, chamado Brasil Nobel 2050, para criar uma geração preparada para concorrer e ganhar um prêmio Nobel. 

O intuito dessa iniciativa, é estimular a atração pelas diversas áreas da ciência, tecnologia e inovação , criar  as  bases, para o preparo de novos profissionais e aumentar o nível da ciência no nosso estado, que deixa a desejar e precisa melhorar. Para que vocês tenham uma ideia, o número de pesquisadores classe A é ínfimo em Alagoas, o número de patentes registradas no nosso estado é quase  zero, isso porque existe uma relação entre causa e  consequência nas linhas de pesquisas na  academia , no Norte Nordeste. Como a maioria dos investimentos, vão para as regiões Sul e Sudeste, os professores e pesquisadores, vivem em uma realidade que não se é permitido sair dos limites impostos pela realidade econômica, em outras palavras, não se é permitido ousar e essa realidade é transmitida diretamente para os alunos de pós graduação e para as linhas de pesquisas dos laboratórios, o resultado disso é pouca pouca produção científica e de qualidade baixa,. Isto é medido pelo baixo número de publicações em revistas de  alto conceito e o número baixíssimo de patentes. Não importa apenas aumentar os recursos, é preciso criar um ambiente favorável e uma  cultura que reflita esse anseio. 

“Eu não recebi uma missão divina para iniciar esse movimento, nem sou a pessoa mais preparada para liderar essa revolução. O que eu acredito é o que move e eu acredito que o desenvolvimento econômico, uma distribuição de renda mais igualitária, uma revolução cultural que refletirá no  comportamento de toda a sociedade, passa obrigatoriamente por uma revolução tecnológica, que irá criar a economia do conhecimento”, reforçou o Dr.Hemerson Casado Gama.

Postado por Painel Opinativo

Urna eletrônica é 'referência' para o continente, diz Uniore

22.08.2022 às 11:20
Agência Brasil

O chefe da missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore), Lorenzo Córdova, afirmou semana passada que a urna eletrônica brasileira é uma “referência” para os países do continente americano.


A Uniore assinou um acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 2 deste mês e será uma das entidades internacionais que vão acompanhar o processo eleitoral no Brasil.

 
As urnas vêm sofrendo ataques sem provas e infundados do presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos meses, ele tem insistido em levantar suspeitas, já desmentidas por autoridades, sobre o sistema eleitoral brasileiro e o mecanismo de apuração. Em resposta a Bolsonaro, políticos e sociedade civil saíram em defesa das urnas e da democracia.

 
Na avaliação de Córdova, que falou com jornalistas em Brasília, as urnas têm contribuído para a estabilidade democrática no Brasil.

 
“A urna eletrônica tem sido um ponto de referência para todo o continente. Sabemos que há questionamentos e estamos aqui para escutar todas as partes, para entender as fontes dos questionamentos”, afirmou Córdova.
Ele explicou que o objetivo da missão é observar a atuação das autoridades eleitorais brasileiras e contribuir para uma eleição democrática.

 
“A ideia desta missão é escutar todas as vozes, escutar os questionamentos que se fazem sobre a realização do processo, contribuir com a transparência, com elementos adicionais para a construção de uma eleição que cumpra os padrões de integridade eleitoral e, sobretudo, os princípios e valores democráticos”, declarou.

 
O mais esquisito dos ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas é que ele vem sendo eleito há vários mandatos para a Câmara Federal e em 2018 para a presidência da República, por um sistema que ele JURA ser falho, possível de fraude.  


Não lógica no argumento torpe de Bolsonaro e seus seguidores sobre o processo de votação eletrônica no Brasil, embora, convenhamos, na verdade, qual o discurso lógico já feito por Jair Bolsonaro como político? 


*Publicado como editorial na edição 61 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Rui incomoda por ser preparado e cala boca dos que prediziam o fim de sua candidatura ao Governo

09.08.2022 às 17:20
Assessoria

*Claudionor Araújo -  Advogado, ex-vereador e ex-secretário do município de Maceió e do estado de Alagoas


Calaram-se os que queriam ver o fim da candidatura de Rui Palmeira ao governo do Estado. E o pior, erraram feio ao sugerir para a população que Rui baixaria a cabeça para alguns grupos políticos.

O ex- prefeito de Maceió e presidente do PSD em Alagoas, não será candidato a vice, senador nem a deputado federal na chapa de ninguém!

Altivo e sereno, importantes características de sua personalidade, Rui combateu e derrotou, ao seu estilo, todas as mentiras, invenções e fake news, artifícios sórdidos e próprios da imprensa marrom e de adversários mesquinhos, cujo objetivo era espalhar a dúvida, disseminar a  discórdia, esvaziar, e como consequência,  arruinar sua bem posicionada candidatura.

Assim como a máxima que certifica: "a verdade pode tardar, mas sempre prevalecerá sobre a mentira", Rui venceu  o primeiro round. O segundo será a passagem para o segundo turno. Sim, ele está confiante e não se intimida com factóides. 

Não é a toa que Rui é considerado o mais preparado. Ele tem equilíbrio e sabe dialogar, o que incomoda terrivelmente seus adversários falastrões, com a verdade que tentaram sufocar.

Postado por Painel Opinativo

Rui Palmeira um dos atores ao Governo de Alagoas

08.08.2022 às 12:20
Foto: Edmílson Teixeira


*Welisson Miranda

Lançado pelo PSD, o ex-prefeito começou sua caminhada política como deputado estadual em 2007-2011, eleito deputado federal em 2011-2012, tendo passagem política discreta e sem máculas dentro da arena política do complicado e obscuro cenário nacional. Ainda em 2012, sai do legislativo para sua incursão no executivo, eleito Prefeito de Maceió e reeleito em 2016 com aproximadamente 58% dos votos válidos. É um jovem com DNA político a ser respeitado na atual disputa eleitoral ao Governo de Alagoas.

O discreto político, mostra-se capacitado, afirma ter executado o “maior programa habitacional da história de Maceió com mais de 10.000 casas populares entregues, desenvolvido o maior avanço da educação dentre todas as capitais brasileiras”. Sem alardear o significativo desenvolvimento em infraestrutura de Maceió.

Sobre propostas ao Poder Executivo Estadual, Rui afirma seus propósitos em investimentos no ensino técnico profissionalizante, desenvolvimento através de incentivos fiscais para geração de emprego e renda, capacitação ao seguimento do setor hoteleiro dada a vocação turística do estado, sem esquecer dos investimentos necessários e indispensáveis à melhoria e desempenho da Educação Pública Estadual.

Esses, seus pilares de desenvolvimento socioeconômico para Alagoas, sem criar qualquer adereço com viés ideológico, posto que o objetivo é o crescimento e bem-estar social do Estado de Alagoas. Resta, contudo, saber se haverá apoio financeiro suficiente para embate com seu principal opositor o clã do Senador Renan Calheiros, representado nessa disputa política por “Preposto – Marcelo Victor”.

Noutra ponta, vê-se apenas um adereço – Rodrigo Cunha, sem expressão no cenário político doméstico e muito menos nacional. Sobre o Senador Fernando Collor, na disputa ao Governo do Estado, basta lembrar de Zélia Cardoso “sequestro da poupança”, que este some do mapa político.

Com tal perfil, Rui Palmeira pode surpreender ainda mais esse cenário em Alagoas, se alcançar maturidade política, mantendo-se adstringente em relação ao atual Governo Federal, cujos indicadores econômicos e sociais atuais, corroboram em favor do país.

*Presidente do PSD de Paripueira

Postado por Painel Opinativo

Mais Alagoas e menos Brasília

25.07.2022 às 12:40


Por Hemerson Casado*

Em Alagoas, cada um dos prefeitos tem que conhecer as suas próprias cidades. Cada uma precisa trabalhar com o seu Big Data para, a partir daí, começar a ter noção do que cada setor, como a educação, saúde, segurança, meio ambiente, vocação para o seu desenvolvimento, mobilidade urbana, necessita para tornar a sua cidade um ambiente melhor para os seus habitantes, pois a cidade só existe por causa do cidadão. As prefeituras são fundamentais para a grande mudança que é a Cidade Inteligente. Esse conceito é uma revolução do futuro, que tem que ser iniciada agora.  
As decisões tomadas em Brasília, nem sempre refletem o anseio de cada comunidade. O que torna difícil a implementação desses conceitos é a enorme dependência dos políticos de Brasília, que fazem das emendas parlamentares uma moeda de troca para as reeleições dos senadores, deputados federais, estaduais e dos próprios prefeitos e vereadores, que por mais que as demandas sejam legítimas, como um recapeamento de uma estrada, uma ponte, um ônibus escolar, prefeitos se comprometem com o deputado, que faz chantagem em troca do apoio para a próxima eleição. E ainda tem os deputados que são corruptos, e prefeitos e vereadores corruptos, que desviam recursos do erário e a cidade, assim como a região, não consegue o mínimo possível de desenvolvimento. Ainda bem que a descentralização das universidades federais, estaduais e privadas conseguem despertar o senso crítico nos estudantes, que, em sua maioria, são advindos de classes sociais baixa ou média baixa e eu espero, torcendo, pra que o futuro chegue nessas cidades e a ciência, tecnologia e inovação possam reinar nessas comunidades.
Cerca de 50% da população mundial vivem em cidades e segundo a ONU, em 2050, esse número subirá para 70%, sendo que o espaço que as cidades ocupam na superfície da Terra, é de apenas 2% . Imagina o que esses números podem significar?  Teremos que passar a conviver, ao invés da simplicidade de viver. Algumas cidades já experimentam soluções para servir a todos de forma igualitária, mas é necessária uma mudança no comportamento da população e principalmente, na escolha das nossas lideranças. O futuro que todos nós queremos, não há espaço para políticos profissionais, transmissão hereditária na política, cargos públicos ocupados por amigos, parentes, afilhados políticos.  
Teremos que ter uma reforma política, que garanta verdadeiramente o fim do número absurdo de partidos, a infidelidade partidária, as emendas de relatores, os orçamentos secretos e as reeleições. Os atores técnicos têm que participar da política, sem vergonha e sem medo e trazer a meritocracia para as administrações. Temos que ter administrações não para nós, mas com “nós”.

Para você conceituar uma cidade como inteligente, você tem que ter três pilares. Primeiro lugar, conectividade que significa sistemas inteligentes conectados entre si e juntos conectados a uma central. O segundo pilar é a quantidade de dados que existe sobre aquela cidade, em tempo real, para guiar a tomada de decisões dos gestores, para inúmeros setores, que a cidade desfruta em comum, como o destino e tratamento de lixo tratamento e distribuição de água potável, a rede de esgoto em todos os locais da cidade, a poluição e o meio ambiente, a mobilidade urbana, as inclusões digitais, laborais, Social, a segurança, educação, saúde etc.  E o terceiro pilar é o complemento de tudo, gestores comprometidos com as mudanças.

*É médico cardiologista, fundador de uma organização sem fins lucrativos que tem como missão combater as doenças raras e lutar por assistência e políticas públicas. Seu ativismo luta por estratégias que envolvem frentes e ações que deem suporte aos pacientes e familiares que convivem com doenças raras  


*Publicado na edição 60 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Racismo e o desafio de combatê-lo

27.06.2022 às 13:20

Por Mário Lima Filho*

Apesar do avanço da tecnologia, que nos traz uma gama de conhecimentos sobre o certo e errado, e da Lei Caó (lei 7.716/89) que combate o racismo no Brasil, vivemos um retrocesso na questão racial. As atitudes criminosas provêm desde o meio virtual (internet e redes sociais) ao pessoal, em que os intolerantes se manifestam sem se importar com os valores do ser humano.

 
No Brasil, as causas do racismo podem ser associadas, principalmente, à longa escravização de povos de origem africana e a demora na abolição da escravidão que, a meu ver, foi limitada, por não inserir os escravos libertos no meio social, nem lhes permitir os direitos à educação e ao mercado de trabalho, tornando-os marginalizados.

 
Em diversas leituras em que me ative para alinhar o pensamento sobre o tema, encontrei várias definições, e o modo mais simples para a compreensão, seja do intelectual, seja do mais leigo leitor, foi a perspectiva de que o racismo é a “denominação da discriminação e do preconceito (direta ou indiretamente) contra indivíduos ou grupos por causa de sua etnia ou cor”.

 
Dessa forma, apesar de alguns não admitirem, a questão da cor da pele, bem como de seus desdobramentos, é fato predominante entre nós. Para mim, não há, quando se trata destas questões, o julgamento implícito ou aquela desculpa clássica do “não quis dizer isso”. Tudo está escancarado, e a “pessoa” age de forma consciente em seus atos e palavras quando quer atingir a integridade do outro.

 
Este é o chamado racismo estrutural aflorando nas interações individuais, “que, de maneira ainda mais branda e por muito tempo imperceptível, tende a ser ainda mais perigosa por ser de difícil percepção. Trata-se de um conjunto de práticas, hábitos, situações e falas embutido em nossos costumes e que promove, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial”.

 
Atualmente, mesmo com as leis proibitivas de atos preconceituosos, são constantes os ataques a negros, mulheres, índios e outras classes denominadas, de forma pejorativa, “minorias”. Digo pejorativa porque somos maioria no país. Há uma maioria de mulheres e negros.

 
As questões acima citadas modificam-se ao acaso das situações e dos jogos das forças sociais, mas reiteram-se continuamente. Esse é o quebra-cabeça com o qual se defrontam intolerantes e tolerantes, discriminados e preconceituosos, segregados e arrogantes, subordinados e dominantes, no Brasil e em todo o mundo.

 
Sob a ótica da discriminação, não podemos dissociar racismo e preconceito. O termo “preconceito” é conhecido na teoria e na prática por boa parte da população. Ele se apresenta de diversas maneiras, em atitudes de desrespeito, discriminação e ódio. Algumas das expressões de preconceito mais comuns no Brasil são racismo, machismo, homofobia, transfobia e xenofobia. Infelizmente, essas categorias discriminadas são empurradas para a marginalidade, a prostituição, e, consequentemente, para a morte.

 
Dados do Departamento Penitenciário Nacional, divulgados em 2020, no 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostram que, a cada três presos em 2019, dois eram negros. Os negros somam 66,7% da população carcerária, estipulada em 755.274 reclusos.

 
Outra lei que poderá ser aperfeiçoada pelos juristas é a das cotas raciais. A intenção é combater o racismo institucional no setor privado, punindo-se com mais rigor práticas de racismo nas empresas.

 
Ainda no âmbito das leis, o Bra­sil passou a fazer parte da Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância. O texto aprovado no ano passado pelo Senado Federal passa a integrar o ordenamento jurídico brasileiro.

 
Desse modo, o Brasil “se compromete a prevenir, eliminar, proibir e punir, de acordo com suas normas constitucionais e com as regras da convenção, todos os atos e manifestações de racismo, discriminação racial e intolerância”.

Que tenhamos novos dias com melhores perspectivas e aceitação. Que venha a mudança de pensamento, antes que nos percamos entre nossos próprios conceitos (esse artigo foi publicado originalmente no Correio Braziliense).

*é Jornalista, especialista em políticas públicas 


Texto publicado na edição 59 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

O assassinato de uma especialidade médica

20.06.2022 às 12:40

 Hemerson Casado


Em 1986, quando uma tia minha precisou ser submetida a uma cirurgia de ponte safena, eu já estava no terceiro ano de medicina e ela pediu que eu assistisse ao procedimento cirúrgico. Então fui falar com o poderoso Dr.Wanderley, que naquela época já era um expoente da cirurgia cardíaca brasileira e eu, um reles acadêmico de medicina. Eu o abordei nos corredores da Santa Casa de Maceió e ele, de forma muito amistosa, consentiu que eu assistisse a cirurgia da minha tia. Fiquei encantado com a atmosfera da sala, com os equipamentos e com a dinâmica da cirurgia, o que me fez decidir seguir aquela especialidade. 

Naquela época, a Santa Casa era de misericórdia AINDA. O serviço que o Dr. Gilvan, Dr. Wanderley montaram, em 1978, permitiu que os alagoanos não tivessem só o aeroporto como o melhor médico. E o serviço que era chamado de IDC - instituto de doenças cardiovasculares - era uma potência no Brasil, não só em cirurgia cardiovascular, mas em cardiologia clínica, hemodinâmica, Uti cardíaca, unidade coronariana, exames cardiológicos e principalmente o ensino. As residências em cardiologia clínica, ecocardiograma, hemodinâmica e a cirurgia cardiovascular, cujo primeiro residente fui eu, formaram grandes profissionais que hoje atuam em Alagoas e em outros estados do país. Tinha-se uma remuneração satisfatória dos procedimentos e dos profissionais, também fruto da luta política e da sociedade brasileira de cirurgia cardiovascular e da sociedade brasileira de cardiologia clínica e hemodinâmica.

Eu presenciei muitos feitos pioneiros, como a primeira angioplastia, o primeiro stent comum, o primeiro stent revestido com drogas, a primeira ablação, os primeiros marca passo, os primeiros cardiodiodesfibriladores implantáveis, a primeira ressicronizaçao cardíaca pelo Dr. Edvaldo Xavier, inúmeros avanços na UTI cardiáca, como o primeiro balão intra-aortico, as punções de veias central, de artérias, e as monitorizações das pressões, o primeiro uso de nitroglicerina, que é uma droga comum hoje em dia.

E na cirurgia cardiovascular, aí que foram muitas as contribuições. Eu cansei de receber cirurgiões brasileiros e estrangeiros que vinham aprender ou ensinar novas técnicas cirúrgicas. O momento mais importante, foi quando chegou o dia do primeiro transplante cardíaco, foi surreal. Eu participei de tudo, um ápice na minha carreira. Existia paixão, tesão, amor em tudo que era feito. Havia respeito pelos pacientes. Não importava o grau social e a situação financeira. E isso acontecia em todo Brasil, não só aqui em Maceió. Quando algum médico encaminhava um paciente com um problema cardíaco e resultava em cirurgia, ficávamos muito honrados. 

Com o tempo, os valores foram mudando, a paixão foi mornando, não havia mais tesão, foi passando, o respeito pelo paciente do SUS desapareceu, o Ministério da Saúde não foi renovando as tabelas de procedimentos e de materiais, órteses e próteses, os gestores municipais e estaduais perderam o senso de urgência para as patologias cardiovasculares, e os gestores de hospitais privados, que prestam serviços para o SUS, se viram com as mãos atadas,  sem fechar as suas contas, se vendo obrigados a reduzir o número de leitos e procedimentos do SUS, e hoje é uma ofensa você encaminhar um paciente do Sistema Único de Saúde. 

Eu não tinha a dimensão do problema, até que no ano passado eu recebi a graça de Deus, da deputada estadual Fátima Canuto e do prefeito do Pilar, Renato filho, de assumir uma vaga de cardiologista por telemedicina, e então puder ver como está a situação, a dificuldade que é encaminhar um paciente para cirurgia. É constrangedor, pois eu sei que os cirurgiões cardiovasculares, que são meus amigos, vão aceitar o paciente, pois são conscientes do quadro clínico, mas vão colocar o paciente em uma fila de espera sem saber quando vai poder operar essa pessoa, pois os hospitais são obrigados a limitar o número de cirurgias porque o recurso acaba e não tem como operar mais e muitos pacientes morrem na fila de espera. De quem é a culpa afinal do assassinato de uma especialidade tão nobre e com uma história tão rica de heróis e de heróis que se seguiram?

* Médico cardiologista, presidente do Instituto Hemerson Casado

Postado por Painel Opinativo

O efeito danoso dos agrotóxicos

25.05.2022 às 19:01

As intoxicações por agrotóxicos atingem, em média, 50 bebês de 0 a 1 ano por ano Brasil. Entre os adultos, a média é de 15 contaminações, adianta a especialista em agrotóxicos Larissa Bombardi, que organiza uma nova edição do atlas "Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia", com previsão de ser publicado ainda este ano.


Os dados foram consolidados por ela a partir de registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
"Agravos de notificação são doenças que precisam ser reportadas pelos estados de forma obrigatória, como doenças infecciosas, Aids", explica Larissa. "No Brasil, as notificações por intoxicação por agrotóxicos são obrigatórias desde 2011", destaca.


Ela, que é professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), publicou o primeiro relatório no Brasil em 2017, com dados de 2007 a 2014. Na União Europeia, o documento foi lançado há três anos e chegou a gerar um boicote de uma rede de supermercados escandinava a produtos brasileiros.


Após esse episódio, a professora teve o seu trabalho atacado publicamente por entidades e figuras públicas do agronegócio, além de ter recebido ameaças indiretas à sua integridade física, o que a fez deixar o Brasil no ano passado, com seus dois filhos pequenos, rumo à Bélgica, onde conquistou uma bolsa de pesquisa.


Larissa, que continua morando fora do país, trabalha, agora, em uma nova edição do atlas, que trará um panorama das intoxicações entre 2010 e 2019. Na nova pesquisa, ela identificou um aumento dos casos.


"Os números me chocaram, pois só aumentaram. Pela média, são 15 pessoas intoxicadas por ano. No antigo levantamento, eram 10. Entre os bebês de 0 a 1 ano, a média de intoxicações passou de 43 para 50 (ao ano). Essa alta tem se mantido para todos os recortes que tenho feito", afirma Larissa.


A contaminação por agrotóxicos também provoca mortes. No Brasil, são dois óbitos a cada dois dias e cerca de 20% das vítimas são crianças e adolescentes de até 19 anos, aponta um outro documento de Larissa, lançado na última semana, pela rede de ambientalistas Friends of the Earth Europe, organização que reúne ONGs e pesquisadores.


O relatório, que é assinado em parceria com a especialista holandesa em comércio Audrey Changoe, também usa a base de dados do Sinan, do Ministério da Saúde.

(Com informações do G1)

*Publicado como editorial na edição 58 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo


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