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Rio, Israel e Palestina

28.11.2023 às 13:20

 Tânia Fusco - Jornalista

Nem o Hamas é fofo. Nem Israel é boazinha. Mas, no mundo que normaliza a barbárie, assim é se lhe parece. 1.4 mil mortos em três dias.  Falta a pergunta básica: a quem interessa a velha guerra Israel X Palestina? 

Guerras sempre interessam a quem tem e/ou vende armas. Seguramente, não é o povo palestino. Hamas e outros primos, para a guerra, também compram armas dos que fabricam. Dos que vendem.  Dos que provocam. Dos que fomentam as guerras. Será dos russos? Dos chineses? Dos israelenses? Será das americanas – Lockheed Martin, Raytheon, Boeing, Nortthrop Grumman ou General Dynamics? 

Só a Lockheed Martin, estima a imprensa americana, vende 60 bilhões de dólares, por ano, em armas. Acha mesmo que escolhe a quem vender? Lucro não tem pátria, ideologia, nem caráter ou piedade. Em Gaza, 220 mil pessoas vivem subjugadas, confinadas, cercadas, despossuídas de direitos. Desumanizadas. Vivem sob bloqueio, sob apartheid. E sob muita bala. 

Em Gaza, falta água, comida, hospital, escola, empregos. Falta o direito de ir e vir.  Não é muito diferente na Cisjordânia. 

O Estado de Israel é violento, invasor e colonizador. Armado e rico. O povo de Israel, que vive – claro – em melhores condições do que os palestinos, também é vítima do Estado autoritário de Israel. 

Segunda-feira, O9/10/2023, terceiro dia do conflito, 300 mil reservistas israelenses foram convocados. Como “os buchas de canhão” de sempre, na luta de agora, morrerão e matarão palestinos. De novo. Como vem acontecendo desde 1948, na Palestina histórica que, tem hoje apenas 10% de seu território original e originário. Hoje, devemos respeito aos mortos palestinos e israelenses, e solidariedade a todos os atingidos por brutalidades na Palestina, em Israel. 

A guerra mata mais soldados do que generais. Faz mais vítimas entre os mais fracos. Suja sempre, as guerras servem aos interesses de políticos em dificuldades, no modelo Netanyahu. Também multiplicam dores e fortunas. O Hamas é violento? Muito. Onde há opressão há violência, terrorismo e assemelhados. Elementar. A quem interessa a paz? Seguramente não é a quem lucra com a guerra – seja em Israel, na Ucrânia, na Somália, no Iêmen… 

Quem normaliza a guerra? Quem define mocinhos e bandidos nessas guerras continuadas, onde não há desejo nem esforço real pela paz? Precisa desenhar? Sobre normalizar o anormal. Pode a brasileiríssima milícia carioca mandar matar? Matar? Depois, rapidamente, elucidar causa das mortes? Além de apontar erros operacionais na execução? Mais rápido ainda, identificar, localizar e condenar a morte supostos autores da encomenda mortal mal realizada? 

Ficou tudo bem explicado? Caso encerrado. Enterrem os mortos. Médicos paulistas, no caso derradeiro. Foram vítimas de um engano. Só isso, entendeu? Quem mandou sair à noite, ficar jogando conversa fora, comendo besteirinhas, tomando umas em quiosque à beira mar, na linda Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil? Ali é terra de milícias, com alguns territórios do tráfico.  Sabiam não? Todo mundo sabe disso tudo. Como em Israel e na Palestina, todos sabem quem é quem, onde atuam, como atuam. Quem tem mais armas. De quem compram. Quem quer tomar espaço de quem. 

Mocinhos e bandidos estão devidamente qualificados. Os mais fortes mantêm seus domínios sobre os mais fracos. O couro come no lombo dos perdedores. Contrariou, morre. Vacilou, morre. Como sempre. Igual Israel e Palestina. Entende? Guerra urbana, entende? Muita grana em jogo. Não há o menor interesse real de acabar com isso. Igual Israel e Palestina. Entende? 

 -Publicado na edição 75 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

A Anistia partidária e o desafio da igualdade política no Brasil: um chamado a ação.

18.09.2023 às 12:22


*Rosemary Francino - Advogada

A proposta de Emenda Constitucional nº 09/2023 tem gerado intensos debates e divergências de opiniões no Brasil. A PEC propõe mudanças na Emenda Constitucional nº 117, de 5 de abril de 2022, no que diz respeito à aplicação de sanções aos partidos políticos que não cumprirem a cota mínima de recursos destinados às questões de gênero e raça durante as eleições, bem como nas prestações de contas anuais e eleitorais. Porém, o Ministério da Igualdade Racial do Governo Federal se posicionou de forma contrária à proposta, alegando que ela representa um retrocesso nas políticas de inclusão e equidade racial.

A Emenda Constitucional nº 117, aprovada em 2022, objetivou promover a igualdade de gênero e a representatividade racial na política brasileira. Ela estabeleceu cotas mínimas de recursos a serem destinados pelos partidos políticos para candidaturas femininas e para promoção da igualdade racial, a fim de garantir uma maior diversidade e inclusão nas esferas de poder. Essas medidas foram consideradas um avanço rumo a uma sociedade mais igualitária.

No entanto, a PEC 09/2023 propõe alterações nas sanções aplicadas aos partidos que não cumprem tais cotas. Ela levanta preocupações significativas, uma vez que poderia permitir a impunidade e enfraquecer os esforços para promover a igualdade de gênero e a diversidade racial na política. Ao flexibilizar as punições, a PEC pode acabar comprometendo a efetividade das medidas implementadas anteriormente.

O Ministério da Igualdade Racial, órgão responsável por promover políticas e ações afirmativas relacionadas à igualdade racial no Brasil, manifestou sua oposição à PEC 09/2023. De acordo com o ministério, a proposta representa um retrocesso para os avanços alcançados até o momento, colocando em risco os esforços para combater a sub-representação e a discriminação racial na política.

O temor de retrocesso está relacionado à possibilidade de que a flexibilização das sanções resulte em uma diminuição no comprometimento dos partidos políticos em relação à inclusão e à promoção da igualdade racial. O risco de que as cotas se tornem meramente simbólicas, sem efetividade prática, é uma preocupação legítima.

A busca pela igualdade política no Brasil exige esforços contínuos e comprometidos. A anistia partidária representa um sério desafio nessa luta, ameaçando a efetivação das cotas e o avanço rumo a representatividade, igualdade e diversidade. É fundamental que a sociedade se mobilize, exija responsabilidade dos partidos políticos e continue pressionando por medidas efetivas de inclusão. Somente assim poderemos construir um país verdadeiramente democrático, que respeite os direitos humanos e promova a participação de todos, independentemente de sua raça, gênero ou orientação sexual.

Nos dias de hoje, é imprescindível reconhecer a importância da igualdade de gênero nos espaços de poder. Para isso, é necessário evoluir e conquistar a presença de 50% de mulheres nesses ambientes. A diversidade de pensamentos, perspectivas e experiências é fundamental para a tomada de decisões mais justas e representativas. Devemos trabalhar em conjunto para criar oportunidades, promover o empoderamento feminino e derrubar barreiras que historicamente limitaram a participação das mulheres.

Portanto, continuar anistiando os partidos políticos pela falta de compromisso com a legislação, representa um retrocesso quanto as conquistas e avanços em relação às ações afirmativas de gênero e raça política brasileira. A Sociedade Civil e os defensores da igualdade e inclusão devem se unir e se mobilizar para assegurar que essas medidas de representatividade não sejam enfraquecidas ou relegadas ao esquecimento. Garantir a participação igualitária de mulheres e pessoas negras na política é fundamental para construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

 

Postado por Painel Opinativo

Em nome do acerto

26.08.2023 às 12:45


Joaldo Cavalcante – Secretário de Estado da Comunicação de Alagoas


Embora haja controvérsias, especialmente entre acadêmicos do mandarim, convencionou-se disseminar pelo mundo o termo “weiji” - crise, escrito em chinês, como ideograma constituído pela junção de dois outros, significando, respectivamente, “perigo” e “ocasião propícia”.

Bem antes do fato controvertido, Albert Einstein, físico alemão e pai da Teoria da Relatividade, escreveu sobre o assunto, em torno do qual cunhou o seguinte pensamento: “Acabemos de vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la”. Crise, portanto, não surge repentinamente. A experiência leva a concluir que, às vezes, ela eclode de pequenas ocorrências.

Pois bem, sob o ângulo da comunicação de governo, o “Manual de Gerenciamento de Crise”, que a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) acaba de lançar, é uma ferramenta que se a propõe a discutir e estabelecer diretrizes para identificar eventuais riscos, e como administrá-los, à luz da sociedade.

No cotidiano da comunicação governamental, aprendi que o poder público deve exercitar sempre o ato explicativo, sobretudo diante do direito à informação pelo cidadão, garantido pela Constituição da República. Assimilei também que, diante de controvérsias e eventuais erros detectados, o melhor detergente continua sendo a transparência, que gera respeito e credibilidade.

Devemos apurar o fato controverso na origem, levantando dados, reunindo documentos, números, gráficos e tudo mais que se tornar útil com argumento para esclarecer o ocorrido. Melhor ainda se, em tais ocasiões, for também possível observar o princípio da antecipação.

Como ensina o nosso Manual, na área pública, além de se observar o princípio da honestidade, que é uma obrigação de qualquer agente público, é indispensável atentar para o fato de a prestação de serviço à população ser cuidadosa, transparente e de qualidade.

Como nenhuma instituição está imune a eventuais crises, o Manual nasce sob a égide do ineditismo, nesses 38 anos de existência da Secom do Estado de Alagoas.

O Manual também se destaca pelo pioneirismo entre as demais secretarias de Comunicação dos estados brasileiros, que já receberam sua versão digital. É a contribuição à reflexão ofertada por um governo que cultiva o princípio de acertar mais a cada dia, como sempre acentua o governador Paulo Dantas.

Publicado originalmente na edição 72 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Ressuscitando a informação

Lei de Acesso à Informação ainda não foi estudada sob o novo ângulo dos usos da inteligência artificial

01.08.2023 às 07:00

Gustavo Martins de Almeida*

 *Carioca, advogado e professor. Tem mestrado em Direito pela UGF. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e conselheiro do MAM-RIO. 

-Lei de Acesso à Informação ainda não foi estudada sob o novo ângulo dos usos da inteligência artificial, de recriação e abertura de arquivos, comportando enorme potencial de debate e repercussão no segmento de informação

Num mundo em que a informação constitui ativo relevante e de rápida e altíssima circulação, conduzida pelos meios tecnológicos, a regra é a da transparência dos dados, principalmente os públicos. A Constituição brasileira prega o acesso do cidadão aos atos e registros administrativos, ressalvada as questões de privacidade e sigilo imprescindíveis à segurança da sociedade.

São exceções à regra da publicidade, por exemplo, o sigilo de correspondência, de votação, tributário, e de alguns documentos, segundo a Lei Nº 12.527/2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação.

A Constituição Federal estipula também que todos os julgamentos do Poder Judiciário serão públicos e fundamentados, sob pena de nulidade, com a possibilidade de se limitar o acesso, excepcionalmente, em casos de violação da intimidade e desde que não prejudique o interesse público.

A Lei citada acima “dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, com o fim de garantir o acesso a informações”, tendo como diretriz “a observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção”.

Poderia existir, no âmbito das informações, uma figura quadrada em que cada lado representaria um conceito: liberdade de expressão, privacidade, publicidade e sigilo por interesse público. No meio dessa figura, se movimentariam os direitos do cidadão e da sociedade.

Dentre esses aspectos, o foco aqui é a decretação de sigilo sobre certos documentos pelo poder público. Embora não tenha tido grande repercussão na mídia nacional, chama atenção recentíssima decisão de levantamento do sigilo, pelo governo norte americano, de informações sobre a investigação a respeito da morte do Presidente John Kennedy, assassinado em 22/11/1963.

Entre 13/4 e 27/6/2023, o governo Biden, por meio da National Archives and Records Administration (NARA), tornou públicos 2.672 documentos, até então secretos, conforme o site JFK Assassination Records. A lista está disponível e pode ser livremente consultada em https://www.archives.gov/research/jfk/release2023, constituindo rica fonte para historiadores e analistas sociais.

Pela Lei brasileira, a proteção abrange, aqui, entre algumas outras, as informações cuja divulgação possam pôr em risco a defesa e a soberania nacionais, a condução de negociações, a vida, a segurança ou a saúde da população; ou comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização.

Há também graus de segredo e prazos de proteção: ultrassecreta: 25 anos; secreta: 15 anos; e reservada: cinco anos. Eles são atribuídos segundo diferentes competências, seja do Presidente da República, de ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas e da Diplomacia, bem como de autoridades de menor hierarquia.

A legislação ainda faz referência a informações pessoais, "relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem", que "terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem” (grifei).

Essa lei ainda não foi estudada sob o novo ângulo dos usos da inteligência artificial, de recriação e abertura de arquivos, comportando enorme potencial de debate e repercussão no segmento de informação. Ainda temos a LGPD, que protege os dados pessoais, e integra esse feixe de direitos e deveres sociais.

O arquivo do NARA constitui fonte de informação riquíssima, e, num período em que a inteligência artificial recria o passado, como no recente comercial da Volkswagen que ressuscitou Elis Regina, é importante localizar as fontes primárias, a raiz da informação. Abaixo, reproduzo carta do editor norte americano John Knight, Prêmio Pulitzer 1968, dirigida a Kennedy, falando que Carlos Lacerda só não seria Presidente do Brasil se levasse um tiro. Fatalidade.

Já disse em outra coluna (Metaverso e manuscrito) que, enquanto o futuro não chega para todos (já chegou para alguns), é possível revisitar e aprofundar o conhecimento sobre o passado e entender a posição da sociedade no processo histórico.

Outros temas recentes gravitam e permeiam o núcleo “informação”, como a censura, o “book ban”, o cancelamento, mas são assuntos para outros artigos.

Texto publicado originalmente em Publish News 

Postado por Painel Opinativo

O antigo versus o moderno no Brasil

28.07.2023 às 14:40

 Hubert Alquéres

Presidente da Academia Paulista de Educação


A história do Brasil tem sido marcada por um constante conflito entre o arcaico e o moderno. Esse embate atravessou séculos e influenciou muitos aspectos da sociedade brasileira. O país só conseguiu avançar quando o novo foi capaz de sobrepujar o antigo, deslocando os interesses arraigados nos aparelhos do Estado. Exemplos notáveis dessa transformação foram a derrocada da oligarquia cafeeira e o fim da República Velha, que impulsionaram o Brasil em direção à industrialização e à modernidade durante os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.

E a história tem suas ironias. O golpe de 1964, embora tenha surgido como uma reação às reformas de base, acabou promovendo uma espécie de “modernização conservadora”, conferindo ao Estado uma mínima racionalidade e capacidade de planejamento. Mas sua essência de ser um depositário de interesses patrimonialistas e corporativistas permaneceu inalterada. Posteriormente, a promulgação da Constituição Cidadã em 1988 representou um marco significativo em direção à contemporaneidade. Ela consagrou direitos sociais, estabeleceu um ordenamento democrático e criou condições propícias para o pleno funcionamento de instituições republicanas permanentes, como o Ministério Público e a Polícia Federal. O que foi semeado em 1988 agora mostra sua eficácia e se torna o embrião de um Estado Moderno em contraposição ao Estado patrimonialista.

A luta entre o arcaico e o moderno não cessou. Nos anos 90, essa disputa se deslocou para a esfera econômica. Naquela época, era imperativo deixar para trás a espiral inflacionária, modernizar e reestruturar o sistema financeiro, controlar os gastos públicos, acabar com os cartórios e criar regras estáveis que fortalecessem uma economia aberta e de mercado.

O governo de Fernando Henrique Cardoso foi bem-sucedido nessa modernização, especialmente para promover a modernização econômica. Ele conseguiu proteger áreas estratégicas como a Educação ou a Saúde contra práticas predatórias e aliados vorazes. Além disso, deu um grande passo rumo à modernidade ao criar agências reguladoras.

No entanto, a continuidade desse processo de modernização foi interrompida nos governos de Lula e Dilma, que promoveram o ressurgimento do arcaísmo. Mecanismos de Estado permanentes, como as agências reguladoras, perderam relevância, enquanto o governo se tornou hipertrofiado. Instituições de excelência, como o Itamaraty, foram negligenciadas, sem mencionar a instrumentalização de entidades como o BNDES e empresas públicas como a Petrobrás. A responsabilidade fiscal foi abandonada.

É herança destes tempos a aliança entre um projeto de poder, o patrimonialismo político e um capitalismo parasitário que se acostumou a se beneficiar das benesses do Estado, resistindo ao risco e à livre concorrência.

Vale ressaltar que os responsáveis pelo desvio de recursos públicos agiram como se ainda estivessem na era analógica, deixando rastros por todos os lados. Enquanto isso, as instituições de investigação avançaram para a era digital, tornando-se capacitadas e qualificadas para cumprir seu papel em um Estado de Direito.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, o arcaico se manifestou por meio de posicionamentos e políticas públicas que geraram retrocessos nos direitos humanos, especialmente no que diz respeito a minorias e grupos vulneráveis. Além disso, houve críticas relacionadas à violação de princípios fundamentais de igualdade e não discriminação. Outro ponto muito debatido foi a flexibilização das normas de proteção ambiental com o enfraquecimento dos órgãos de fiscalização e adoção de uma retórica contrária à preservação do meio ambiente e ao combate às mudanças climáticas.

Também houve questionamentos quanto às atitudes, nos moldes do passado e hostis, em relação a jornalistas e meios de comunicação independentes, além de tentativas para controlar e descredibilizar a imprensa. Na área da cultura, foram realizados cortes orçamentários e uma política de terra arrasada (a Fundação Palmares que o diga). Na educação o atraso aconteceu com a adoção de medidas contrárias aos avanços alcançados anteriormente, incluindo mudanças na abordagem das questões de gênero nas escolas.

Hoje estamos vivendo mais uma fase importante no confronto entre o arcaico e o moderno. A rejeição pela sociedade brasileira a esse modelo do toma-lá-dá-cá e à institucionalização do balcão de negócios é profunda. Existe uma crise de representatividade que os partidos políticos ainda não conseguiram compreender em sua totalidade.

Também é ilusório pensar que o governo representa o moderno e a oposição representa o arcaico. Nada é mais arcaico do que um discurso incoerente e alianças casuísticas que contradizem valores éticos.

*Publicado na página Expediente da edição 71 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Reescrevendo a história

Ao reescrever a história das mulheres, devemos destacar suas conquistas e realizações

17.07.2023 às 17:00
Arquivo pessoal


Rosemary Francino - Advogada

Reescrever a história das mulheres é uma tarefa necessária para corrigir as omissões e distorções presentes nas narrativas históricas tradicionais. É importante dar visibilidade e valorizar a contribuição das mulheres em todas as áreas da sociedade, desde a política e a ciência até as artes e a cultura.

Ao reescrever a história das mulheres, devemos destacar suas conquistas e realizações, que muitas vezes foram subestimadas, ignoradas ou até mesmo apagadas. Devemos resgatar as histórias das mulheres que desafiaram normas e estereótipos, lutaram por direitos e abriram caminhos para as gerações seguintes.

É fundamental reconhecer o papel das mulheres nas lutas sociais e políticas ao longo da história, incluindo as mulheres que lutaram pelo direito de voto, pelo acesso à educação e pelo combate à discriminação e desigualdade de gênero.

Além disso, é preciso destacar as mulheres que romperam barreiras e se destacaram em suas áreas de atuação, seja nas ciências, nas artes, nos esportes ou em qualquer outra área em que tenham deixado sua marca.

Reescrever a história das mulheres não é apenas uma questão de justiça, mas também de inspiração e empoderamento para as mulheres de hoje e do futuro. Ao conhecer as histórias e os feitos das mulheres que vieram antes de nós, encontramos modelos e referências que nos incentivam a seguir em frente, a lutar por nossos direitos e a conquistar nossos objetivos.

Portanto, é fundamental que continuemos a reescrever e a ampliar a história das mulheres, reconhecendo suas contribuições e dando voz a suas narrativas, para que todos tenhamos uma compreensão mais completa e verdadeira do passado e do presente.

Postado por Painel Opinativo

Ataques a escolas, de quem é a responsabilidade

17.04.2023 às 13:33


Eliane Aquino*

Ataques a escolas, de quem é a responsabilidade? 

O ministro da Educação, Camilo Santana, está propondo a criação de um grupo para tratar de questões relacionadas a ataques em escolas, como o ocorrido recentemente em São Paulo, em que uma professora foi morta por um aluno, segundo informou a jornalista Andréia Sadi, apresentadora do Estúdio I, na Globonews, comentarista de política da CBN. 

A ideia é envolver outros ministérios, como o da Justiça e o de Direitos Humanos, e a Secretária-geral da Presidência da República, sob a qual está a Secretaria Nacional da Juventude. A proposta inclui, ainda, a participação de prefeituras e estados para pensar ações concretas multisetoriais. 

Desde 2002, o Brasil já registrou 23 ataques em escolas, de acordo com levantamento de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com um total de 36 mortes. Desde agosto do ano passado, foram nove casos. Em todos eles os assassinos eram alunos ou ex-alunos da instituição de ensino invadida. 

O episódio com o maior número de vítimas ocorreu em 2011 e ficou conhecido como o Massacre de Realengo. Na ocasião, 12 pessoas morreram após um ex-aluno atirar em jovens na Escola Municipal Tasso da Silveira, na Zona Oeste do Rio. 

Segundo levantamento da Unicamp, ao longo dos anos os fatores que levam crianças e jovens a realizarem esse tipo de ação mudaram.  

Se antes a principal motivação era bullying, hoje, aponta o estudo, além de algum sofrimento vivido pelo estudante, os casos se relacionam ao consumo de cultura extremista. E o pior, a sociedade vive um momento em que se encoraja, direta ou indiretamente, atos agressivos e de violência. 

O ataque ocorrido no final de março passado na Escola Estadual Thomazia Montoro, segue um mesmo padrão dos anteriores levantados pelo estudo da Unicamp, de meninos ou homens, quase sempre brancos, atraídos por discursos de ódio e racismo dentro de grupos da internet, conforme explicou Cleo Garcia, mestranda em educação na Unicamp e especialista em justiça restaurativa.  

"Discurso de ódio, misoginia principalmente, talvez baseada em baixa autoestima, em ter sido rejeitados por meninas, mas todos eles tem um discurso muito forte contra meninas. Outra coisa é essa questão de frequentarem esses chats que a gente considera que fazem especificamente discursos de ódio voltados para esse público, e fazem cooptação e engajamento desses adolescentes", defende a mestranda. 

Um dos caminhos propostos para a resolução de conflitos dentro das escolas é a Justiça Restaurativa, a de resolução dos conflitos sem, necessariamente, envolver punição e com o foco voltado a reparar danos às vítimas. 

Desde 2010, o estado de São Paulo regulou a figura do professor mediador nas escolas estaduais, no entanto, Cleo Garcia avalia que não é o suficiente, sendo necessário o envolvimento de todos da comunidade escolar, alunos, professores e pais para que os conflitos sejam resolvidos dentro da lógica da justiça restaurativa. 

É óbvio que a escola não é a única responsável, mas ela precisa trabalhar essas temáticas e abrir um canal de escuta para apoiar crianças e adolescentes, além de espaços de mediação de conflitos, rodas de conversa que são importantes neste contexto. Porém, mais do que isso, é preciso uma responsabilização coletiva. Uma união da escola, famílias, mas, principalmente, uma participação dos governos com políticas públicas. E quando falamos de política pública, não estamos falando de policiais dentro da escola, mas de programas escolares e também de assistência social e de saúde mental para apoiar os estudantes. De uma forma mais ampla, também estamos falando de uma política de controle de armas, por exemplo, já que muitos atentados foram com arma de fogo.  

Não se pode levar para o individual o que é responsabilidade de todos. 

*Publicado como editorial na edição 68 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Lembranças do Major Bonifácio Magalhães da Silveira

11.02.2023 às 12:21
Arquivo pessoal

*Ilzinha Porto Maia

Ontem no Museu Theo Brandão uma música em homenagem ao querido ancestral Major Bonifácio Magalhães da Silveira foi entoada no bloco "Filhinhos da Mamãe" que é cantada há 40 anos carregada de emoção! Fico muito feliz de saber que as gerações ainda ouvem falar e conhecem quem foi esse homem, que no seu tempo exerceu cargo de administrador da Alfândega do Porto e chegou a até a ser Prefeito de Maceió.

 Graças à Braskem a parte histórica da cidade, aliás por onde começou o surgimento e o crescimento de Maceió depois que a capital passou de Marechal Deodoro (hoje) pra cá. Simplesmente deixou de existir, onde vovô Bonifácio construiu Teatro, praça aonde fazia questão de incentivar a cultura alagoana e toda a História da nossa família, inclusive onde era sua casa.

 Engraçado que uma empresa causadora de tudo isso, que destruiu não somente casas, um desastre ambiental catastrófico está patrocinando a casa mais vigiada do Brasil o BBB23 ! Pasmem! Enquanto muitos perderam suas vidas e histórias! Mas, Maceió não é só Massa, ela tem HISTÓRIA. Pq antes de existirmos outros nos antecederam.

Postado por Painel Opinativo

Enfim, 5!

20.09.2022 às 00:09


A Revista Painel Alagoas chega agora em setembro aos seus cinco anos de publicação e chega mais altiva, com conteúdo mais diversificado, design novo e com a mesma responsabilidade com a informação e respeito ao leitor.

Não foram cinco anos fáceis!
De lá para cá, enfrentamos primeiro a ideia de que impresso estava ultrapassado, insistimos, e aí nos deparamos com a pandemia da Covid-19, tivemos que parar um bom tempo e para voltarmos pesou muito o compromisso já assumido com um pú­blico fiel à nossa revista, que nos incentivava a seguir em frente.
Seguimos!
E nunca nos faltou colaboradores, parceiros, leitores e, sobretudo, boas pautas que têm, ao longo de toda a existência da Painel Alagoas, nos levado a um patamar de excelência no jornalismo diferenciado.  
Em 2018 vencemos o Prêmio Braskem de Jornalismo, categoria Reportagem Especial, com a matéria “Quando a disputa pelo poder vai da pistolagem ao uso da máquina pública”, assinada pelos jornalistas Carlos Victor Costa e Cadu Amaral. A Painel Alagoas disputou essa premiação com a TV Gazeta, TV Pajuçara e TV Ponta Verde, e foi a escolhida por unanimidade pelos jurados.
A matéria vencedora trouxe a saga das famílias Dantas e Boiadeiro, com uma entrevista inusitada de Baixinho Boiadeiro, foragido da polícia, um dos en­volvidos na disputa de poder político no Agreste de Alagoas, que já resultou em várias mortes.
E ainda estávamos engatinha­­do para nos inserir no merca­do de comunicação de Alagoas!
A premiação nos deu mais es­tímulo, mostrou que não estávamos loucos em investir no im­pres­so e no jornalismo investiga­tivo, que poderíamos continuar ca­minhando e caminhando para nos tornar donos do nosso próprio destino na imprensa alagoana.  
Nossa revista ganhou corpo, cresceu em números de páginas, criou novas editorias, e a cada mês, quando ela chega da gráfica, alguns exemplares seguem pelos correios além de Alagoas, para leitores em Sal­vador, Manaus, Rio de Janeiro, Milão, na Itália, Londres, na Inglaterra, e Cardiff, no Reino Unido.
A partir desta edição, a Painel Alagoas estará nas bancas de Maceió e Arapiraca mais compacta, renovada, porém sem perder na sua essência que jornalismo é informação, que opinião jornalística é pautada em fatos e não em ilações, que a sua função como veículo de co­municação é promover a cidadania, é compartilhar conhecimentos, é noticiar para o coletivo, é contribuir para a sustentação da democracia brasileira através da imprensa livre e responsável.
Durante todo o período da nossa revista, só um sentimento nos define: gratidão!
Que possamos nos manter firmes nessa pegada ainda por vários anos.  
Viva a Painel Alagoas! 


*Publicado como editorial na edição 62 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Setembro Amarelo: A vida é a melhor escolha!

19.09.2022 às 13:20


*Fernando Godoi  -Psicólogo (CRP/15-3987)

Setembro Amarelo é uma campanha global de prevenção ao suicídio. Podemos acompanhar que sempre nesse mês temos vários alertas a essa te­mática. Isso porque, desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV), vem organizando por todo Brasil ao longo do ano, essas importantes campanhas. E especificamente o mês de Setembro foi escolhido em função de o dia 10 ser o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
De acordo com Rigo (2013), o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial no qual a interação de fatores individuais, sociais e culturais será determinante na decisão de tirar a própria vida.
Infelizmente hoje essa é uma triste realidade que atinge o mundo todo e gera grandes prejuízos à sociedade. Segundo os últimos dados de 2019 da Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados mais de 700 mil suicídios em todo mundo, no Brasil os casos chegam a aproximadamente 14 mil e em nosso estado de Alagoas, entre 2016 e 2019, foram registrados 543 casos de acordo com Núcleo de Estatística e Análise Criminal (NEAC) da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Todos nós devemos atuar ativamente na conscientização da importância pela vida e ajudar nessa prevenção do suicídio, pois infelizmente ain­da hoje essa temática é um tabu em nossa sociedade. E nunca foi tão importante quanto agora, falar do tema, ainda mais devido a pandemia da covid-19, que atingiu a toda a população, deixando graves sequelas em nossa saúde mental. Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a atuação de profissionais da Psicologia na prevenção ao suicídio deve extrapolar as intervenções estritamente individuais e buscar a compreensão das condições de vida que podem contribuir para produzir sofrimentos mentais intensos.
O papel da Psicologia é acolher e ressignificar esses sofrimentos, a partir do entendimento de como são produzidos nas instâncias sociais, históricas e culturais, sempre em diálogo com outros campos do saber.
E como podemos ajudar? Segundo alguns estudos, as pessoas que planejam tirar suas próprias vidas, deixam alguns sinais que, em muitos dos casos, são reconhecidos tardiamente, impossibilitando assim uma intervenção.
Alguns sinais importantes são: falas constantes sobre a falta de esperança e/ou preocupação, visão negativa e pessimismo, falta de perspectiva futura, baixa autoestima, sentimentos de culpa, crises emocionais em diversas áreas da vida, isolamento social. De acordo com o CVV, existem quatros passos importantes para ajudar alguém com suspeitas: Conversar, Acompanhar, Proteger e Procurar ajuda profissional e de órgãos responsáveis.
Por fim, o CVV conta com alguns canais de contato chat, email, atendimento presencial e para uma urgência e atendimento imediato ligue no 188, atendimento gratuito e 24 horas por dia, será atendido por um profissional treinado e preparado para conversar com todos que procuram ajuda e apoio emocional.

*Publicado na edição 62 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo


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