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Carnaval e a economia criativa

18.02.2019 às 12:20

Por Carlito Lima*

Carnaval é a maior manifestação popular da cultura brasileira. Entretanto não é uma invenção brasileira, nem é celebrado apenas no Brasil. A His­tória do Carnaval remonta à Antigui­dade na Mesopotâmia e ao Renascimento na Itália.

Uma das festas da antiguidade, precisamente na Babilônia, que deu origem ao Carnaval, foram as “Saceias”, onde o prisioneiro assumia du­rante alguns dias a figura do rei, ves­tindo-se como rei, alimentando-se como rei e dormindo com as mulheres do rei. Finalmente, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado.
Durante o Renascimento surgiram os teatros improvisados e desfiles de fantasias que se tornaram populares. Em Florença, houve uma efervescência de músicas acompanhando os desfiles de fantasias, com os artistas em cima de carros decorados. Em Roma e Veneza, os participantes usavam pelerine com capuz negro que encobria a cabeça e uma máscara branca.
A história do Carnaval no Brasil começa no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo; festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Afoxés, frevos e maracatus também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira. Marchinhas, sambas e outros gêneros musicais também foram incorporados à maior manifestação cultural do Brasil.
O carnaval em Maceió, no meu tempo de juventude, era organizado e o maceioense brincava os quatro dias nas ruas e nos clubes. A Prefeitura de Maceió constituía a COC, Comissão Organizadora do Carnaval, composta de jornalistas, artistas, carnavalescos que traçavam a programação do carnaval de rua da cidade. O Carnaval nas ruas de Maceió iniciava 15 dias antes com a Maratona Carnavalesca na Rua do Comércio, tendo uma orquestra de frevo em cada esquina e o corso rolando. Toda noite o Centro da cidade se enchia de foliões e os apreciadores de carnaval que ficavam assistindo da calçada o povo dançar e se esbaldar.
 No domingo anterior ao carnaval, era vez do Banho de Mar à Fantasia pela manhã na Avenida da Paz. Com concurso de Blocos de Frevo levando uma multidão, troças, críticas e Escolas de Samba.
No primeiro sábado de janeiro acontecia o Baile de Máscaras do Clu­be Fênix Alagoana, com concurso de fantasia individual e de grupo. Logo em seguida vinham as Prévias Carnavalescas em todos os sábados nos diversos clubes: “Preto e Branco”, “Baile do Hawai”, “Baile Tricolor”. Durante os dias de Carnaval, Maceió se enchia de alegria com Blocos de Frevos na rua e bailes nos clubes.
A modernidade financeira hoje dá um imenso valor à Economia Cria­tiva, que tem como matéria prima, a inteligência e a criatividade hu­mana, recursos que tendem ao infinito. Sendo assim, a Economia Criativa pode ser considerada revolucionária.
O Carnaval é considerado o mais eficiente exemplo da Economia Criativa. O Carnaval tem um trabalho gigantesco e fascinante com a inteligência e a criatividade.
Nos desfiles carnavalescos de blocos, escolas de samba, maracatu, estão presentes muitos atores da Eco­no­mia Criativa: na música, a inspiração e a criatividade dos compositores, além dos cantores, puxadores de blocos, instrumentalistas e o povo que compra os CDs com as letras das músicas de carnaval; nas artes visuais, artes cênicas e dança, é um encantador desfile com muita criatividade e bom gosto de designers, coreógrafos, estilistas, figurinistas, roteiristas, costureiros, maquiadores, artesãos, bailarinos e passistas.
Também tem papel relevante a preparação do Carnaval e a execução dos serviços, dos publicitários, decoradores, gráficos, os profissionais de rádio e TV, os chefs de cozinha e a cadeia turística, envolvendo o transporte, hospedagem, alimentação e entretenimento. Beneficiando-se de turistas que acorrem às principais localidades com atrações carnavalescas.
Em resumo, o Carnaval, pode ser uma grande fonte de renda, sabendo investir. Em Salvador um economista calculou, comprovadamente, que para cada R$ 1,00 in­ves­­tido no Carnaval há um retorno in­direto de R$ 3,00. Os principais beneficiados são os pequenos comerciantes, ambulantes, taxistas, músicos, toda rede de turismo. Que beleza, a cultura e arte, nossa riqueza, ser autossustentável, com uma ajudinha do governo.No alto de meus 79 anos estarei em Maceió nesse Carnaval, apreciando e dançando no Polo Orla, entre os 7 Coqueiros e o Alagoinha, onde haverá Carnaval, com Blocos, Escolas de Samba, Bois, todos os dias das 14:00 às 23:00 horas, do sábado de Zé Pe­reira até a quarta-feira ingrata que chega tão depressa só para contrariar.

*É escritor

Publicado originalmente  na edição 25 da revista Painel Alagoas
Postado por Painel Opinativo

Depressão na adolescência: vamos conversar?

18.02.2019 às 12:17

No mundo moderno a depressão ganhou inúmeros adeptos, pois além dos seus próprios medos, os seres humanos passaram a ter que enfrentar todos os desajustes presentes na atual sociedade.

Atualmente a depressão é considerada uma patologia com sintomas e sinais próprios, em que invariavelmente a pessoa apresenta um humor rebaixado, tristeza, angústia, sensação de vazio e redução da capacidade de sentir satisfação ou prazer.
É importante ter em mente que os sentimentos de tristeza e de negação são perfeitamente normais no desenvolvimento do adolescente. Por outro lado, quando esses dois sentimentos estão associados a outros, como os descritos a seguir, é muito provável que haja a presença de um estado depreciativo. 
Os sintomas de depressão em um adolescente são sentimento de culpa, inutilidade, autodepreciação, desespero. Eles podem se sentir incapazes de controlar ou mudar sua vida, levando a uma sensação de total inércia, ou seja, incapacidade de conseguir qualquer tipo de prazer. E quando não tratado pode evoluir até mesmo para o suicídio.
A maioria das tentativas de suicídio na adolescência são atos impulsivos e não planejados, sendo praticadas, por exemplo, com a utilização de drogas ou remédios.
A depressão também apresenta mudanças fisiológicas, como falta de apetite, insônia, falta de concentração e atenção, inquietação e irritabilidade. Alguns fatores de risco podem estar associados ao desenvolvimento da depressão, como vulnerabilidade, perda de uma pessoa amada, doenças graves, crônicas e hospitalizações frequentes, negligência, abuso físico e sexual, fatores genéticos e extrema baixa autoestima.
Para que o adolescente possa desenvolver sua identidade e lidar com a difícil transição da adolescência para a vida adulta, é de vital importância que ele pertença a um grupo de amigos. Esse grupo acabará se tornando uma “casa” parcialmente segura entre a família e o mundo adulto. 
Um adolescente que não possui amigos, e que tem como ocupações diárias somente ir para a escola, estudar, e não interage; e ao voltar fica preso em casa, mesmo que ele seja um ótimo aluno ou até um filho exemplar, terá grandes chances de desenvolver uma depressão.
Saber quando intervier no processo de avaliação e diagnóstico na ocorrência de depressão em um jovem, torna-se um processo muito complexo, já que a tristeza é um sentimento comum na adolescência. Somente quando os sintomas descritos acima começam a se tornar persistentes é que os pais e a escola têm o dever de ajudar o adolescente, procurando especialistas no assunto.Mas, observar os sinais é essencial para evitar que o problema se torne grave.


*Publicado originalmente na edição 25 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Janeiro Branco: sentidos e subjetividades

14.01.2019 às 13:37


"O mundo à sua volta não é algo 'dado' e definitivo; é possível transformá-lo; você mesmo pode ser alterado ao se dedicar à tarefa de mudá-lo".

  Zygmunt Bauman


Marcelo Sandes*

Pensar a campanha Janeiro Branco é conversar e refletir um pouco sobre as nossas subjetividades: como dimensionamos e nos situamos na vida, tenhamos ou não maior consciência disso. De uma forma ou de outra, necessariamente somos afetados por cada condição particular de funcionamento que esboçamos ou adotamos. 

Daí a complexidade e delicadeza que é falar de Saúde Mental - fina­lidade da campanha -, começando pelo desafio que é conceituar tal condição. Até que ponto não estar acometido por uma patologia, síndrome ou disfunção classificável é estar saudável? E se estou acometido, até que ponto o meu emocional pode influenciar e me ajudar no necessário processo de superação?

O Janeiro Branco convida a um exercício de introspecção que nos habilite a olhar e estar mais atentos à nossa subjetividade, ao nosso emocional; às pulsações, impressões e sinais mais sutis que tantas vezes nos escapam, mas que poderão, oportunamente, pela regularidade e efeito cumulativo, servir de lastro às nossas ansiedades e depressões. 

Propõe ainda que Saúde Mental implica perspectiva de bem-estar e qualidade de vida para além do conceito estrito de ausência de transtornos mentais, nos estimulando a pensar e ver os indivíduos em sua totalidade, em relação e interação, de forma integral, considerando o contexto social, político e histórico em que se inserem. 

Nessa perspectiva, falar de Saúde Mental é falar em prevenção, cuidado, atenção, solidariedade e empatia. É falar do bem-estar e da qualidade de vida que precisamos nos propor a construir a cada dia, a cada enfrentamento e superação, nas idas e vindas das nossas potencialidades e limitações. 

É, enfim, o olhar que se faz ne­cessário em relação a nós mesmos e às pessoas com as quais  nos relacionamos no cotidiano - em casa, no trabalho, nas interações sociais -, de valorização do diálogo, da capacidade de escuta e do respeito mú­tuo, trabalhando assim a questão da prevenção, e do compromisso pessoal com a construção de uma vida mais satisfatória e produtiva.

*É jornalista e psicólogo


-Publicado originalmente em janeiro de 2018 no portal Painel Notícias

-Publicado na edição 24 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

A origem do Natal

17.12.2018 às 15:22


*Frei Betto

Até o século III, celebrava-se o nascimento de Jesus a 6 de janeiro. A comemoração no dia 25 de dezembro teve origem entre os séculos II e III, quando teólogos pretenderam determinar a data do nascimento de Jesus, não indicada nos Evangelhos. 

João Batista teria sido concebido no equinócio de outono e nascido no solstício de verão. De acordo com Lucas 1, 26, Jesus teria sido concebido seis meses antes de João, ou seja, no equinócio da primavera no hemisfério Norte (25 de março). Portanto, teria nascido a 25 de dezembro, quando no Oriente o sol retorna a seu movimento de ascensão no dia em que, outrora, havia festas em homenagem à ressurreição das divindades solares. 

A segunda hipótese, mais provável, faz do Natal a versão cristã da festa pagã do “deus sol invencível” (= natale solis invictus), introduzida no ano 274 pelo imperador Aureliano e fixada no solstício do inverno europeu, a 25 de dezembro. 

Para o prólogo do Evangelho de João, Cristo é “a luz do mundo”. Assim, a fé cristã resgata a comemoração pagã ao reforçar, nas primeiras comunidades da Igreja, a convicção de que celebravam a festa do verdadeiro sol. 

O Natal cristão herda o espírito de justiça e reconciliação do sistema sabático e do ano jubilar judaicos, nos quais as dívidas eram perdoadas, os escravos libertados, as terras equitativamente redistribuídas. 

A troca de presentes está associada aos reis magos que, segundo o Evangelho de Mateus, levaram ao menino Jesus ouro (presente dado aos reis), incenso (para os sacerdotes) e mirra (aos profetas). 

Mateus escreve apenas “magos”, sem precisar quantos. Deduz-se serem três, devido aos presentes ofertados. Também não diz que eram reis. Talvez astrólogos, pois seguiram a estrela, embora não haja nenhuma evidência de que de fato existiram. Tudo indica ter sido criação literária de Mateus, para simbolizar Jesus adorado por todos os povos. 

No século III, passaram a ser chamados de reis, como forma de confirmar a profecia contida no Salmo 72, versículo 11: “Todos os reis se prostrarão diante dele”. E no século IX ganharam nomes e procedência: Melchior, rei da Pérsia; Gaspar, rei da Índia; e Baltazar, rei da Arábia.Hoje, há consenso entre os estudiosos da Bíblia que “Jesus, o nazareno” (João 18, 5) teria nascido em Nazaré, aldeia da Galileia. O nascimento em Belém, na Judeia, descrito pelos evangelistas Mateus e Lucas, teria sido um recurso literário para comprovar a profecia de Miqueias (5,1) de que o Messias nasceria na cidade de Davi.

* é um frade dominicano, escritor brasileiro, autor de 60 livros no Brasil e no exterior


*Publicado originalmente na edição 23 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

É hora de começar a limpar nossa própria sujeira

19.11.2018 às 12:46


Milena Andrade*

Quem aí já parou para ver de perto a empregada doméstica de casa ou diarista trabalhando? Geralmente, quem precisa — ou acha que precisa — pagar por essa mão de obra, ou trabalha fora ou vai cuidar de coisas “mais importantes” en­quanto o serviço é feito.

Pois bem. Na semana passada, tive a chance de presenciar a diarista finalizando a limpeza da casa ao chegar um pouco mais cedo do trabalho. Eram cinco horas da tarde. Ela tinha começado a fazer a faxina de manhã cedo e continuava. Pedi para ela ir tomar um banho e ir pra casa, afinal de contas, já estava tudo ok e ela devia estar exausta. Como resposta ouvi “não gosto de fazer nada mal feito, a casa tava muito empoeirada”. Insisti, mas não adiantou.


Fui tomada por um mal estar gigantesco. É justo que essa mulher negra, de quase 50 anos, mãe solteira, que tomou conta de meu filho desde bebê, por quem eu tenho tanto afeto, seja obrigada a se sustentar fazendo o trabalho que ninguém quer fazer? Não, não é justo.
Por que nesses doze anos que a conheço eu não a encorajei ou a ajudei a aprender um outro ofício?
Por que só agora percebo que um salário mínimo ou R$ 100 por faxina nunca pagarão o que ela dá a cada dia de trabalho, que exige dela muito mais do que apenas limpar e arrumar?


Qualquer pessoa que já se lançou nos serviços domésticos sabe do que estou falando. Limpar a própria sujeira é incômodo, chato, cansativo. Arrumar a própria bagunça idem. Se preocupar com o que vai ter na mesa amanhã também. Passar as roupas, lavar os pratos, tirar o limo que se acumula nos cantos do banheiro, quem quer “perder” tempo com tudo isso?


Não é por não termos tempo que contratamos empregas domésticas, é por não querer enfiar a mão nessa sujeira toda listada aí acima. É por acharmos que isso não é trabalho nosso. Não é à toa que, sem pensar muito, costumamos dizer ‘hoje estou no tronco’ ao cantarolar o ‘lerê, lerê’ da Escrava Isaura toda vez que ‘temos que’ encarar uma faxina básica. “Vida de negro” é difícil mesmo.


Essa crença tem raízes longínquas. Lá na formação do nosso país. Ela se construiu em cima da exploração de pessoas, no machismo e na misoginia. Cito aqui texto do blog Servir ao Povo de Todo o Coração sobre escravidão doméstica:
“Mesmo com o fim da escravidão decretado por lei de forma tardia em 13 de maio de 1888, a relação entre a dona da casa e a escrava se disfarçou na relação entre dona de casa e empregada, os que eram escravos agora estão — em teoria — libertos, e deverão ser incorporados como mão de obra no mundo do trabalho assalariado; para as mulheres negras isso se deu majoritariamente na continuidade do trabalho doméstico anteriormente desempenhado, mantendo quase as mesmas relações de trabalho entre senhores e escravas, desta vez a partir de novos arranjos sociais, o trabalho doméstico assume características muito próximas da estrutura escravista anterior”.
Nem precisa desenhar pra entender com o que a gente ainda segue compactuando.


É claro, para mim, que isso precisa ter fim. Não é ético, não tem coerência nos valermos dessa exploração e subordinação a outra pessoa para nos livrarmos daquilo que não queremos fazer, por preguiça, alienação ou nojo. Está na hora de sermos responsáveis por nossa própria sujeira, pelo fim dessa e de qualquer tipo de mão de obra que tenha que se sujeitar a situações de degradação e humilhação. Para aquele que pensa que sua empregada doméstica é tratada como uma pessoa da família digo que pare de se enganar. Você não deixaria para sua mãe a limpeza da latrina ou daquela panela cheia de fungo que esqueceu na geladeira.Exploração não é empatia. A ruptura necessária está nas nossas mãos. Vamos lá?


*É superintendente de jornalismo da Secretaria de Comunicação do Estado de Alagoas

*Publicado originalmente na edição 22 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

O desafio de cara do Governo Bolsonaro

19.11.2018 às 12:38


O governo de Jair Bolsonaro enfrentará de cara um dos maiores problemas do país: o déficit público, com previsão de meta para finalizar este ano na ordem de R$ 161, 3 bilhões. Não há mágica para solucionar essa questão e as estratégias contra esse desaguamento exigirão medidas duras na contenção dos gastos públicos, muito além das liberais reformas prometidas pelo presidente eleito em campanha.

O setor público consolidado, formado por União, estados e municípios, registrou saldo negativo nas contas públicas em setembro, de acordo com dados divulgados no último dia 29 pelo Banco Central (BC). 

O déficit primário – receitas menos despesas, sem considerar gastos com juros – ficou em R$ 24,621 bilhões, resultado 15,8% maior do que de igual período de 2017, quando chegou a R$ 21,259 bilhões.

Em setembro, o resultado negativo do Governo Central (Previdência, Banco Central e Tesouro Nacional) chegou a R$ 24,292 bilhões. Os governos estaduais registraram déficit de R$ 872 milhões, e os municipais, superávit de R$ 77 milhões. As empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas as dos grupos Petrobras e Eletrobras, tiveram superávit primário de R$ 466 milhões no mês passado.
Nos nove meses do ano, houve déficit primário de R$ 59,321 bilhões, contra resultado também negativo de R$ 82,110 bilhões em igual período de 2017.

No acumulado em 12 meses encerrados em setembro, as contas públicas ficaram com saldo negativo de R$ 87,794 bilhões, o que corresponde a 1,29% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
A meta para o setor público consolidado é de déficit de R$ 161,3 bilhões neste ano.

Os gastos com juros ficaram em R$ 14,552 bilhões em setembro, contra R$ 32,049 bilhões no mesmo mês de 2017.
O déficit nominal, formado pelo resultado primário e os resultados dos juros, atingiu R$ 39,173 bilhões no mês passado ante R$ 53,309 bilhões de setembro de 2017.

De janeiro a setembro, o resultado nominal ficou negativo em R$ 362,663 bilhões, ante R$ 385,236 bilhões em igual período do ano passado. Em 12 meses, o déficit nominal ficou em R$ 488,835 bilhões, o que corresponde a 7,2% do PIB.

Já a dívida líquida do setor público (balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 3,543 trilhões em setembro, o que corresponde 52,2% do PIB, com aumento de 1 ponto percentual em relação a agosto (51,2% do PIB).
Em setembro, a dívida bruta – que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais – chegou a R$ 5,246 trilhões ou 77,2% do PIB, com redução de 0,1 ponto percentual em relação a agosto.É a prova dos nove para quem se elegeu prometendo resgatar a economia nacional.


*Publicado originalmente na edição 22 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Voto Consciente

15.10.2018 às 18:54


Glauco Humai*

O que tem a ver uma asso­cia­ção que reúne os shoppings de todo o país com as eleições gerais do próximo dia 7 de outubro? A resposta imediata poderia ser “nada” ­– afinal, comércio é co­mércio, política é política e eleição é eleição. Ou, talvez, poderia ser “o interesse na eleição de um can­didato apoiado pela associação”. 

Pois é. Num país em que é considerado comum o egoísmo e o individualismo, parece natural o afastamento do processo eleitoral ou, no máximo, a defesa de um ou outro nome que represente a associação.
A boa notícia é que não é bem assim. A entidade que re­presenta os shoppings centers acaba de lançar a campanha Voto Consciente. São 10 dicas para incentivar o consumidor cidadão a se tornar, também, um eleitor cidadão.
Mas a troco de quê? O que levaria uma associação ligada a empresários e comerciantes a estimular seus consumidores a votar de forma consciente? Opa, consumidores ou eleitores? Ou seriam a mesma pessoa?
Quando o cidadão, que também é consumidor, chega a uma loja, ele analisa o produto, questiona o preço, aciona a famosa balança do “menor custo, maior benefício”, compara com outras opções e, finalmente, a partir de critérios objetivos como necessidade, preço e qualidade, faz sua opção e troca seu dinheiro pelo produto desejado.
Aí é que reside o ponto de conexão. As duas associações representam aqueles que dependem do consumidor para existir. Afinal, sem consumo não haveria venda, não haveria empresa, nem comércio ou indústria.
Mas eles dependem também de um país com a economia aquecida, com o consumo em alta, com estabilidade política, com oportunidades de empreendimento. Por isso, dependem igualmente do consumidor consciente, politizado, interessado em conhecer o destinatário de seu voto, caso tenha sido convencido de votar.
Diante desse quadro, vamos fazer as contas: em média, os shoppings recebem a visita de 460 milhões de brasileiros por mês. Considerando o total da população brasileira, é como se cada brasileiro fosse mais de duas vezes por mês a algum shopping. Talvez isso explique o avanço da conscientização do consumidor, hoje muito mais consciente e cauteloso do que no passado. Temos o consumidor cidadão.
Isso não acontece, porém, com as eleições. Muitos ainda consideram o voto um fardo, não um direito; uma penalidade, não uma oportunidade.
É nesse sentido que entra a campanha Voto Consciente. É preciso quebrar a lógica de que a política não vale nada, de que ninguém presta, de que todo mundo é ladrão e de que “alguém tem que fazer alguma coisa”, desde que não seja eu, e de que nada nos resta a não ser esperar um novo momento que ninguém sabe quando poderá chegar.
A campanha Voto Conscien­te propõe uma série de ações para que o eleitor que anda afastado de tudo o que diga respeito a política, passe a perceber tudo o que acontece com ele em todos os sentidos da sua existência.
Estão entre as dicas e orientações ao eleitor/consumidor: não se abstenha de comparecer às urnas; não venda seu voto; saiba como funciona o sistema eleitoral; entenda as funções dos cargos em disputa; conheça os candidatos; pesquise suas propostas e ideias; tenha cuidado com as fake news; fique ligado na campanha eleitoral; promova debates entre familiares, amigos, colegas de trabalho; e anote os números dos seus candidatos para não se confundir no momento da votação.O sítio www.votocosciente.inf.br oferece sugestões para ajudar o eleitor a se identificar com seus candidatos promovendo, assim, um voto de opinião, responsável e consciente, que será lembrado, no mínimo, pelos próximos quatro anos.  O futuro do país não depende dos políticos. Depende do eleitor, que é o responsável por conceder aos políticos a responsabilidade de representar a população.

Cientista político e especialista em Gestão Sustentável de Empresas, coordenador do Movimento Agora!e presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce)

Publicado originalmente na edição 21 da Revista Painel Alagoas
Postado por Painel Opinativo

Turbulências e dúvidas na política e na economia

10.09.2018 às 16:23

Marcelo Bastos*


O povo brasileiro tem atravessado tempos de turbulência e de dúvidas acerca dos rumos da política e da economia, o que nos leva a refletir sobre a resignificação dos novos rumos e das novas escolhas.

Refletir apenas não será o suficiente. O descrédito da população em relação à classe política vem crescendo consideravelmente, principalmente no tocante aos personagens políticos já conhecidos e diante de tantos escândalos de corrupção e má gestão do dinheiro público.

Enxergamos através de consultas às pesquisas avaliativas, que há um processo de desmobilização do eleitorado em acreditar e escolher seus candidatos, o que pode ser constatado através do aumento no quantitativo de votos nulos, brancos e abstenções que ocorrerão na  eleição de 2018.

No cenário alagoano, não teremos, necessariamente, uma renovação substancial na nova composição da Assembleia e da Câmara Federal, renovação esta que  ocorrerá com  apenas 35% (trinta e cinco por cento) dos eleitos. Quase nada mudará. Os mesmos estarão no poder.

Importante salientar que a recuperação da crise que assola todo o país dependerá de quem  os eleitores escolherem; a “Democracia” tem essa grande virtude.

O eleitorado vive em um processo constante de busca de garantias e preservação dos direitos sociais, reflexo evidente e contínuo da ausência de políticas públicas, especialmente aquelas que versam sobre segurança; emprego e renda; saúde e educação.

Temos treze milhões de desempregados no Brasil, retratando o maior nível de toda a série histórica e gerando um tempo de incertezas, atingindo concretamente a economia alagoana e das demais unidades da federação,  porque abala a confiança das pessoas e afeta a qualidade de vida, a dignidade e sobrevivência da população.

O povo almeja ser visto , escutado e atendido pelas novas lideranças, em suas necessidades básicas e em suas expectativas de sobrevivência .

*É Analista Político


* Publicado originalmente na edição nº 20 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Um sistema desumano e precário

10.09.2018 às 16:09
Marcelo Camargo/Agência Brasil

No Brasil, se prende muito, porém, se prende mal. Desse modo, o Estado parece não ser capaz de cumprir a sua responsabilidade em garantir os direitos, assis­tências pertinentes ao preso, assegurados pelo Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, como, por exemplo, o respeito à sua integridade física e moral.


Atualmente, o Brasil, conta com 1.424 presídios, sendo 4 federais e as demais unidades estaduais. No total, são 407.309 vagas, mas, ocupam as celas 686.594 detentos, maior que a população do Estado de Roraima – Segundo dados do Sistema de Informações Estatísticas do Sistema Penitenciário Brasileiro (INFOPEN). Assim, o Brasil ocupa o quarto lugar em população carcerária, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Rússia e China.

No Brasil, se prende muito, porém, se prende mal. Desse modo, o Estado parece não ser capaz de cumprir a sua responsabilidade em garantir os direitos, assis­tências pertinentes ao preso, assegurados pelo Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, como, por exemplo, o respeito à sua integridade física e moral.

Entre outros pontos, são determinantes para a falência do sistema prisional brasileiro a lentidão na execução de processos e a superlotação dos presídios, gerando maior tensão entre os presos que, resulta em mais violência e rebeliões em diversos presídios Brasil afora.

A prisão, conforme tem sido concebida, não tem cumprindo com suas funções. Ela não pode garantir a ressocialização do encarcerado, pelo contrário, o criminoso, não ressocializado, volta para a sociedade mais distante de ser parte dela e mais próximo da agressividade e marginalização.

Segundo dados divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), o Brasil teve um aumento na população carcerária de 267,32%nos últimos 14 anos. Colocando o país acima da média mundial no que diz respeito ao número de habitantes por pessoas presas. Atualmente, existem 306 pessoas presas para cada 100 mil habitantes, enquanto no mundo a média é de 144 para cada 100 mil.

Dados do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), apontam que 34% dos presos são provisórios. Os números impressionam e apontam a uma tragédia nacional. Para o Estado, o cárcere é a primeira opção para a questão da violência e da segurança pública, quando deveria ser o contrário. O Estado deveria apresentar medidas cautelares, não somente punitivas.

Hoje, o presidiário que cumpre uma pena, ou que, de outra maneira deixa a prisão, se depara com a realidade do descredito, desconfiança, desemprego, desprezo e do medo, restando a ele poucas alternativas que não o retorno ao mundo do crime. 

Em regra geral, no nosso país, o orçamento que é destinado ao sistema penitenciário, há muito tempo não tem sido suficiente para a manutenção dos direitos básicos, fazendo com que, o sistema carcerário mais se pareça com as masmorras do período medieval.

Diante de todas essas considerações, fica notório que é dever do Estado zelar por todo processo punitivo do detendo. Dever esse que não vem sendo cumprido e dá causa a uma catástrofe do sistema prisional.

Uma solução a curto e médio prazo parece ser inviável, entretanto, soluções paliativas poderiam reduzir os problemas enfrentados pelo encarceramento. Ademais, um sistema carcerário digno representa, de forma direta, a segurança da sociedade, afinal, se este não funciona de forma correta, cumprindo seus aspectos básicos, pode-se imaginar o quão vulnerável está a população.


* Texto enviado por João  Barbosa da Silva Junior  de  VLV Advogados Associados 

* Publicado originalmente no editorial da edição nº 20 da Revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

O mercado das fake news

13.08.2018 às 11:04
Ilustração

Candice Almeida*

Cada um é responsável pelo que publica e compartilha em suas redes sociais


O ex-presidente Lula foi expulso de um restaurante no Nordeste. O deputado Jair Bolsonaro terá o rosto estampado nas latas de Pepsi em sinal de apoio a sua candidatura. O juiz Sérgio Moro pediu para a população não reeleger nenhum político. O que estas notícias têm em comum? Todas elas são mentirosas.

Ninguém duvida que a internet é uma poderosa ferramenta dos dias atuais. Ao mesmo tempo que é capaz de facilitar as rotinas do cotidiano também é meio de fraude e oportunismo vil. Em voga estão as fake news. Nome moderno, americanizado, para problema antigo: mentiras travestidas de verdades. As notícias mentirosas não são novidades dos tempos de hoje. Não surgiram com a internet. 

No entanto, a Era da Informação também pode ser a Era da Desinformação, a depender de como o consumidor de notícias se comporta diante das novidades que lhe chocam – para o bem e para mal – nas redes sociais. Segundo pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, em inglês), as chances de uma notícia falsa ser repassada é 70% maior que a de notícias verdadeiras. Isto por que as notícias falsas possuem uma particularidade, despertam no leitor algum sentimento, seja prazer ou ódio. 

No Brasil, um levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP estimou que cerca de 12 milhões de brasileiros já difundiram notícias falsas sobre política. Apesar do alto número, não é o caso de demonizar as ferramentas advindas da internet. Antes de portais de pesquisas como google e yahoo, as notícias mentirosas, veiculadas muitas vezes na imprensa tradicional, não podiam ser desmentidas com rapidez e eficiência. Atualmente, ao mesmo tempo que os aplicativos de comunicação aceleram a disseminação de informações falsas também viabilizam a checagem ou, ao menos, o questionamento.

Em ano de eleição, as fake news são uma preocupação maior para os que procuram garantir a lisura do processo eleitoral. Diariamente, é preciso estar apto a desmentir boatos que afrontam a legislação eleitoral ou os instrumentos de investigação e fiscalização no período que antecede o pleito. Os candidatos de hoje, assim como os de ontem, precisam se preparar para as “mentiras” que serão munição de adversários políticos. E precisam se adaptar aos rápidos meios de divulgação destas mentiras, afinal os mesmos meios podem ser rápidas ferramentas de desmentidos e esclarecimentos aos eleitores.

Apesar dos inúmeros benefícios dos recursos tecnológicos, a irresponsabilidade e a preguiça, principalmente, são os itens que sustentam o mercado das fake news. Cada um é responsável pelo que publica e compartilha em suas redes sociais. Bem como, pelo que acredita e faz crer, mesmo sem saber ou pesquisar. Passamos por um período realmente perigoso. E é importantíssimo que cada um cumpra seu papel na sociedade. Ter responsabilidade com o que publica e repassa é só um dos passos. Checar e esclarecer quem não possui conhecimento é função social de cada um de nós. 

E lembrem: votar nulo ou branco não anula eleição. Eis mais uma fake news. Votos nulos ou brancos são meros votos inválidos, portanto apenas beneficiam os candidatos que já estão na frente. Então se você quer mudar o status quo não aceite mentiras como verdades. Leia, pesquise, converse e debata, com respeito e sem paixões. Política se faz com responsabilidade e parcimônia, com bom senso e equilíbrio.


* Jornalista, advogada e assessora de comunicação do MPF/AL

*Texto publicado na edição 19 da Revista Painel Alagoas

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